Lewis Hamilton quebrou finalmente o enguiço e conquistou a tão aguardada primeira vitória pela Ferrari na Fórmula 1, triunfando no Grande Prémio de Espanha em Barcelona. Depois de uma época de estreia frustrante com a Scuderia, o britânico mostrou todo o seu valor ao dominar a corrida e cruzar a meta com quase 20 segundos de vantagem para a concorrência, num momento que pode marcar um ponto de viragem não só na sua carreira, mas também na luta pelo título de 2026.
O fim-de-semana catalão foi palco de uma reviravolta notável. Hamilton, ao volante do Ferrari SF-26, assinou a volta mais rápida da corrida (1:18.124) e venceu com autoridade, deixando George Russell (Mercedes) e Lando Norris (McLaren) sem resposta. O britânico partiu da primeira linha da grelha, atrás de Russell, mas foi construindo o triunfo através de uma estratégia alternativa de três paragens que surpreendeu os adversários e explorou ao máximo o novo pacote de evoluções técnicas apresentado pela Ferrari nesta prova. No final, Hamilton cortou a meta com 19.6 segundos de avanço sobre Russell, enquanto Charles Leclerc, depois de um acidente na qualificação, terminou apenas em sétimo.
Esta vitória não representa apenas o regresso de Hamilton ao lugar mais alto do pódio — algo que não acontecia desde Julho de 2024 — mas também um verdadeiro renascimento competitivo numa altura em que muitos duvidavam da sua capacidade de voltar a vencer. O próprio campeão admitiu, no rescaldo da corrida, ter passado por momentos de dúvida: “Depois do ano passado, houve alturas em que pensei: ‘Talvez seja verdade que, quando se chega a certo ponto, perde-se o toque’. Mas provei que não é assim”, declarou Hamilton, visivelmente emocionado. A importância deste triunfo é ainda maior tendo em conta a rivalidade acesa com Mercedes e McLaren, e a aproximação ao topo do campeonato, onde Andrea Kimi Antonelli lidera com 41 pontos de vantagem.
A chave para esta transformação foi o profundo trabalho interno levado a cabo pela Ferrari nos últimos 18 meses. A chegada de Fred Vasseur ao comando da equipa trouxe coragem para implementar mudanças estruturais, desde a renovação do departamento técnico até à alteração da configuração dos travões, abandonando parcialmente a parceria histórica com a Brembo em favor dos discos Carbon Industrie — uma preferência pessoal de Hamilton, que os utilizara em Mercedes e McLaren. “Foi o Fred quem me apoiou quando fui muito vocal e persistente a pedir mudanças. Ele permitiu que acontecessem e, sem isso, esta vitória não seria possível”, agradeceu o piloto britânico, elogiando também o engenheiro Carlos Santi, que substituiu Ricardo Adami e rapidamente conquistou a confiança do heptacampeão: “O Santi tornou-se o meu ‘Bono italiano’. A comunicação e o ambiente à minha volta estão mil vezes melhores do que no ano passado.”
A estratégia da Ferrari foi outro factor decisivo. Enquanto as restantes equipas optaram por táticas convencionais de duas paragens, Hamilton e a Scuderia arriscaram com uma abordagem diferente, preparando o ataque final ao aproveitar uma Virtual Safety Car provocada pelo abandono de Fernando Alonso. Esta chamada às boxes, mais cedo do que o previsto, permitiu-lhe regressar à pista com pneus mais frescos e ultrapassar Russell com facilidade. “A Ferrari merece crédito por ter identificado a oportunidade e ajustado o plano em função das circunstâncias”, reconheceu Russell, destacando o ritmo “insano” do britânico na fase decisiva da corrida.
No paddock, Lando Norris não poupou elogios: “A Ferrari está incrível. São líderes em velocidade em curva, só lhes falta um motor mais forte para dominarem completamente.” No entanto, continuam a perder tempo nas rectas, algo que Hamilton e os engenheiros esperam mitigar com futuros desenvolvimentos já programados para as próximas provas.
O ambiente na Ferrari está claramente mais saudável e competitivo. Hamilton confessou ainda ter superado uma lesão física sofrida no ano anterior, o que reforça o peso deste resultado. A Mercedes, por outro lado, reconheceu a superioridade do rival, com Toto Wolff a admitir que o ritmo do Ferrari foi inalcançável, mesmo descontando o tempo perdido pelos seus pilotos a lutarem entre si durante a corrida.
Com esta vitória, Hamilton subiu ao segundo lugar do campeonato, ultrapassando Russell, e relança a discussão sobre se pode ainda ameaçar o jovem Antonelli na luta pelo título. Segue-se o Grande Prémio da Áustria, onde a Ferrari espera capitalizar o momento e continuar a aproximação à Mercedes. O paddock reconhece: Hamilton está de volta ao seu melhor, e a Ferrari voltou a ser candidata à vitória. O campeonato está longe de terminado e, como o próprio Hamilton sublinhou, “isto ainda agora começou”.
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