Robin Frijns, ao volante do BMW M Hybrid V8 da equipa WRT, viu escapar-se uma vitória histórica nas 24 Horas de Le Mans devido a um período de safety car a menos de seis horas do fim, que anulou a vantagem confortável construída até então. A formação alemã, composta por Frijns, Sheldon van der Linde e René Rast, garantiu ainda assim o segundo lugar na mais mítica prova de resistência do mundo, oferecendo à BMW o seu primeiro pódio absoluto em Le Mans desde o triunfo em 1999.
No final da 92.ª edição das 24 Horas de Le Mans, disputada no Circuito de La Sarthe e integrada no Campeonato do Mundo de Endurance (WEC), o Toyota GR010 Hybrid número 7, pilotado por Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries, cortou a meta na frente. Kobayashi cruzou a linha com apenas 10,913 segundos de vantagem sobre Frijns, após 311 voltas a um ritmo alucinante. O BMW número 20 liderou durante 72 voltas, sendo o segundo Hypercar mais dominante da noite, mas viu a sua margem de 30 segundos evaporar-se após um forte acidente do Porsche número 91 de Ayhancan Güven, que provocou a neutralização da corrida.
O impacto deste resultado é profundo para o campeonato. A BMW demonstra finalmente argumentos para lutar de igual para igual com as referências da categoria Hypercar, colocando-se como candidata séria às próximas rondas do WEC. A proximidade do desfecho alimenta a rivalidade com a Toyota, que soma agora o seu sexto triunfo absoluto em Le Mans, consolidando a sua posição como potência dominante da última década. Para a equipa WRT, o resultado representa um enorme passo em frente e reescreve o histórico da marca bávara na prova francesa, voltando a ameaçar recordes que estavam intocáveis há 25 anos.
No rescaldo da corrida, Robin Frijns não escondeu a frustração perante os jornalistas: “Sim, foi doloroso. O Toyota [número 8] parou nas boxes ou teve um problema com os travões cerca de uma hora antes, caíram um pouco, mas depois voltaram à luta. Sabíamos que o Toyota era muito forte. Mostraram bom ritmo, sobretudo no início, quando conseguiram ganhar posições com a estratégia. Para nós foi uma grande desilusão.” O colega Sheldon van der Linde acrescentou: “O safety car foi o momento em que tudo correu mal para nós. Tínhamos a liderança, a posição em pista, mas depois tivemos de reabastecer mais energia. Em Le Mans, ultrapassar é muito difícil e, com um Toyota com este andamento, é preciso arriscar demasiado no tráfego. Tivemos de proteger o carro porque, se cortássemos as chicanes da forma errada, danificávamos o carro e podíamos nem acabar a corrida.”
Frijns, que ainda protagonizou uma ultrapassagem ousada ao Toyota número 8 de Sébastien Buemi nas Porsche Curves a 47 minutos do fim, destacou que o ritmo da Toyota nunca foi surpresa: “A Toyota esteve sempre no radar porque mostraram bom ritmo de corrida. A qualificação é uma coisa, mas ao fim de duas horas numa prova de 24, tudo muda.”
Vincent Vosse, director da equipa WRT, fez questão de sublinhar o esforço colectivo após a bandeira de xadrez: “Não há arrependimentos. Foi uma corrida muito forte, sem erros dos pilotos, da equipa ou do carro. Tudo o que tínhamos, pusemo-lo em pista. Para quem duvidava se estávamos a dar tudo nos treinos livres, agora ficou claro. Fomos apenas, como sempre digo, vítimas da sorte e do momento. Durante os dois períodos de safety car, não tivemos sorte. Mas não podíamos sonhar com uma corrida mais perfeita.”
Andreas Roos, director da BMW M Motorsport, revelou que a equipa ficou em desvantagem estratégica já perto do fim: “Antes do safety car, tínhamos vantagem em pista, mas ligeira desvantagem energética. O safety car anulou completamente essa vantagem e ficámos só com o handicap da energia. A partir daí, tivemos de tentar alinhar o nosso ritmo com o dos outros, fazendo stints de 13 voltas, etc.” Questionado se teriam vencido sem o safety car, Roos foi taxativo: “Não digo isso, seria exagerado. Teria sido diferente, sim, mas não posso garantir que seria uma vitória.”
Sheldon van der Linde e René Rast mostraram sentimentos mistos após darem à BMW o segundo pódio consecutivo em provas de 24 horas, depois do terceiro lugar em Daytona: “Não sei se devo sorrir ou chorar”, confessou van der Linde. “Olhando para o lado positivo, é um marco incrível para o programa e mostra que a BMW é competitiva e consistente.” Rast concluiu: “Isto é corridas, isto é Le Mans. Tudo pode acontecer. Às vezes a sorte sorri-nos, outras não. Le Mans escolhe o vencedor – ouvimos isso muitas vezes e é verdade.”
Com o próximo embate do WEC agendado para as 6 Horas de São Paulo, a BMW WRT parte galvanizada mas ciente de que a vitória absoluta em Le Mans esteve por um fio. O campeonato segue mais aberto, com a rivalidade entre Toyota e BMW a prometer novos capítulos intensos, enquanto outras equipas procuram capitalizar eventuais deslizes dos líderes. O sonho da coroa em Sarthe ficou adiado, mas o aviso da BMW foi dado: estão prontos para lutar até ao fim.
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