Aston Martin sem atualizações na F1 até julho: O que se passa?

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Aston Martin vive um inverno competitivo em plena temporada de Fórmula 1, sem atualizações no seu AMR26 desde março, uma pausa que pode prolongar-se até julho, no mínimo. O bólide concebido por Adrian Newey, o primeiro da equipa motorizado pela Honda, tem enfrentado graves dificuldades de performance, posicionando-se atrás de rivais emergentes como a Cadillac, e ainda lidando com problemas de fiabilidade que, apesar de estarem a regredir, continuam a condicionar o progresso da equipa.

Fernando Alonso tem sido o rosto da resistência da Aston Martin, com o seu melhor resultado a ser o 16º lugar na qualificação sprint do GP do Canadá e o 15º lugar nas duas corridas realizadas em Miami. O espanhol, bicampeão mundial de F1, admitiu após a prova na Florida que a equipa decidiu não introduzir melhorias significativas no carro até ao verão, reconhecendo o fosso que os separa dos adversários.

Esta estratégia foi reafirmada pelos responsáveis da equipa durante o GP do Canadá em Montreal, onde, pela segunda vez consecutiva, o AMR26 permaneceu sem qualquer atualização, tornando-se o único monolugar que se mantém inalterado desde as especificações do GP do Japão em março. Mike Krack, diretor de operações em pista, explicou: “Existem modificações no carro, mas não do tipo que se espera com uma grande lista de atualizações reveladas numa sexta-feira de manhã. Essas peças vão chegar por volta do verão. Por agora, são alterações detalhadas em várias áreas, menos visíveis, que vão ajudar a melhorar.”

Lance Stroll, piloto da equipa, apontou a janela provável para as atualizações entre o GP da Bélgica, a 16-19 de julho, e o GP da Holanda, a 20-23 de agosto, com o GP da Hungria pelo meio. “Vai ser suficiente para lutar pela frente? Não. Mas estas coisas não acontecem da noite para o dia. Todos estão a dar o máximo e estamos a fazer tudo para trazer o máximo tempo de volta ao carro o mais rapidamente possível.”

Alonso, por sua vez, tem sido frontal quanto à necessidade de gerir a “frustração” interna da equipa. “Estou em paz porque compreendo a situação”, afirmou depois da prova em Miami. “A equipa explicou-me que estamos no 19º ou 20º lugar e o próximo carro está um segundo à nossa frente, por isso, mesmo que consigamos ganhar dois décimos a cada corrida, não mudamos a nossa posição – e isso cria enorme pressão no sistema, no limite orçamental e coisas do género. Portanto, enquanto não tivermos uma melhoria de 1,5 ou 2 segundos, é melhor não carregar no botão da produção, porque estaríamos a desperdiçar dinheiro.”

Apesar da ausência de upgrades oficiais, o desempenho em Montreal mostrou sinais de evolução, com Alonso a alcançar a 14ª posição na primeira sessão de qualificação sprint, superando pilotos como Gabriel Bortoleto da Audi, Oliver Bearman da Haas e Pierre Gasly da Alpine.

A Aston Martin aposta, assim, numa abordagem cautelosa, reconhecendo que o caminho para recuperar terreno é longo e exige paciência e gestão rigorosa dos recursos, numa temporada onde a competitividade não perdoa erros nem hesitações. Com a janela de atualizações a aproximar-se, os olhos estarão postos na próxima fase da época para ver se o AMR26 consegue finalmente dar o salto tão esperado.