Lewis Hamilton surpreendeu ao revelar dúvidas quanto à sua participação no muito aguardado desfile de carros de Fórmula 1 em LEGO, agendado para o fim de semana do Grande Prémio da Grã-Bretanha em Silverstone. O evento, que regressa após o sucesso estrondoso obtido em Miami no ano passado, promete entreter os adeptos com uma nova abordagem, mas nem todos os protagonistas do campeonato parecem entusiasmados com a ideia.
O desfile de carros LEGO ganhou notoriedade em 2025, quando cada equipa de Fórmula 1 recebeu um monolugar construído com peças LEGO para a tradicional volta de apresentação no GP de Miami. A iniciativa rapidamente se tornou viral nas redes sociais, com os pilotos a protagonizarem momentos insólitos e até colisões durante a volta, arrancando gargalhadas aos milhares de adeptos presentes. Para Silverstone, a LEGO decidiu elevar o conceito ao construir um carro em miniatura para cada um dos 22 pilotos, limitado a uma velocidade máxima de 22 km/h, destinado a uma volta de exibição imediatamente antes da corrida principal.
O entusiasmo dos adeptos é palpável: muitos brincam já com a ideia de um “triplo programa” de Fórmula 1 no mesmo fim de semana – Sprint, corrida de LEGO e a prova principal. No entanto, entre os pilotos, o sentimento é distinto. Lewis Hamilton, heptacampeão mundial e ídolo da casa, mostrou-se reticente em repetir a experiência. “Quer dizer, é a parte mais perigosa do fim de semana. Deixei o Charles (Leclerc) conduzir na última vez e foi hilariante ver todos a chocarem uns com os outros. Por isso, sim, não sei se vou estar no carro de LEGO este ano”, confessou Hamilton em declarações aos jornalistas na antevisão do Grande Prémio.
Confrontado sobre eventuais preocupações com lesões ou riscos acrescidos, Hamilton preferiu adotar uma postura reservada, referindo apenas: “Não há muito a dizer sobre o assunto do carro. É algo que preciso de tratar em privado.” A prudência do piloto britânico levanta agora dúvidas quanto à sua participação num dos momentos mais aguardados do paddock, especialmente junto dos fãs britânicos que enchem Silverstone todos os anos para apoiar o seu piloto.
Max Verstappen, actual líder do campeonato e vencedor de múltiplos Grandes Prémios esta época, também já tinha manifestado pouco entusiasmo pela iniciativa. A opinião é partilhada por Lance Stroll, piloto da Aston Martin, que descreveu a mini competição como “um momento divertido para os adeptos, mas pouco relevante para nós enquanto pilotos”. Apesar do sucesso mediático alcançado pela LEGO e pela Fórmula 1, a adesão das principais estrelas continua longe de ser unânime, deixando no ar a dúvida sobre o futuro deste tipo de activações.
Em termos de impacto para o campeonato, a iniciativa LEGO não interfere directamente com a classificação, mas oferece aos adeptos uma oportunidade única de ver os seus ídolos num contexto mais descontraído e acessível. Ainda assim, as declarações de Hamilton e Verstappen acentuam o contraste entre o lado lúdico promovido pela organização e o foco competitivo que impera no seio das equipas de topo. Com a luta pelo título ao rubro, sobretudo entre Verstappen e o duo da Ferrari, qualquer distração fora da pista é analisada ao detalhe pelas equipas e pelos próprios pilotos.
A próxima ronda do campeonato será o próprio Grande Prémio da Grã-Bretanha em Silverstone, palco de inúmeras batalhas históricas e considerado um dos pontos altos do calendário de Fórmula 1. Caso Hamilton decida não participar no desfile LEGO, caberá à organização encontrar uma alternativa para manter o entusiasmo dos adeptos, enquanto a luta pelo campeonato prossegue sem tréguas. À entrada para Silverstone, Verstappen lidera o Mundial com confortável vantagem, mas a Ferrari e a Mercedes prometem dar luta até ao fim, tornando cada detalhe – dentro e fora da pista – ainda mais relevante para o desfecho da época.
O evento LEGO, pese embora a sua natureza descontraída, tornou-se já parte integrante do espectáculo em redor da Fórmula 1 moderna, servindo de montra para a criatividade e aproximação aos adeptos. Resta saber se a relutância das estrelas em participar será suficiente para travar o fenómeno ou se a organização encontrará forma de adaptar o conceito, garantindo que o espectáculo continue, tanto para os adeptos como para os próprios pilotos.
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