Durante algum tempo, tudo indicava que o famoso 2.5 TFSI de cinco cilindros estava a chegar ao fim. Agora, a Audi Sport deixou uma porta aberta para que este motor continue vivo por mais uma geração.
A confirmação chega através de Rolf Michl, diretor da Audi Sport, que revelou que a marca ainda está a estudar o futuro do motor que se tornou uma das imagens de marca dos modelos RS. E, tendo em conta o que a Audi dizia há menos de um ano, a mudança de discurso é bastante significativa.
«As avaliações ainda estão em curso», explicou Michl, deixando claro que a decisão final ainda não está tomada. O responsável da Audi Sport não esconde sequer a ligação pessoal que tem ao motor, depois de ter trabalhado nas três gerações do RS3.
E é precisamente esse modelo que atualmente segura sozinho a história do cinco cilindros dentro da Audi.
O motor que parecia condenado
A situação era bastante diferente em 2025. A Audi tinha praticamente admitido que não compensava investir no 2.5 TFSI para cumprir as exigências cada vez mais apertadas das normas de emissões.
Tecnicamente, adaptar o motor às novas regras, incluindo a Euro 7, é possível. O problema é outro: quanto custa fazê-lo para um motor utilizado num número relativamente reduzido de automóveis?
O RS3 não vende em volumes suficientes para tornar fácil justificar um investimento dessa dimensão. E entretanto, tanto o TT RS como o RS Q3 desapareceram, deixando o RS3 como o último representante do cinco cilindros na gama Audi.
Na Europa, a história continua a ter um final marcado. A produção destinada ao mercado europeu deverá terminar em meados de 2027. Mas fora da Europa, onde as regras de emissões são diferentes, o motor continuará a ser produzido. Agora, a Audi Sport parece estar a perguntar-se se não vale a pena ir ainda mais longe.

O problema chama-se dinheiro
Manter o cinco cilindros vivo não é uma questão de engenharia. É sobretudo uma questão económica.
Uma atualização profunda para cumprir as futuras normas de emissões exigiria um investimento significativo. A possibilidade de eletrificar o motor também existe, mas acrescentaria complexidade, peso e custos.
Por isso, uma das soluções mais interessantes seria simplesmente utilizar o motor em mais modelos e repartir assim o investimento por uma produção maior. E aqui entra uma possibilidade que há anos alimenta rumores: o Volkswagen Golf R.
Há muito que se fala da possibilidade de o Golf mais potente receber o 2.5 TFSI, embora a Audi tenha impedido essa ideia no passado. Curiosamente, o motor acabou por chegar ao Cupra Formentor VZ5, mostrando que a exclusividade do cinco cilindros dentro do grupo Volkswagen não é propriamente absoluta. Agora, com a necessidade de justificar o investimento para manter o motor em produção, a situação pode ser diferente.
Pode o Golf R salvar o cinco cilindros?
É demasiado cedo para dizer que isso vai acontecer. Os rumores apontam para a possibilidade de o próximo Golf R receber o motor de cinco cilindros em 2027, precisamente quando a divisão R celebra 25 anos. Por enquanto, não existe confirmação oficial.
Mas a ideia faz sentido. Se a Audi decidir continuar a desenvolver o 2.5 TFSI, colocá-lo noutros modelos permitiria aumentar os volumes de produção e diluir os custos. E poucos modelos dentro do grupo Volkswagen teriam tanta capacidade para tirar partido de um motor destes como o Golf R.
Por outro lado, a Audi também terá de decidir se quer continuar a investir num motor de combustão numa altura em que a indústria está claramente a caminhar para a eletrificação.
A verdade é que o cinco cilindros já ultrapassou há muito a simples função de motor. É uma parte importante da identidade da Audi Sport, com uma sonoridade e uma personalidade que dificilmente podem ser reproduzidas por um motor elétrico.
Por isso, a história ainda não acabou. O 2.5 TFSI pode estar longe de ter a sobrevivência garantida, mas pela primeira vez em algum tempo a Audi está a admitir que talvez ainda não seja altura de dizer adeus.
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