A estreia da nova decoração da McLaren em Silverstone captou imediatamente as atenções, com o MCL40 a surgir pintado em branco e verde British Racing Green numa evocação histórica ao primeiro monolugar de Fórmula 1 da equipa, o M2B de 1966. O impacto visual não passou despercebido, mas Lando Norris revelou um detalhe curioso: tanto ele como o colega Oscar Piastri são particularmente exigentes quanto ao que visualizam a partir do interior do cockpit, apesar da mudança radical no exterior do monolugar.
Na sessão de qualificação para a corrida sprint do Grande Prémio da Grã-Bretanha, realizada no icónico circuito de Silverstone, os pilotos da McLaren garantiram lugares promissores na grelha. Oscar Piastri qualificou-se em sexto lugar, com um tempo de 1:27.189, enquanto Lando Norris ficou logo atrás, em sétimo, com 1:27.230. A diferença entre ambos foi de apenas 0,041 segundos, demonstrando o equilíbrio e a competitividade do plantel de Woking nesta fase do campeonato do mundo de Fórmula 1 de 2024. Durante os treinos livres na sexta-feira, ambos demonstraram ritmo sólido, com Piastri a terminar em quinto e Norris em sétimo, deixando antever uma boa performance para o resto do fim de semana.
Esta homenagem ao M2B de Bruce McLaren não é apenas um exercício estético. O designer original marcou o início de uma das equipas mais emblemáticas da história do desporto automóvel, tendo o próprio Bruce conquistado o primeiro ponto da McLaren na Fórmula 1 precisamente no Grande Prémio da Grã-Bretanha de 1966. O tributo ganha, assim, um significado especial, não só para os fãs, mas também para pilotos e equipa, que procuram reviver o espírito inovador e resiliente que sempre caracterizou o nome McLaren. O feito de Bruce, que três anos depois viria a vencer o Grande Prémio da Bélgica de 1968 ao volante de um monolugar construído pela própria equipa, permanece como um marco único, sendo ele um dos apenas três pilotos a conseguir vencer uma corrida de campeonato mundial num carro da sua própria construção.
Em declarações aos jornalistas presentes no paddock, Lando Norris explicou o seu nível de exigência em relação à decoração interior: “Na realidade, tanto eu como o Oscar somos bastante exigentes com o que vemos enquanto pilotos. Por isso, o que temos à nossa volta no cockpit costuma manter-se igual. Quando estamos dentro do carro, não notamos muitas alterações em relação ao exterior.” Já sobre o significado da decoração especial, Norris não escondeu o orgulho: “É especial. Nós tentamos sempre fazer coisas especiais, mas esta é mesmo especial porque é o primeiro carro do Bruce. Sente-se mais como uma honra poder reviver isto e trazê-lo de volta à vida, e também mostrá-lo, porque poucas pessoas sabem que o primeiro carro do Bruce era branco, verde e cinzento. Obviamente, tentámos dar-lhe um toque mais moderno, mas não é papaya. Por isso, é fixe ser um dos pilotos que pode reviver isso e fazer esta viagem ao início da história da McLaren, o que é algo muito especial.” O britânico acrescentou ainda: “E, toque na madeira, normalmente temos boas corridas quando temos decorações especiais e coisas do género, especialmente para mim. Por isso, é giro estarmos a fazer algo diferente também.”
A performance convincente dos MCL40 em Silverstone reforça as ambições da McLaren para a segunda metade da temporada. Após um início de época marcado por altos e baixos, a equipa de Woking pretende consolidar o terceiro lugar no campeonato de construtores e aproximar-se da luta pelas vitórias. Esta homenagem histórica surge como um elemento motivacional adicional, não só para a equipa, mas também para os adeptos que vibram com a ligação entre passado e presente. Com o Grande Prémio da Hungria já no horizonte, a McLaren espera capitalizar o bom momento e continuar a pressionar Red Bull, Ferrari e Mercedes, numa época que promete decisões até às últimas provas.
Em suma, a evocação do legado de Bruce McLaren serviu de catalisador para um fim de semana especial em Silverstone, onde a equipa mostrou não só respeito pela sua história, mas também ambição competitiva. As próximas provas decidirão se este impulso emocional se traduz em pontos e pódios, mas uma coisa é certa: a McLaren voltou a dar que falar, tanto dentro como fora de pista, alimentando o entusiasmo dos seus adeptos e mantendo bem viva a chama da sua herança britânica.
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