Daniel Ricciardo esteve mesmo a um passo de ser colega de equipa de Lewis Hamilton na Mercedes, numa das histórias mais surpreendentes e pouco conhecidas da Fórmula 1 recente. Um insider da F1 revelou que a equipa alemã ofereceu ao australiano o lugar deixado vago pelo inesperado retiro de Nico Rosberg no final de 2016, uma oportunidade que teria criado uma dupla de sonho entre Ricciardo e Hamilton, dominadores absolutos daquela era.
Ricciardo, que conquistou sete das suas oito vitórias na Fórmula 1 durante o seu período na Red Bull entre 2014 e 2018 — tendo terminado por duas vezes em terceiro lugar no campeonato mundial — viu a sua melhor fase coincidir com a hegemonia da Mercedes, que dominava com Hamilton e Rosberg no topo. Quando Rosberg surpreendeu o mundo ao anunciar a sua saída da Fórmula 1 com apenas 31 anos, a Mercedes abriu uma vaga crucial para a temporada de 2017. Contudo, a equipa escolheu Valtteri Bottas para preencher o lugar, deixando de lado o australiano.
Rachel Brookes, apresentadora da Sky Sports F1, revelou no seu livro “Drive” (lançado a 7 de maio de 2026 pela Michael O’Mara Books) que Ricciardo recebeu formalmente a proposta para substituir Rosberg. “É difícil encontrar um piloto que admita ter tomado uma decisão errada, mas sabiam que Daniel Ricciardo teve uma oferta para substituir Nico Rosberg na Mercedes quando este deixou o desporto? A equipa que dominou de 2017 a 2020”, revelou Brookes. Na altura, Ricciardo estava ligado contratualmente à Red Bull, mas, como se sabe, contratos podem ser alterados por mútuo acordo — geralmente com um recheado pacote financeiro.
Em vez de aceitar o convite da Mercedes, Ricciardo optou por manter-se na Red Bull, onde viria a enfrentar Max Verstappen como companheiro de equipa, antes de dar um passo inesperado para a Renault em 2019. Procurava voltar a ser a estrela principal e apostar numa equipa com ambições renovadas, mas a realidade acabou por ser um regresso lento aos lugares cimeiros, com temporadas discretas no meio do pelotão. Em 2021, Ricciardo mudou-se para a McLaren, onde conquistou a sua última vitória em Monza, mas acabou por ser eclipsado pelo jovem Lando Norris e viu o seu contrato rescindido antecipadamente em 2022.
Depois dessa fase menos brilhante, Ricciardo foi reintegrado na órbita Red Bull, primeiro como piloto reserva e depois como titular da equipa irmã, a Racing Bulls. Esta reviravolta na carreira do australiano deixa agora a pergunta no ar: como teria sido a Fórmula 1 se Ricciardo tivesse aceitado a proposta da Mercedes? Teria conseguido destronar Hamilton ou, pelo menos, partilhar o palco da glória com ele?
Fernando Alonso, outro piloto frequentemente associado a escolhas infelizes de equipa, sublinha a importância do timing no desporto: “É preciso estar no sítio certo na altura certa. Precisas de ter um bom carro para ganhar.” E acertar nessa equação, como diz Alonso, é quase um acto de magia, que envolve “uma bola de cristal, um dardo e talvez até uma sessão espírita com o próprio Enzo Ferrari”.
Esta revelação sobre Ricciardo adiciona uma nova camada à análise dos grandes movimentos do mercado da Fórmula 1 e reforça como decisões aparentemente pequenas podem mudar para sempre o rumo de uma carreira e do próprio desporto. A história não escrita de Ricciardo na Mercedes é um lembrete brutal de que o talento, por si só, não basta; é o momento, o lugar e a sorte que definem os campeões.




