No Grande Prémio do Canadá, a ousadia da McLaren em arrancar com pneus intermédios revelou-se um tiro ao lado que custou caro à equipa e aos seus pilotos, Oscar Piastri e Lando Norris. Numa corrida marcada por condições meteorológicas incertas e decisões estratégicas arriscadas, Piastri não hesitou em assumir a responsabilidade ao descrever a escolha da McLaren como um erro que os fez “parecer idiotas”.
Montreal recebeu a corrida com um céu nublado e uma pista aparentemente seca, mas com vestígios de humidade que levaram a McLaren a apostar nos pneus intermédios para os seus dois pilotos, que partiram da segunda fila. Apesar da relutância visível de Norris e Piastri durante as três voltas de formação, a equipa manteve a decisão. Norris até chegou a liderar a corrida na primeira curva, enquanto Piastri perdeu uma posição para Lewis Hamilton. Contudo, rapidamente ficou claro que os intermédios não eram a escolha correta.
“Chovia, e entre o hino e a entrada para o carro, o piso estava bastante molhado, honestamente,” explicou Piastri à Sky F1. “Não havia água parada, mas dava para perceber as zonas molhadas e secas, e chegar à grelha não era fácil com pneus slicks. Controlar o acelerador era complicado. Infelizmente, a chuva parou assim que começou a volta de formação. Se tivesse chovido mais um pouco, teríamos parecido heróis. Mas não choveu, e acabámos por parecer idiotas.”
A estratégia falhada foi apenas o início de um dia para esquecer para a McLaren. Norris teve de abandonar a corrida devido a um possível problema na caixa de velocidades, enquanto Piastri foi protagonista de um incidente com Alex Albon, do Williams. Ao tentar contornar uma curva, Piastri bloqueou a frente do carro e colidiu com Albon, forçando ambos a desistirem. Pela manobra, o jovem piloto australiano recebeu uma penalização de 10 segundos.
“Foi muito difícil ali,” admitiu Piastri ao comentar o incidente. “Achei que estava a entrar na curva com cuidado, mas bloqueei a frente e pronto. Não foi o meu melhor momento, peço desculpa ao Alex e à Williams pelo dano desnecessário que causámos a ambos, especialmente a eles.”
Com Piastri a terminar na 11.ª posição e Norris fora da corrida, a McLaren saiu do Canadá sem pontuar, agravando ainda mais a sua desvantagem no campeonato de construtores, agora a 113 pontos do líder Mercedes.
Esta corrida demonstrou que, no mundo implacável da Fórmula 1, arriscar pode ser vital, mas quando as condições não colaboram, a linha entre a genialidade e o desastre é ténue. Para a McLaren, o Grande Prémio do Canadá ficou marcado pela frustração e pela necessidade urgente de rever estratégias para recuperar terreno na luta pelo campeonato.




