Lando Norris lança um aviso contundente sobre a gestão de energia na Fórmula 1 em 2026: “Nas voltas de arrefecimento, não devia ser preciso qualquer habilidade”. O piloto da McLaren destaca o crescente peso das novas regras técnicas, que equilibram em cerca de 50-50 o uso de energia térmica e elétrica, obrigando a uma verdadeira ginástica para conservar as baterias e maximizar o desempenho.
Com circuitos como Miami e Montreal a exigir longos períodos a fundo, especialmente no último setor antes da linha de meta, gerir a carga das baterias torna-se um quebra-cabeças ainda maior. Norris explica que, para arrancar uma volta de qualificação, as baterias têm de estar a 100%, mas as regras também impedem os pilotos de circularem demasiado devagar na volta de saída, sob pena de penalizações. “Se vais demasiado devagar, levas penalização. Se vais demasiado rápido, também. É uma dificuldade enorme,” confessou o britânico.
O piloto da McLaren detalha a complexidade: “Passas as voltas não só a olhar para quem está atrás ou para as bandeiras azuis, mas metade do tempo estás a olhar para o painel, a garantir que não vais nem rápido demais nem devagar demais. E mesmo assim, é fácil errar: perdes pressão do boost, tens uma saída má, a bateria baixa, e acabas por ir muito devagar, sem conseguir carregar a bateria na volta seguinte.” Norris acrescenta que a situação agrava-se com as bandeiras azuis, obrigando a reduzir velocidade e depois a acelerar de novo, consumindo ainda mais bateria.
“Numa volta de arrefecimento, isto deveria ser simples, sem necessidade de habilidade. Mas tens de ser muito preciso para acertar nestes detalhes,” sublinhou. Norris revelou que a equipa analisou exaustivamente estes problemas após o GP de Miami e está a trabalhar para melhorar a abordagem.
No que toca à performance em pista, o jovem piloto da McLaren foi sexto na única sessão de treinos livres do GP do Canadá, a 1,4 segundos do mais rápido, Kimi Antonelli da Mercedes. Contudo, surpreendeu na qualificação sprint, ficando a apenas 0,315 segundos do pole position George Russell. Questionado pela Sky Sports F1 sobre o resultado, Norris mostrou-se satisfeito: “Foi um resultado muito bom, até uma surpresa. De manhã estávamos preocupados com a distância para a frente e com a falta de confiança no carro. Mas mexemos em algumas coisas e melhorámos bastante. Estou contente.”
A McLaren levou a Montreal um pacote de atualizações significativo, que incluiu melhorias nas asas dianteira e traseira, cobertura do motor, suspensão traseira e halo. Norris reconheceu que a resposta do carro foi positiva: “Sentiu-se bem, apesar de algumas coisas ainda serem questionáveis e precisarmos de mais tempo para analisar, especialmente num circuito tão estranho como este, com pouco aderência e muitos saltos nos kerbs. Não conseguimos tirar conclusões definitivas só com os dados do inverno.”
O piloto britânico mostrou-se confiante no Q3, especialmente com pneus macios, algo inédito para ele nesse fim de semana. “Foi um passo em frente. Agora é focar no que podemos melhorar para amanhã,” concluiu.
A McLaren demonstra assim um avanço importante na sua evolução técnica e na adaptação às complexas e exigentes normas energéticas da Fórmula 1, com Lando Norris a emergir como um dos pilotos mais atentos às nuances desta nova era elétrica e híbrida da modalidade. Resta saber se esta gestão extrema de energia se manterá ou se virá a ser suavizada para devolver o protagonismo à pura pilotagem nas voltas mais críticas e, claro, nas voltas de arrefecimento que, para Norris, deveriam ser “sem exigência de habilidade.”




