Designer Adrian Clarke sobre o BMW i3, “nem carne nem peixe”
BMW i3 50 xDrive (2026), exterior, numa fotografia oficial da BMW de Setembro de 2026. O ângulo e a cor não vêm descritos pela fonte. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.press.bmwgroup.com/global/photo/compilation/T0460993EN/the-new-bmw-3-series
O BMW i3 parece ter as rodas no sítio errado quando se vê ao lado do novo Série 3, escreve o designer automóvel Adrian Clarke numa análise publicada a 5 de outubro. É a opinião de um profissional, sustentada numa regra de desenho concreta, a do montante A.
O essencial
- O designer automóvel Adrian Clarke comparou de perfil o BMW i3 e o novo Série 3 numa análise publicada a 5 de outubro.
- O i3 mede 4760 mm de comprimento e o Série 3 mede 4765 mm, segundo o autor, e o elétrico tem mais 37 mm de distância entre eixos.
- Segundo Clarke, no i3 a linha do montante A aponta para a frente do eixo dianteiro, quando a regra da tração traseira pede que passe pelo eixo ou atrás dele.
A crítica ao BMW i3

Adrian Clarke é designer automóvel de profissão, tem um mestrado em design de veículos pelo Royal College of Art, em Londres, e assina as análises de desenho do site The Autopian. No texto mais recente pôs as duas berlinas da BMW de perfil, à mesma escala, e o elétrico sai a perder.
“A distância entre eixos em si parece correta, mas dá a ideia de que as rodas estão no sítio errado”, escreve sobre o i3. Do Série 3 de combustão diz que tem ótimo aspeto.
A comparação à mesma escala faz sentido porque os dois modelos têm quase o mesmo tamanho. Clarke aponta 4760 mm de comprimento para o i3 e 4765 mm para o Série 3, uma diferença de 5 mm.
Duas plataformas, o mesmo comprimento

Por baixo, são automóveis diferentes. O Série 3 (G50) assenta na plataforma CLAR e o i3 na Neue Klasse, a base dos novos elétricos da marca. Como o AutoGear escreveu quando o novo Série 3 foi revelado, a berlina de combustão mantém a arquitetura CLAR e adota grande parte da linguagem visual da geração elétrica.
Segundo Clarke, uma berlina deste segmento deve ter uma distância entre eixos de cerca de três rodas e um terço. A altura da carroçaria deve ficar entre duas rodas e duas rodas e um quarto. No i3, a distância entre eixos até é 37 mm maior do que no Série 3, mas o designer nota que essa diferença desaparece à vista, porque o elétrico usa jantes uma polegada maiores.
O problema, para o autor, está no sítio onde os eixos foram postos. No i3 o conjunto está recuado, o que deixa o vão dianteiro e o vão traseiro (a carroçaria para lá de cada eixo) com comprimentos quase iguais. A berlina fica com um ar estático, escreve.
A regra do montante A

Clarke demonstra-o com uma regra de desenho. Num automóvel de tração traseira, a linha do montante A (o pilar que ladeia o para-brisas), quando prolongada, deve passar pelo eixo dianteiro ou ligeiramente atrás dele. A razão é mecânica, porque um motor longitudinal e a respetiva caixa de velocidades pedem um capô mais comprido.
O Série 3 cumpre a regra, segundo o designer. No i3, a mesma linha aponta bem para a frente do centro do eixo. E o elétrico não é de tração dianteira, lembra Clarke, já que as versões de lançamento têm todas tração integral.
Porque fica o i3 a meio caminho
Com vãos quase iguais e montantes A mal colocados, o i3 não é, para o autor, «nem carne nem peixe». Não assume um habitáculo avançado, porque isso o afastaria demasiado do Série 3. E não tem o porte atlético da berlina de combustão, porque o vão dianteiro é longo, o capô é curto e a base do para-brisas está muito à frente.
A análise é a opinião de um profissional sobre um modelo que já está em produção, como o AutoGear noticiou em agosto, quando a BMW começou a fabricar o i3 na Alemanha. A análise não traz qualquer posição da BMW, e Clarke fala por si, não por todos os designers.
A suspeita sobre a plataforma Neue Klasse
Clarke admite que as plataformas modernas são mais um conjunto de peças e sistemas do que uma base fixa, mas diz que há pontos em que não se pode mexer. Suspeita que, na Neue Klasse, um deles seja a distância entre o eixo dianteiro e a antepara que fecha o habitáculo à frente. Apresenta-o como suspeita sua, sem informação da marca.
A mesma plataforma serve o SUV elétrico iX3. Aí, escreve o designer, a distância mais curta entre o tabliê e o eixo dianteiro não pesa, porque se trata de um SUV de dois volumes e não de uma berlina desportiva.
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Perguntas e respostas
O BMW i3 parece ter as rodas no sítio errado?
É essa a opinião do designer automóvel Adrian Clarke, que comparou o i3 com o novo Série 3 numa análise publicada a 5 de outubro. Segundo ele, a distância entre eixos parece correta, mas está recuada e deixa os vãos dianteiro e traseiro quase iguais. É a leitura de um autor, e não uma posição da BMW.
O que é a regra do montante A?
Segundo Adrian Clarke, num automóvel de tração traseira a linha do montante A, quando prolongada, deve passar pelo eixo dianteiro ou ligeiramente atrás dele. O designer diz que o Série 3 cumpre a regra e que, no i3, a linha aponta bem para a frente do centro do eixo.
O BMW i3 e o Série 3 têm o mesmo tamanho?
Quase. Clarke indica 4760 mm de comprimento para o i3 e 4765 mm para o Série 3, uma diferença de 5 mm. O i3 tem mais 37 mm de distância entre eixos, mas usa jantes uma polegada maiores, o que, segundo o autor, anula essa diferença à vista.
Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.press.bmwgroup.com/global/photo/compilation/T0460993EN/the-new-bmw-3-series
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Ficha técnica
- Comprimento
- 4760 mm
- Distância entre eixos
- 37 mm mais que o Série 3
- Tamanho das jantes
- Uma polegada maior que o Série 3
- Tracção
- Integral (versões de lançamento)
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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.