Lewis Hamilton voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, desta vez em solo catalão e de vermelho Ferrari, quebrando um jejum de 686 dias sem vitórias em Grandes Prémios e conquistando o seu tão aguardado primeiro triunfo ao serviço da Scuderia. O britânico selou assim o 106.º êxito da carreira na Fórmula 1, num momento que ficará eternamente marcado não só pela dimensão histórica, mas também pelo simbolismo de ver Hamilton a celebrar com as cores de Maranello.
Na linha de meta do Grande Prémio de Barcelona-Catalunha, Hamilton cruzou-se com a bandeira axadrezada após 66 voltas intensas, deixando George Russell (Mercedes) a 2,7 segundos e Lando Norris (McLaren) a completar o pódio, dando origem a um feito inédito desde 1968: três britânicos nos três primeiros lugares. O tempo da volta mais rápida pertenceu a Norris, com 1:17.218, mas foi Hamilton quem exibiu uma consistência impressionante ao longo de toda a corrida, especialmente nos duelos estratégicos e na gestão dos pneus duros na fase decisiva. Kimi Antonelli (Mercedes), líder do campeonato, foi forçado a abandonar a duas voltas do fim devido a problemas mecânicos quando ocupava o segundo posto, permitindo a Hamilton cortar 41 pontos na diferença para o jovem italiano.
Este triunfo de Hamilton tem particular importância no contexto da temporada de 2026, não apenas por ser o seu primeiro pela Ferrari, mas porque relança totalmente a luta pelo título, depois de um início de época complicado ao serviço da escuderia italiana. O heptacampeão mundial, que apenas somara três vitórias desde 2021, demonstra assim que a aposta de Maranello está a começar a dar frutos, colocando pressão acrescida sobre Antonelli e reacendendo rivalidades históricas, sobretudo com Max Verstappen (Red Bull), que terminou em quarto e não escondeu o respeito pelo feito do britânico. Além disso, Hamilton igualou o recorde de pódios em diferentes equipas, consolidando o seu estatuto de lenda viva da Fórmula 1.
As reacções no paddock foram unânimes em considerar o momento “especial”. Lando Norris, terceiro classificado, elogiou Hamilton no final da corrida: “Acho que é bastante fixe. É especial. Nas últimas corridas parece que elevou o seu nível. Está a tirar o máximo do que tem e é óptimo ver isso. Cresci a ser fã do Lewis e, embora já não diga que sou esse tipo de fã, continuo a admirar o que faz. Como sete vezes campeão do mundo, é sempre um prazer ver estas coisas. Voltar a vê-lo com a Ferrari a ter sucesso é ainda mais especial”.
George Russell, que partiu da pole position e foi ultrapassado por Hamilton após a segunda paragem nas boxes, também não poupou nos elogios: “Crescemos ambos a ver o Lewis e, no meu caso, tive o privilégio de partilhar a equipa com ele durante três anos na Mercedes. Tomar a decisão corajosa de ir para a Ferrari e vê-la agora a dar frutos é realmente especial, tendo em conta a dimensão do desafio”.
Kimi Antonelli, apesar da desilusão pelo abandono, reconheceu a exibição de Hamilton: “Parabéns ao Lewis, fez uma corrida realmente impressionante. Não esperávamos aquele ritmo da Ferrari, por isso foi especial vê-lo de novo no topo. É um grande momento para o desporto”.
Max Verstappen, rival directo de Hamilton nos últimos anos, sublinhou o significado do feito: “É um momento bonito. Pelo que vi, esteve incrivelmente rápido hoje. Ganhar pela primeira vez com uma nova equipa é sempre muito especial, mesmo para quem já ganhou tanto”.
Toto Wolff, director da Mercedes, não escondeu a satisfação, apesar do desfecho desfavorável para a equipa alemã: “O Lewis trabalhou tanto e passou por tantos momentos difíceis, especialmente no ano passado. Fico genuinamente feliz por ele. Sempre disse que, se não fossem os nossos dois carros a ganhar, então que fosse o Lewis. Mereceu hoje. E, quem sabe, talvez a namorada tenha dado uma ajuda extra!”
Nico Rosberg, antigo colega de Hamilton, agora analista de Fórmula 1, também destacou a resiliência do britânico: “Senti verdadeiramente as dificuldades que enfrentou no início da sua experiência na Ferrari. Agora está a guiar a um nível incrível, confiante e a desfrutar. Esta vitória é espectacular, é histórica. É um grande dia para a modalidade”.
Com este resultado, Hamilton reduz significativamente a diferença para Antonelli no topo do Mundial de Pilotos, relançando-se como um dos favoritos à conquista do título e reacendendo debates sobre a sua longevidade e capacidade de adaptação. Norris aproxima-se igualmente dos lugares de topo, enquanto Russell reforça o seu estatuto de aposta segura na Mercedes. A próxima etapa do campeonato será no Red Bull Ring, para o Grande Prémio da Áustria, entre 26 e 28 de Junho, onde se espera uma resposta forte das equipas da frente e, certamente, mais capítulos emocionantes na luta pelo Mundial. A vitória de Hamilton não só agita as contas do campeonato, como reacende a esperança dos tifosi e promete manter elevada a fasquia competitiva nas próximas corridas.
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