Lewis Hamilton parece estar a assumir um papel decisivo no desenvolvimento do Ferrari após uma impressionante prestação no Grande Prémio do Canadá, no Circuit Gilles Villeneuve. O piloto britânico garantiu o segundo lugar, acompanhando no pódio o líder do campeonato Kimi Antonelli e o tetracampeão Max Verstappen, enquanto o seu companheiro de equipa, Charles Leclerc, terminou numa inesperada quarta posição. Esta mudança de dinâmicas entre os dois pilotos da Ferrari, especialmente numa fase inicial da época em que Leclerc parecia dominar, está a chamar a atenção dos especialistas.
Em Montreal, Hamilton aparentou estar numa forma diferente, beneficiando talvez da presença da mãe, que se tem revelado um talismã desde que esteve presente nos seus pódios em 2026, ou da evolução trazida pelo pacote de atualizações introduzido em Miami. Acresce o facto de Hamilton tradicionalmente conseguir bons resultados no Canadá, o que poderá ter contribuído para este renascimento da sua competitividade. Apesar de ainda não ter conquistado uma vitória com a Ferrari, a sua melhoria constante e influência crescente no desenvolvimento do carro sugerem que esse momento pode estar próximo, desde que a equipa continue a valorizar o seu feedback — algo que, segundo um antigo piloto de Fórmula 1, já está a acontecer.
Antes do GP do Canadá, Hamilton revelou que desistiu de usar o simulador da Ferrari, optando por métodos mais tradicionais de preparação para a prova, uma abordagem que lhe tem trazido frutos ao longo da carreira. Associado a uma atitude mais descontraída na pista, ao suporte de dois engenheiros de corrida e a uma sintonia cada vez maior com o monolugar, tudo indica que a Ferrari está a centrar a sua atenção no britânico em detrimento de Leclerc.
Esta leitura foi reforçada por Juan Pablo Montoya, antigo piloto da Fórmula 1, que analisou a situação após a corrida para o site talkSPORT BET: “As equipas e os engenheiros costumam ter uma base para a afinação do carro. O problema é que, se o carro estiver configurado de determinada forma, um piloto fica satisfeito e o outro não. Nos últimos ano e meio, foi sempre o Charles a ficar contente e o Lewis a parecer insatisfeito. No Canadá, foi a primeira vez que o Lewis conseguiu tirar o máximo do carro, a conduzir ao limite, enquanto o Charles estava claramente desconfortável.”
Montoya levantou a questão sobre se a Ferrari estaria a aplicar a mesma filosofia de desenvolvimento a ambos os monolugares, e expressou a sua convicção de que isso não acontece: “Tenho a certeza de que não. Aposto dinheiro nisso.” O antigo piloto da Williams e McLaren acrescentou ainda: “Lembrem-se que este foi o primeiro fim de semana da Ferrari sem atualizações. Encontraram um novo pacote e o Lewis sente-se muito satisfeito com o carro. Não estão a fazer isto para favorecer ninguém em particular.”
Segundo Montoya, o desenvolvimento do carro está agora a ser orientado por quem melhor o está a conduzir, e esse piloto é Lewis Hamilton. “Quem controla o desenvolvimento do carro controla a sua sensação. E agora esse piloto é o Lewis.” Esta análise aponta para uma mudança estratégica em Maranello, onde Hamilton poderá estar a assumir o protagonismo na evolução técnica do Ferrari, um factor que pode ser decisivo para as próximas etapas da temporada.
Este novo cenário cria uma narrativa intrigante para a Fórmula 1: será que Hamilton está a inverter a tendência e a assumir o comando dentro da Ferrari, desafiando o estatuto de Leclerc como piloto principal? A resposta poderá estar por chegar nas próximas provas, mas o que é certo é que o britânico está a mostrar que não veio para ser apenas mais um na equipa italiana. O Ferrari sob o comando de Hamilton pode estar prestes a dar um salto qualitativo e voltar a lutar com reais hipóteses pela vitória e pelo título.
