Lando Norris saiu do Grande Prémio do Canadá com um sabor amargo, mas mantém a defesa firme da estratégia ousada da McLaren que, infelizmente, não resultou como esperado. Num dia em que o Circuito Gilles Villeneuve foi marcado por chuvas imprevisíveis, a equipa de Woking decidiu arriscar tudo ao escolher pneus intermédios para a partida, enquanto a maioria do pelotão optou por slicks. Uma decisão que, à partida, prometia surpresas, mas acabou por se transformar num pesadelo para o jovem piloto britânico.
Norris aproveitou a vantagem imediata proporcionada pelos pneus intermédios para assumir a liderança logo na primeira volta, construindo uma vantagem de dois segundos. No entanto, à medida que a pista secava rapidamente, o cenário virou contra o piloto da McLaren, que teve de entrar nas boxes mais cedo do que previsto, perdendo preciosos segundos e, eventualmente, abandonando a corrida.
Em declarações após a prova, Lando não escondeu a frustração, mas destacou que a decisão foi tomada com base em fundamentos sólidos. “Provavelmente percebi que tinha sido a decisão errada já na volta de aquecimento. A chuva tinha parado um pouco e, olhando para trás, não foi a melhor escolha. Mas, naquele momento, parecia a solução certa para evitar problemas e, de facto, poderia ter evitado complicações atrás de mim,” explicou o britânico.
Norris destacou ainda que a sua boa arrancada demonstrou que os rivais em slicks estavam realmente a sofrer com a falta de aderência. “Eu tinha muito mais grip, é simples. Aquela primeira volta mostrou o quão escorregadias estavam as condições para eles. Tinha uma vantagem de dois segundos e não fazia sentido não estar com aquele tipo de pneus. O problema foi que a pista secou rapidamente e, quando os slicks aqueceram, passaram a ser a melhor opção.”
O campeão de 2025 sublinhou que um pouco mais de chuva ou algumas gotas em determinados momentos teriam sido cruciais para alterar o desfecho, mas o azar foi implacável. “Com só 1% mais de chuva ou umas gotículas, teria sido muito mais favorável para nós. Hoje não tivemos sorte nenhuma, e mesmo com as temperaturas que tivemos, não esperava um ritmo excecional, acabou por terminar em abandono.”
Norris revelou ainda a sua análise sobre o risco de safety car e as consequências da aposta da McLaren. “Na volta de aquecimento já pensávamos que havia uma forte possibilidade de safety car. Mesmo ficando na pista, isso custaria cerca de 10 segundos. Eu liderava por dois segundos, e se tivesse aparecido o safety car, poderia ter entrado para trocar pneus e saído no top 10 com pneus slick novos, provavelmente até melhor. Havia várias possibilidades positivas, mas nenhuma delas se concretizou.”
No fundo, Lando admite que o saldo final foi uma questão de azar e circunstâncias adversas, apesar da coragem da equipa em arriscar. “Foi pena, porque a primeira volta foi boa, uma boa largada, mas depois fomos simplesmente infelizes hoje.”
Este episódio no Canadá serve como um lembrete brutal da imprevisibilidade da Fórmula 1 e da coragem tática que as equipas precisam para arriscar no limite. A McLaren e Norris saem desta corrida com lições valiosas, prontos para ajustar estratégias futuras e voltar à luta com mais força.




