O Grande Prémio do Canadá de 2026 não é apenas uma etapa decisiva da temporada, mas também o momento de tensão máxima para as equipas de Fórmula 1, que aguardam ansiosamente a verdict da FIA sobre as atualizações das unidades de potência. Após os primeiros cinco Grandes Prémios, a entidade reguladora prepara-se para anunciar quais os fabricantes que terão direito a oportunidades adicionais de desenvolvimento e upgrades — as tão cobiçadas ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities).
Desde o início da temporada, todas as unidades de potência foram homologadas, o que significa que qualquer melhoria só pode ser introduzida com aprovação oficial da FIA. O sistema ADUO surge como uma tábua de salvação para os fabricantes que, sob o novo regulamento, enfrentam dificuldades em se manter competitivos. A regra é clara: se o motor de combustão interna (ICE) de um fabricante estiver a mais de 2% de desvantagem face ao melhor ICE da grelha, essa marca abre a porta a upgrades. O prémio aumenta para dois upgrades por janela se a desvantagem ultrapassar os 4%.
No centro das atenções está a luta entre Mercedes e Red Bull pelo título da melhor unidade de potência, mas não é segredo que a Honda se posiciona na linha da frente para receber os ADUO. A marca japonesa, que equipa a Aston Martin, tem sofrido para se manter competitiva e, juntamente com a equipa Cadillac, tem ocupado as últimas posições do pelotão. No último Grande Prémio de Miami, Fernando Alonso e Lance Stroll conseguiram concluir a corrida pela primeira vez esta temporada, depois de problemas de vibração do motor os terem forçado ao abandono nas primeiras três rondas.
A atribuição dos ADUO pode representar um impulso financeiro significativo para a Honda, com a possibilidade de um aumento do teto de gastos até 19 milhões de dólares. Isto inclui um aumento máximo de 11 milhões para os fabricantes que estejam 10% ou mais atrás, acrescido de um empréstimo de 8 milhões para 2026, que terá de ser compensado com cortes orçamentais nos três anos seguintes. Portanto, caso a Honda opte por este investimento, terá de gerir cuidadosamente o seu orçamento para as próximas temporadas.
O calendário para as janelas de atualizações está também definido: a segunda fase cobrirá as rondas 6 a 11, desde Mónaco até à Hungria, enquanto a terceira abrange desde o GP da Holanda até ao GP do México, na ronda 18. Este sistema de monitorização e desenvolvimento promete agitar a dinâmica competitiva no meio da temporada, com as equipas a lutarem não só nas pistas, mas também nas estratégias de evolução tecnológica.
À medida que o Grande Prémio do Canadá se aproxima, a Fórmula 1 prepara-se para um momento decisivo que poderá alterar o equilíbrio de forças entre os fabricantes de motores. A FIA vai ditar quem poderá acelerar rumo à frente do pelotão com upgrades extra — um verdadeiro jogo de estratégia e performance que promete incendiar a temporada de 2026.




