Max Verstappen terminou o Grande Prémio de Espanha no quarto lugar, mas o resultado ficou longe de reflectir o verdadeiro desempenho da Red Bull, que continua a enfrentar sérias dificuldades perante os principais rivais do Mundial de Fórmula 1. Depois de um fim de semana marcado por problemas de ritmo e incapacidade de acompanhar a luta pela vitória, o neerlandês foi promovido na classificação final apenas devido a avarias tardias nos monolugares de Kimi Antonelli (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari), facto que escondeu, em parte, o fosso real para os líderes.
No Circuit de Barcelona-Catalunha, Lewis Hamilton (Ferrari) conquistou a vitória com autoridade, seguido de Lando Norris (McLaren) e George Russell (Mercedes) a completar o pódio. Verstappen cruzou a meta a 17,2 segundos do vencedor, enquanto Isack Hadjar, seu colega na Red Bull, terminou no sexto posto, mas já a uma volta dos primeiros. O RB22 voltou a mostrar-se incapaz de lutar de igual para igual com os rivais da Ferrari, Mercedes e McLaren, com a qualificação a confirmar essas limitações: Verstappen não foi além do quinto tempo, alinhando na grelha com pneus macios usados e, logo após poucas voltas, viu-se obrigado a parar cedo. A entrada do Virtual Safety Car permitiu-lhe montar pneus médios novos, mas nem assim conseguiu ameaçar o pódio em ritmo puro.
O resultado em Espanha agrava a situação da Red Bull no Campeonato do Mundo de Construtores, onde a Mercedes mantém o ritmo dominante e a Ferrari, impulsionada por um novo pacote de evoluções, já ameaça consolidar o segundo lugar. A McLaren, mesmo com algumas oscilações de performance, segue capaz de lutar regularmente pelo pódio. Para a Red Bull, a única presença no pódio até agora foi em Montreal, também por Verstappen, o que demonstra a dificuldade em adaptar-se a diferentes tipos de circuito e a falta de flexibilidade do monolugar austríaco.
No rescaldo da corrida, Max Verstappen não escondeu o desânimo ao falar com os jornalistas. O campeão do mundo foi directo: “Está bastante claro que estamos atrás da Ferrari, Mercedes e McLaren, porque acabámos atrás de todos eles. Portanto, continuamos a ser a quarta melhor equipa. Talvez um pouco melhor, mas ainda longe do que queremos.” O neerlandês acrescentou ainda, com tom realista: “É um trabalho em progresso e espero, muito em breve, conseguir recuperar um pouco mais de performance.” Questionado sobre as próximas provas, Verstappen foi taxativo: “Em geral, ainda somos a quarta equipa mais rápida, por isso não vai mudar muito nos próximos circuitos. Só mudará se trouxermos melhorias, porque não vamos resolver ficando parados. Quem trouxer evoluções, salta à frente. Depende sempre de quem traz o maior pacote de melhorias.”
A vitória de Hamilton em Barcelona, a primeira do britânico ao serviço da Ferrari, foi a confirmação de que a Scuderia acertou nas actualizações introduzidas nesta ronda. Para a Red Bull, a pressão aumenta, sobretudo porque, segundo os regulamentos actuais da FIA, não devem beneficiar de oportunidades adicionais para desenvolvimento, ao contrário de Mercedes e Ferrari – dado que o motor Ford é considerado o mais forte da grelha. Isto complica ainda mais a tarefa da equipa liderada por Christian Horner, que já admite estar perante o início de temporada mais difícil desde a estreia de Verstappen em 2015.
O calendário não oferece tréguas: seguem-se duas rondas em circuitos de alta velocidade e energia – Red Bull Ring (Áustria) e Silverstone (Reino Unido) – que, à partida, não jogarão a favor das actuais características do RB22. Mesmo o Hungaroring, circuito mais sinuoso e exigente em termos de aderência, poderá expor ainda mais as debilidades do monolugar caso não surjam evoluções significativas.
Apesar de tudo, o quarto lugar de Verstappen acabou por ser um mal menor e permitiu limitar os danos em termos pontuais, mas a Red Bull sabe que precisa urgentemente de um salto competitivo. O Mundial segue já para a Áustria, onde a expectativa está centrada em saber se a equipa campeã mundial conseguirá inverter a tendência negativa ou se continuará a ver Ferrari, Mercedes e McLaren fugirem no campeonato. Para já, a luta pelo título parece cada vez mais distante para Verstappen e para uma Red Bull que se vê obrigada a acelerar o passo fora das pistas para não perder definitivamente o comboio dos da frente.
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