Denny Hamlin voltou a fazer história em Pocono, conquistando a oitava vitória da carreira no emblemático circuito americano e estabelecendo um novo recorde absoluto no Grande Prémio Great American Getaway 400. Aos comandos do Toyota número 11 da Joe Gibbs Racing, Hamlin cruzou a meta 1,678 segundos à frente de Tyler Reddick (23XI Racing), numa autêntica dança estratégica de gestão de combustível até à bandeira de xadrez, perante uma multidão esgotada em Long Pond, Pensilvânia.
Com este triunfo, Hamlin soma agora três vitórias consecutivas na NASCAR Cup Series – Nashville, Michigan e Pocono –, um feito inédito na sua carreira que já se estende por 21 temporadas a tempo inteiro. O piloto norte-americano, de 45 anos, passa a contar 64 vitórias absolutas na principal categoria do automobilismo americano, isolando-se no nono lugar da lista de todos os tempos e ultrapassando o falecido bicampeão Kyle Busch, seu antigo colega de equipa. O pódio ficou completo com William Byron, da Hendrick Motorsports, que terminou a prova ao volante do Chevrolet nº 24, seguido por John Hunter Nemechek (Legacy Motor Club), que garantiu o seu primeiro top-5 da época depois de liderar 42 voltas – mais do que em toda a temporada anterior.
No plano do campeonato, a sequência vitoriosa de Hamlin reduziu dramaticamente a vantagem de Tyler Reddick no topo da classificação geral. Reddick, que entrou no fim de semana com uma margem superior a cem pontos, vê-se agora apenas 19 pontos à frente do piloto da JGR. Esta é a mais curta diferença do ano no topo da tabela, numa altura em que restam apenas dez provas para definir os 16 pilotos que disputarão o Chase pelo título. Curiosamente, Hamlin é coproprietário da 23XI Racing, equipa onde Reddick pilota, juntamente com a lenda da NBA Michael Jordan, o que acrescenta uma camada extra de rivalidade e interesse à luta pelo campeonato.
Após a prova, Hamlin não escondeu a satisfação pelo momento especial vivido em Pocono: “É simplesmente especial estar aqui”, afirmou, sorridente, antes de elogiar a equipa: “Estou muito feliz por toda a equipa Joe Gibbs Racing. Isto é um esforço coletivo. Deram-me carros rápidos, a equipa de boxes está impecável neste momento, temos tudo a funcionar.” Questionado sobre o atual nível de confiança, Hamlin foi perentório: “Diria que é, sem dúvida, o melhor que já estivemos. Chegamos a cada circuito com a convicção de que temos hipótese de ganhar. A equipa está a fazer um trabalho incrível ao perceber exatamente o que eu preciso no carro todas as semanas – e é por isso que estamos a ganhar.”
Tyler Reddick, apesar do segundo lugar, não escondeu algum desânimo: “É frustrante”, admitiu o piloto da 23XI Racing, que recuperou de quinto para segundo nas últimas voltas, depois de um susto com um possível furo num dos pneus. “Perdemos tempo em alguns pontos, parte disso porque todos estão a lutar por posição em pista, parte deve-se ao azar de apanharmos carros mais lentos nos piores sítios. Sabíamos que a qualificação ia ser difícil, e não conseguimos amealhar os pontos suficientes nas etapas – simplesmente não foi suficiente.”
Christopher Bell, colega de equipa de Hamlin na JGR, arriscou tudo numa estratégia de poupança de combustível nas voltas finais. O norte-americano, que corria com o pulso esquerdo fraturado após um acidente em Michigan, chegou a liderar, mas foi ultrapassado por Hamlin a cinco voltas do fim e acabou por ficar sem combustível já com a última volta a ser assinalada, terminando num inglório 26º lugar. “Estávamos presos no fundo do pelotão, por isso acho que foi uma chamada brilhante da equipa”, explicou Bell, considerando que o risco valeu a pena dadas as circunstâncias.
Ainda no top-5, destaque para Kyle Larson, da Hendrick, que liderou nas voltas iniciais e terminou em quinto, e para John Hunter Nemechek, que conseguiu o seu melhor resultado do ano após liderar mais voltas do que em toda a temporada passada e a atual combinadas. Entre os restantes, Erik Jones (Legacy) foi sexto, Chris Buescher (Roush Fenway Keselowski Racing) sétimo, Ross Chastain (Trackhouse) oitavo, Ty Gibbs (JGR) nono e Ryan Blaney (Team Penske) décimo. Chase Elliott, da Hendrick, ficou à porta do top-10, em 11º, falhando por pouco um quinto top-10 consecutivo em Pocono.
No que respeita à luta pelo acesso ao Chase, a pressão intensifica-se: Shane Van Gisbergen (Trackhouse) ocupa o 14º lugar, com 10 pontos de vantagem sobre Brad Keselowski (Roush Fenway Keselowski Racing), que é 17º. John Hunter Nemechek e Austin Cindric fecham o top-16, mas apenas com quatro pontos de margem. Joey Logano (Team Penske), fora do top-16, já está a 21 pontos do último lugar de acesso à fase decisiva do campeonato.
Segue-se agora o Grande Prémio de Richmond, onde todos os olhos estarão postos na capacidade de Hamlin manter a impressionante série vitoriosa e na resposta de Reddick, que procura defender a liderança e evitar que a pressão do veterano da JGR se transforme num novo líder do campeonato. A fase regular aproxima-se do fim e cada ponto conquistado poderá ser decisivo, com as rivalidades e as estratégias de equipa a prometem novas emoções para os adeptos portugueses do automobilismo.
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