McLaren toma decisão radical e abdica de atualização-chave após desempenho “questionável” no GP do Canadá
No rescaldo do Grande Prémio do Canadá de Fórmula 1, a McLaren surpreendeu ao optar por retirar uma das suas atualizações mais ambiciosas, depois de uma estreia pouco convincente em Montreal. A equipa de Woking, que chegava ao quinto round do Mundial com expectativas elevadas após os progressos evidenciados em Miami – onde Lando Norris conquistou a vitória na Sprint e um segundo lugar na corrida principal – viu a sua confiança abalada por uma performance aquém do esperado.
O MCL40, que chegou ao Circuito Gilles Villeneuve com várias modificações, destacou-se principalmente pela nova asa dianteira. Segundo o documento oficial da FIA, esta peça foi concebida para “melhorar o fluxo aerodinâmico ao longo de toda a sua gama de funcionamento, resultando num aumento da carga aerodinâmica”. Norris foi o primeiro a testar a asa nova durante o primeiro treino livre, enquanto o seu colega Oscar Piastri experimentou a mesma atualização mais tarde na sessão.
No entanto, a surpresa surgiu pouco depois, durante a qualificação Sprint, quando ambos os pilotos regressaram à asa dianteira anterior. A decisão, tomada pela equipa técnica liderada por Neil Houldey, diretor técnico de engenharia da McLaren, foi justificada pela incapacidade da nova asa “em entregar o desempenho esperado”. Houldey explicou que a versão antiga conferiu “mais confiança aos pilotos, permitindo-lhes desbloquear maior performance”.
O resultado nas qualificações confirmou a eficácia da decisão: Norris e Piastri qualificaram-se em terceiro e quarto lugares, respectivamente, ficando a pouco mais de três décimos do tempo de pole de George Russell, um contraste claro face aos mais de um segundo e meio de desvantagem que apresentaram nos treinos livres.
Lando Norris revelou ainda que a asa dianteira atualizada poderá regressar nas próximas corridas, possivelmente em Mónaco ou Barcelona. “Algumas coisas são talvez um pouco questionáveis e precisamos de mais tempo para analisar, especialmente num circuito tão peculiar como este”, comentou o piloto britânico. “O piso é de baixo aderência, há muitos ressaltos nos ‘curbs’, o que dificulta uma avaliação precisa, especialmente quando tentamos comparar com os dados do túnel de vento. Vamos precisar de mais tempo para ajustar algumas peças, mas a restante configuração do carro funcionou bem e senti-me confiante na Q3, sobretudo com os pneus macios. Foi a primeira vez este fim de semana que senti essa confiança. Avançámos, e veremos onde podemos melhorar para amanhã.”
Com esta decisão, a McLaren tenta recuperar terreno face à Mercedes, que continua a mostrar-se extremamente rápida, reforçada por um conjunto de melhorias significativas para o GP do Canadá. A equipa britânica aposta agora em consolidar a performance do MCL40 para manter-se competitiva na luta pelos lugares cimeiros, numa temporada que se avizinha cada vez mais imprevisível e emocionante.




