A McLaren não fecha a porta à possibilidade de desenvolver os seus próprios motores para a Fórmula 1, revelou Zak Brown, CEO da equipa, numa altura em que as novas regulamentações para 2026 estão a redefinir o panorama dos monolugares. Apesar de não ser uma prioridade imediata, Brown admitiu que, se surgisse uma solução tecnicamente viável e financeiramente sustentável, a equipa consideraria avançar para a produção de motores próprios.
Historicamente, a McLaren tem sido cliente da Mercedes, com uma relação que remonta a 1955 e que já conheceu várias pausas. Entre 2015 e 2020, a equipa britânica experimentou parcerias com outros fabricantes, como a Honda — cuja colaboração foi desastrosa — e a Renault, na busca de maior desempenho. Contudo, desde 2021 que regressaram à Mercedes, beneficiando da excelência dos seus motores, o que lhes permitiu manter-se competitivos e mesmo superar a equipa oficial da marca desde 2024.
Contudo, a vantagem de ser cliente de um fabricante líder tem mostrado limites evidentes. Em 2026, a Mercedes revelou uma solução técnica que a McLaren ainda não conseguiu replicar, conferindo-lhe uma superioridade significativa que resultou em dificuldades para os campeões em título, incluindo desistências e até um duplo abandono na grelha.
Zak Brown, em declarações durante as 500 Milhas de Indianápolis, explicou que, apesar da satisfação com a parceria atual com a Mercedes High Performance Powertrains, a possibilidade de fabricar um motor próprio não está descartada: “Se houver uma fórmula de motor que seja financeiramente viável, então sim, considerá-la-emos pela tecnologia envolvida. Mas, neste momento, não podíamos estar mais satisfeitos com a Mercedes.”
O ano de 2026 trouxe uma revolução nas regras técnicas, com o objetivo de tornar as corridas mais emocionantes e sustentáveis. Apesar das críticas iniciais à qualidade do espetáculo, Brown defende que o produto televisivo continua apelativo, destacando a diversidade de líderes e ultrapassagens, como visto no Grande Prémio de Miami, onde houve cinco pilotos diferentes na frente da corrida. “Se não ouvir os pilotos e apenas olhar para a corrida na televisão, o espetáculo é fantástico,” afirmou.
O CEO da McLaren sublinhou que muitos dos problemas sentidos neste início de ciclo regulatório são naturais, resultado da adaptação a novas tecnologias e da necessidade de afinar as regras: “Com qualquer nova tecnologia, há sempre um período de aprendizagem. Já vimos em Miami que os pilotos estão a habituar-se e as regras estão a ser refinadas. Pode não ficar perfeito, mas o desporto vai evoluir, tal como já aconteceu com a gestão das regras e dos pneus, e agora com a gestão das baterias.”
Zak Brown acredita que a Fórmula 1 continuará a ser um desporto fascinante, mesmo quando os desafios técnicos e as críticas se tornam mais evidentes. “Tudo na Fórmula 1 está sujeito a uma lupa de mil vezes, mas isso faz parte da paixão que todos temos por esta modalidade.”
Com as atenções voltadas para o desenvolvimento das temporadas futuras e a adaptação às novas regras, a McLaren mantém-se numa posição de análise e prontidão para explorar todas as oportunidades que possam garantir um lugar de destaque no pelotão. A possibilidade de desenvolver um motor próprio pode ser uma jogada decisiva, mas só o tempo e as condições financeiras o dirão. Até lá, a equipa continua empenhada em evoluir dentro da parceria com a Mercedes e a lutar pela supremacia nas pistas.
