Lewis Hamilton faz história mas admite que Ferrari ainda está atrás da Mercedes

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Lewis Hamilton fez história ao vencer pela 106.ª vez na Fórmula 1, tornando-se o primeiro piloto com mais de 40 anos a triunfar numa prova desde Nigel Mansell em 1994 e o primeiro britânico a vencer ao serviço da Ferrari no século XXI. Esta vitória emblemática reacende o debate: poderá Hamilton alcançar o tão ambicionado oitavo título mundial e inscrever o seu nome, de forma ainda mais indelével, nos livros de recordes da modalidade?

No rescaldo do Grande Prémio, Hamilton ascendeu ao segundo lugar do Campeonato do Mundo de Pilotos, ultrapassando George Russell, antigo líder nas primeiras provas da temporada, após uma sólida exibição no Grande Prémio do Mónaco. Em Barcelona, conseguiu aumentar a vantagem para Russell para nove pontos, ao mesmo tempo que reduziu a diferença para o líder destacado do campeonato, Andrea Kimi Antonelli, que ainda detém uma confortável margem de 41 pontos. A corrida no Circuito da Catalunha voltou a demonstrar que, apesar do Ferrari SF-26 estar mais competitivo, ainda existe trabalho a fazer para igualar o ritmo dos principais rivais.

Este resultado representa o momento mais próximo de Hamilton do título desde o controverso desfecho do campeonato de 2021 frente a Max Verstappen. No entanto, o próprio piloto britânico desvaloriza, para já, a hipótese de conquistar o oitavo campeonato. “Sinceramente, com a forma como o ano começou, não tenho pensado nisso dessa maneira”, confessou Hamilton após a vitória histórica pela Ferrari. “Não tenho estado a pensar no oitavo. O nosso objectivo era, acima de tudo, voltar a vencer, mas sempre tive consciência de que isso levaria tempo. A Mercedes apareceu com um carro impressionante, com um ritmo fortíssimo e ambos os pilotos têm estado em excelente plano. Sabemos que temos um défice de potência. Vai haver circuitos, especialmente com longas rectas, em que isso nos vai prejudicar ainda mais. Mas, como disse, temos uma boa base e, se continuarmos a acrescentar performance e a ser mais rápidos em curva, talvez consigamos reduzir a diferença até conseguirmos igualar a potência dos rivais ou eliminar o défice.”

Hamilton destacou ainda a importância de manter o foco a curto prazo, dado o contexto competitivo: “É muito difícil pensar a longo prazo neste momento. Acho que temos de encarar isto corrida a corrida, semana a semana. Estarei na fábrica nos próximos dias para analisar dados com os engenheiros de aerodinâmica, perceber o que está planeado, quando chegam as melhorias e qual será o seu impacto. Se for necessário, ajusto o desenvolvimento consoante aquilo que sinto que o carro precisa. O essencial é continuar a pressionar, a evoluir e, acima de tudo, desfrutar deste desafio.”

As declarações do britânico ecoam o realismo de quem conhece as dificuldades de lutar contra um monolugar da Mercedes, cuja unidade motriz continua, segundo o relatório mais recente do ADUO da F1, a ser referência no pelotão. Hamilton não esconde que, apesar do progresso da Ferrari, o chassis e o motor da Mercedes ainda constituem referência, dificultando a tarefa dos homens de Maranello em certos traçados, sobretudo os mais rápidos.

Olhando para o futuro imediato, a próxima ronda do campeonato realiza-se no circuito de Silverstone, palco emblemático para Hamilton e para o universo Ferrari. O piloto britânico chega motivado, mas consciente de que a desvantagem de 41 pontos para Antonelli nunca foi recuperada na história da Fórmula 1, o que obriga a uma abordagem pragmática. Caso consiga nova vitória e se Antonelli perder pontos, o cenário poderá alterar-se, mas a consistência do jovem italiano da Mercedes tem sido notável. Do lado negativo, George Russell vê-se agora pressionado por Charles Leclerc na luta pelo terceiro posto do campeonato, enquanto a Red Bull, envolta em rumores sobre a possível saída de Verstappen, procura recuperar o ímpeto de início de época.

Com o campeonato a meio, Hamilton sabe que cada corrida pode ser decisiva. O desenvolvimento do SF-26, a capacidade de maximizar oportunidades e o engenho estratégico da Ferrari serão cruciais para manter viva a esperança do octocampeonato. Silverstone promete emoções fortes, com os adeptos portugueses atentos a cada milésimo de segundo numa época que está longe de estar decidida.

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