A qualificação do Grande Prémio de Mónaco trouxe surpresas inesperadas na luta pela primeira fila da grelha, com dois resultados positivos e uma desilusão notória. A Ferrari, que parecia ter mostrado um ritmo promissor na sexta-feira, não conseguiu traduzir essa vantagem em qualquer posição na primeira linha, deixando a equipa italiana longe do esperado.
Lewis Hamilton, da Mercedes, que garantiu o terceiro lugar, explicou que o equilíbrio do seu SF-26 na qualificação foi completamente diferente do sentido durante as sessões anteriores, uma mudança que surpreendeu até o próprio Max Verstappen. O piloto da Red Bull comentou à imprensa holandesa que também ficou surpreendido com a queda de rendimento da Ferrari: “A Mercedes deu um grande passo em frente e a Ferrari talvez não tenha evoluído tanto ao longo do fim de semana. Nós temos estado um pouco irregulares, por isso sim, também me surpreendeu.”
Verstappen destacou ainda as condições mais quentes do circuito no sábado, que afetaram a performance dos pneus, realçando a sensibilidade destes e a importância de os colocar na janela de funcionamento ideal: “Se não o fizeres, as coisas podem piorar muito rapidamente.”
As surpresas positivas foram as prestações de Mercedes e Red Bull. Embora soe estranho considerar a Mercedes uma surpresa tendo em conta a sua forma esta temporada, a verdade é que a equipa de Toto Wolff teve muito trabalho após a sexta-feira para melhorar o carro. Verstappen ficou a escassos centésimos da pole position, conquistada por Kimi Antonelli, mas admitiu que antes da qualificação estaria satisfeito com o segundo posto.
“Sim, e isso está obviamente relacionado com a nossa evolução nesta época — primeiro ficamos felizes só por chegar ao Q3, depois começámos a lutar pelo top seis, e agora — bem, não eu, mas algumas pessoas na equipa talvez ficassem desiludidas por não termos conseguido a pole. É preciso ser realista: este é um resultado muito bom para nós”, afirmou Verstappen.
Curiosamente, o holandês chegou a admitir que, antes do fim de semana, temia problemas nas costas e até mencionou a necessidade de “encomendar uma nova coluna” para Mónaco, depois de Montreal. Contudo, a Red Bull não introduziu alterações significativas desde então, o que levanta a questão sobre como passou de receios físicos para uma qualificação tão forte.
Verstappen explicou à Autosport que a chave esteve na forma como a Red Bull encontrou uma configuração mais suave para o monolugar, que permitiu mascarar algumas das limitações do carro: “Aqui tens sempre de fazer o carro muito macio, em termos de suspensão e configuração. Isso correu muito melhor do que esperávamos, embora continue a ser uma limitação para irmos ainda mais rápido.” O piloto acrescentou que as condições da pista podem ter prejudicado a Ferrari, mas não beneficiaram particularmente a sua equipa.
A estratégia de correr o carro “o mais suave possível” ajudou a compensar as dificuldades do RB22 em lidar com os ressaltos e os bordos do circuito, explorando um dos seus pontos fortes: a competitividade em curvas lentas.
Apesar da evolução visível desde o pacote de atualizações em Miami, Verstappen mantém os pés no chão e alerta para o verdadeiro teste que se avizinha em Barcelona, onde o circuito apresenta múltiplas curvas de alta velocidade: “Desde essa atualização só corremos em circuitos com muitas curvas lentas. Ainda temos de esperar. Barcelona é uma prova completamente diferente, onde haverá muitos desafios. Não devemos celebrar cedo demais.”
Outro fator importante para o piloto da Red Bull foi sentir-se novamente confiante no carro, capaz de pressionar e atacar as curvas. Esta confiança deve-se em parte ao facto de a gestão da energia ser menos exigente em Mónaco, mas também porque o carro ofereceu as condições para um ataque mais assertivo.
Verstappen referiu ainda a complexidade da condução com os monolugares de 2026, com a gestão da bateria, travagem do motor e funcionamento do turbo a serem elementos novos que os pilotos têm de dominar: “O modo como o carro desacelera, a travagem do motor, como a bateria entra em ação ao acelerar de novo — tudo isto é bastante complicado e exige muita atenção.”
O campeão mundial apontou claramente à vitória na corrida de domingo, mas garantiu que um segundo lugar seria um resultado satisfatório: “Se conseguirmos segurar o segundo posto, assinava já por baixo.”
Quanto à estratégia para a corrida, Verstappen não tem a certeza de que o undercut será a melhor opção, dado que os pneus são difíceis de aquecer rapidamente na saída da boxe: “Se for possível, claro que tentaremos. Mas acho que será complicado porque os pneus demoram a atingir a temperatura na volta de saída. Também depende da duração do primeiro stint, e isso é difícil de prever neste momento.”
Assim, a luta pela vitória poderá passar por uma gestão cuidadosa da fase de pit stops, sendo crucial que a Red Bull faça uma boa largada e mantenha o contacto com os líderes ao longo da prova. Após uma qualificação surpreendente, o Grande Prémio de Mónaco promete emoções fortes e expectativas elevadas para os principais protagonistas da Fórmula 1.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
