Ford quebra jejum de 22 anos na F1 com força da Red Bull

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Depois de 22 anos ausente, a Ford regressa oficialmente à Fórmula 1 com a sua parceria técnica na Red Bull Powertrains (RBPT), marcando um capítulo histórico para o construtor americano e para o campeonato. A colaboração, anunciada há mais de três anos, tem vindo a consolidar-se como uma das surpresas positivas da temporada 2026, colocando a Ford de novo entre os protagonistas do desporto motorizado.

O regresso da Ford à F1 remonta ao fim da sua ligação direta com a Jaguar em 2004, mas a aliança com a RBPT, sediada em Milton Keynes, transformou a Red Bull numa fabricante de motores totalmente autónoma, ao lado de gigantes como Ferrari, Mercedes e Audi. Apesar de alguma irregularidade na competitividade do Red Bull RB22 ao longo dos primeiros cinco Grandes Prémios, o motor tem sido reconhecido pelos rivais como um dos mais potentes e eficientes do pelotão, rivalizando diretamente com a Mercedes e, segundo alguns, até a superar.

No Grande Prémio do Canadá, Max Verstappen protagonizou uma corrida intensa, conquistando o terceiro lugar após uma batalha acesa com Lewis Hamilton, atrás do vencedor Kimi Antonelli. Este pódio não só reforça o domínio da Red Bull, como também assinala o primeiro resultado relevante da Ford na F1 em mais de duas décadas. Um feito que ressoa ainda mais quando olhamos para o passado glorioso da Ford no Mundial: 176 vitórias em Grandes Prémios e 10 títulos de construtores, tornando-a a terceira marca mais vitoriosa da história da modalidade.

Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing, não escondeu a satisfação após este marco: “Ver o Max garantir o primeiro pódio da era Red Bull Ford Powertrains é um momento histórico para a nossa parceria. Tem sido fantástico assistir ao esforço notável dedicado à preparação para a temporada de 2026, e este resultado é um justo reconhecimento do trabalho de Oracle Red Bull Racing e Ford Racing.”

O regresso da Ford não se tem resumido apenas a resultados em pista, mas também à evolução interna do projeto RBPT. Após a saída do antigo CEO Christian Horner, que foi um impulsionador do projeto, Red Bull nomeou Laurent Mekies para supervisionar todas as suas atividades de corrida, incluindo a RBPT. Para Rushbrook, esta mudança tem sido positiva e reflete-se na forte colaboração entre as partes: “Estamos muito satisfeitos com o ponto onde nos encontramos. A parceria com a Red Bull tem sido excecional para o desenvolvimento de uma nova unidade motriz em Milton Keynes. É um motivo de enorme orgulho para a Ford Motor Company, Ford Racing e todos os nossos colaboradores.”

Questionado sobre a possibilidade de upgrades adicionais ao motor, num contexto em que a FIA estabeleceu o mecanismo ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização), Rushbrook mostrou-se cauteloso, preferindo não especular, mas confirmou que a Ford e a Red Bull confiam plenamente no trabalho dos seus representantes nas negociações, nomeadamente Laurent Mekies e o diretor técnico Ben Hodgkinson. Este último já manifestara o desejo de ver uma verdadeira “guerra de desenvolvimento” no setor dos motores, algo atualmente limitado pelas regras de homologação e pelo orçamento máximo imposto aos fabricantes.

Rushbrook sublinhou a importância do equilíbrio entre inovação e controlo de custos: “É fundamental manter o controlo orçamental para proteger o desporto e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Mas, ao mesmo tempo, somos competidores e queremos sempre melhorar. O debate sobre a flexibilização das regras de homologação é legítimo e deverá ser decidido com ponderação.”

Apesar dos desafios e das complexidades que marcam o regresso da Ford à Fórmula 1, a parceria com a Red Bull é vista como um compromisso firme e a longo prazo. “Desde o início, há três anos e meio, sabíamos onde poderíamos contribuir, e essa lista tem crescido. Red Bull e Ford são dois grupos de ‘racing’, com o mesmo objetivo: vencer. Estamos empenhados em continuar neste caminho durante o atual ciclo regulatório e para além dele. Estamos muito felizes por estar de volta e queremos permanecer na Fórmula 1 por muitos anos,” concluiu Rushbrook.

Com a Ford a reforçar a sua presença no paddock e a RBPT a evoluir rapidamente, a temporada 2026 promete ser o início de uma nova era de competitividade e inovação no Mundial de Fórmula 1. Os adeptos podem contar com uma luta renhida no topo da grelha, onde a Ford, através da Red Bull, quer definitivamente deixar a sua marca indelével.