O desânimo de Charles Leclerc foi impossível de esconder após cortar a meta em oitavo no Grande Prémio da Áustria. Tendo arrancado da primeira linha da grelha no Red Bull Ring, o piloto da Ferrari viu a esperança de um resultado forte desvanecer-se ainda nas voltas iniciais, concluindo a corrida com um atraso significativo de 45 segundos face ao vencedor, George Russell, da Mercedes. O desempenho desapontante acentuou a crise de resultados do monegasco, que atravessa um dos seus períodos mais difíceis desde que chegou à Scuderia.
O Grande Prémio da Áustria, oitava ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2024, ficou marcado pelo domínio de George Russell, que garantiu a vitória após 71 voltas intensas, com um tempo total de 1:23:12.451. Oscar Piastri, da McLaren, terminou em segundo lugar, a 5,8 segundos, enquanto Kimi Antonelli da Mercedes fechou o pódio, a 9,1 segundos do líder. Charles Leclerc, após uma qualificação promissora — em que assegurou o segundo lugar da grelha com um tempo de 1:04.380, apenas a 0,064s da pole position —, não conseguiu dar seguimento ao bom ritmo e acabou em oitavo, somando apenas quatro pontos. O atraso de 45 segundos para o vencedor evidenciou as dificuldades do #16 e da Ferrari nesta fase do campeonato.
A descida de forma de Leclerc tornou-se particularmente evidente desde o Grande Prémio do Mónaco, onde abandonou prematuramente e saiu sem pontos. Em Barcelona, voltou a ficar a zeros, evidenciando uma espiral negativa que o tem afastado dos lugares cimeiros do campeonato. Em contraste, o colega de equipa, Carlos Sainz, e pilotos rivais como Hamilton e Antonelli, têm-se mostrado mais consistentes, consolidando posições no topo da tabela. O atual balanço do campeonato coloca Leclerc no quinto lugar do Mundial de Pilotos, com 79 pontos — menos 92 que o líder, Kimi Antonelli (171), e menos 46 que Lewis Hamilton (125), que segue em segundo. A Ferrari, apesar dos sinais de evolução, não tem conseguido dar a Leclerc o carro fiável e competitivo que este exige.
No rescaldo da corrida austríaca, Charles Leclerc não escondeu a sua insatisfação. Em declarações após a prova, foi direto: “Foi simplesmente uma corrida incrivelmente difícil, com uma aderência geral muito, muito baixa. Tive dificuldade em colocar o carro, e especialmente os pneus, na janela certa, particularmente os traseiros, e faltava-me muita aderência na traseira.” O piloto acrescentou ainda: “Há ainda muito trabalho a fazer. Acho que tenho trabalhado muito arduamente nas últimas semanas, porque tem havido sempre uma razão ou outra que me faz ter dificuldade ao domingo ou ao sábado. Há sempre uma razão para a dificuldade, e isso provavelmente significa que não tenho uma imagem clara do que quero deste carro. E tenho de encontrar isso.” Estas palavras demonstram a frustração e o desejo de clarificar a relação com o SF-26, numa altura em que o campeonato entra numa fase decisiva.
A análise técnica aponta para problemas recorrentes de aderência traseira no Ferrari SF-26, com dificuldades em colocar os pneus na janela ideal de funcionamento — um desafio que tem sido transversal a várias provas. Frederic Vasseur, diretor de equipa da Ferrari, reconheceu no final da corrida que “estamos a trabalhar intensamente para perceber onde podemos apoiar melhor o Charles. É urgente encontrar estabilidade no carro para que ele possa explorar todo o potencial nas próximas provas.” Entre as linhas, fica clara a pressão interna para inverter o ciclo negativo e evitar que Leclerc entre numa espiral ainda mais complicada.
Com o Mundial a meio e a próxima ronda marcada para Silverstone, o desafio para Leclerc e para a Ferrari não poderia ser mais urgente. A equipa italiana necessita de respostas rápidas para manter vivas as ambições no campeonato de construtores e para evitar que o monegasco perca terreno face aos principais rivais. Silverstone será, assim, uma oportunidade crucial para Leclerc inverter o rumo e mostrar a consistência que lhe tem faltado, sob pena de ver a sua luta pelo título tornar-se uma miragem cada vez mais distante. O paddock aguarda, expectante, para perceber se o piloto da Ferrari conseguirá dar a volta por cima e recuperar a confiança, ou se a sua frustração continuará a aumentar prova após prova.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
