Apesar do pódio conquistado por Lando Norris na Sprint Race em Silverstone e do quarto lugar alcançado no Grande Prémio, Andrea Stella não esconde a realidade: a McLaren mantém um défice de desempenho face à Ferrari e à Mercedes de cerca de meio segundo. A corrida no icónico circuito britânico, onde Norris contou com uma bancada dedicada e a McLaren apresentou uma decoração especial, acabou por não trazer grandes motivos de celebração para a formação de Woking após a poeira assentar.
Nos factos, Norris terminou a prova principal na quarta posição, resultado que, segundo o próprio chefe de equipa, não reflecte totalmente o valor real da McLaren. “No geral, a corrida confirmou que a nossa performance hoje esteve em linha com a qualificação. Portanto, continuamos a exibir uma diferença considerável para a Ferrari e para a Mercedes – provavelmente cerca de meio segundo”, afirmou Andrea Stella após o final do Grande Prémio da Grã-Bretanha. O italiano foi ainda mais longe ao comentar o resultado de Norris: “P4, penso que é uma conquista acima das nossas possibilidades, não por mérito próprio. Foi mais porque outros tiveram problemas.” Oscar Piastri, por sua vez, sofreu danos no carro após um contacto logo no início e não conseguiu melhor do que o 11.º lugar.
Stella sublinhou que a McLaren está a pagar o preço do desenvolvimento contínuo do carro para 2025, recordando o duelo intenso de Norris com Max Verstappen até à última corrida do campeonato. Questionado sobre se a luta acesa com a Red Bull e Verstappen exigiu mais atenção ao desenvolvimento do monolugar, respondeu: “Definitivamente. Diria que, estando nós tão próximos no campeonato com a Red Bull e especialmente com o Verstappen nos pilotos, precisámos de dar alguma atenção em termos de continuar a trabalhar no carro. Mesmo não trazendo grandes evoluções, definitivamente tivemos de continuar a focar-nos tecnicamente no MCL39. Precisávamos de garantir que maximizávamos a nossa performance corrida a corrida, porque o desafio do Verstappen tornava-se cada vez mais relevante.”
No que toca ao desenvolvimento do actual MCL40, Stella admitiu que a equipa seguiu uma via conceptual que acabou por se revelar errada à luz do entendimento actual do regulamento de 2026. “Durante o desenvolvimento, penso que adoptámos algumas direcções do ponto de vista conceptual que, à medida que aprendemos mais sobre os regulamentos de 2026, diria que estamos a redireccionar. E isto, como tudo, especialmente do ponto de vista aerodinâmico, não é algo que se consiga resolver numa semana. Normalmente leva um ou dois meses, e penso que este par de meses é o atraso que temos neste momento. Vemos que é provavelmente entre dois a três meses o espaço entre o lançamento das evoluções das equipas de topo. Agora acreditamos que temos uma direcção clara em termos de desenvolvimento, mas em algumas áreas do carro demorou um par de meses a materializar-se. Devemos ver na Hungria os primeiros resultados desta abordagem e, espero, mais evoluções ao longo da época”, explicou o responsável da McLaren.
Relativamente ao calendário para as melhorias, Stella revelou: “A minha trajectória ideal neste momento é fechar a diferença com o próximo pacote de actualizações, que vai acontecer durante a paragem de verão. Algo será introduzido antes e algo depois da paragem. Como temos agora ideias mais claras sobre as direcções a seguir no desenvolvimento aerodinâmico, vemos que o progresso é mais sustentado do que em algumas fases do ano passado. Na minha trajectória, penso que vamos fechar a diferença com mais um passo significativo de evoluções, por isso, idealmente, conseguiremos entregar melhorias a curto e a médio prazo. Esperemos que, até lá, os outros não tenham desaparecido demasiado à frente no campeonato”, concluiu Andrea Stella.
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