F1 pode ter corridas mais curtas a partir de 2027

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A Fórmula 1 prepara-se para uma revolução silenciosa, mas profunda, que poderá alterar para sempre a dinâmica das corridas: a partir de 2027, as corridas poderão ser mais curtas. Num movimento que já conta com o aval das 11 equipas e da FIA, os responsáveis estão a trabalhar em mudanças urgentes nos motores que, inevitavelmente, exigirão ajustes também na duração dos Grandes Prémios.

O ponto de partida foi uma reunião realizada após o Grande Prémio de Miami, onde se discutiu a possibilidade de alterar o atual equilíbrio 50/50 entre motor de combustão interna e motor elétrico, previsto para 2026. O consenso aponta agora para uma divisão aproximada de 60/40 a favor da potência térmica já no próximo ano. Esta alteração surge na sequência de críticas constantes de pilotos e equipas, que alertam para questões de segurança e para a qualidade do espetáculo desportivo sob as novas regras.

Max Verstappen, tetracampeão mundial, tem sido uma voz crítica sobre as alterações ao chassis e às unidades de potência, chegando mesmo a ponderar a aposentação numa altura em que as novas regras só agora começam a ser implementadas. A pressão é clara: a FIA precisa de agir rápido para melhorar o espetáculo e garantir a competitividade.

De acordo com informações recolhidas durante o fim de semana do Grande Prémio do Canadá em Montreal, a FIA, a Fórmula 1 e as equipas alcançaram um acordo para um pacote de medidas focado nos motores da próxima temporada. Depois de uma pequena alteração já testada em Miami, o órgão regulador pretende ir mais longe, mudando a proporção entre energia térmica e elétrica para aproximar-se dos 60/40. Esta mudança implicará um aumento do fluxo de combustível, o que obriga a que os monolugares transportem mais combustível durante as corridas.

Este aumento no consumo cria um dilema: as atuais capacidades dos tanques poderão não ser suficientes, e desenvolver um chassis novo para acomodar um tanque maior no meio de um ciclo de regulamentos é considerado demasiado dispendioso e pouco sustentável, especialmente com o limite orçamental em vigor. Por isso, e para evitar custos adicionais e desperdício de recursos, a FIA está a ponderar encurtar as corridas em circuitos onde o consumo seja maior, retirando uma ou duas voltas da distância total.

Alan Permane, diretor de equipa da Racing Bulls, confirmou em Montreal que existe um consenso entre os principais diretores das equipas para esta solução. “Chegámos a um acordo, certamente ao nível dos team principals, que se alguém quiser manter o chassis atual, que não seja suficientemente grande para fazer 310 km, iremos considerar, apenas onde for absolutamente necessário, encurtar as corridas em uma ou duas voltas e limitar a volta de formação a uma só,” afirmou Permane.

Este compromisso visa manter a distância total próxima dos habituais 305 quilómetros, preservando o espírito dos Grandes Prémios e, ao mesmo tempo, ajustando-se às exigências técnicas dos novos motores. A Fórmula 1 está assim a preparar-se para uma nova era onde a gestão de combustível, a eficiência e a estratégia assumirão um papel ainda mais determinante, enquanto os fãs assistirão a corridas possivelmente mais curtas, mas igualmente intensas e emocionantes. A temporada de 2027 promete ser um marco no desporto, com mudanças estruturais que poderão redefinir para sempre o que entendemos por corrida de Fórmula 1.

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