Aston Martin aposta na inteligência artificial para liderar a fórmula 1

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O impacto da inteligência artificial (IA) na Fórmula 1 ficou bem evidente durante o Grande Prémio da Grã-Bretanha, quando a Aston Martin organizou um Fórum Tecnológico inovador nas suas instalações em Silverstone, reunindo dez dos seus principais parceiros tecnológicos. Este evento destacou como a estrutura britânica está a investir em IA para potenciar o seu desempenho, tanto dentro como fora das pistas, numa altura em que a luta pelo topo do Mundial de Construtores se torna cada vez mais renhida.

No centro do Fórum estiveram nomes de peso como CoreWeave, Zscaler, Cohere, ServiceNow, Cognizant, Cognition, NetApp, Xerox, Arm e Eight Sleep, todos com papéis fundamentais na estratégia tecnológica da Aston Martin. A equipa britânica apostou milhões no novo campus tecnológico, que inclui um simulador de última geração e um túnel de vento de excelência, ambos operacionais desde 2024 e 2025, respetivamente. O processamento de dados gerados por estas infraestruturas, recorrendo a IA, tornou-se rapidamente fulcral. Por exemplo, antes de cada fim de semana de corrida, são simulados entre 10.000 e 100.000 cenários estratégicos, segundo a NetApp, para prever probabilidades de resultados e afinar estratégias. Em pista, cada carro recolhe cerca de 50 mil milhões de pontos de dados de sensores por fim de semana, tudo informação armazenada e processada a alta velocidade: 1,5 TB de dados transferidos entre o circuito e a base de Missão de Controlo da Aston Martin, com um delay de apenas 0,2 segundos (0,3s para a Austrália). Para além disso, a unidade de controlo do motor (ECU) executa 43 biliões de cálculos por corrida e os sistemas de controlo da Aston Martin permitem afinar até 5000 parâmetros de configuração.

Estes avanços têm impacto direto na competitividade da Aston Martin, numa época em que cada décimo de segundo pode determinar posições cruciais no campeonato. A aposta em IA visa identificar padrões e correlações impossíveis de detetar a olho nu, acelerando decisões de desenvolvimento do monolugar e estratégias em tempo real. Adrian Newey, chefe de equipa da Aston Martin, explicou antes do Fórum: “A maioria das pessoas pensa em IA como reconhecimento de padrões aliado a uma pesquisa na internet. O que estamos a fazer é usar IA e machine learning em papéis muito especializados que não dependem de internet. Alimentamos o sistema com os nossos dados — túnel de vento, CFD, pista — e a IA deteta padrões, correlações e tendências que um humano não veria tão rapidamente. Isto ajuda-nos a tomar melhores decisões sobre como desenvolver o carro.” Newey admite que dotar a IA de “intuição” é o maior desafio: “É essa a fronteira em que estamos a trabalhar.”

A integração da IA não significa substituir pessoas, mas sim aumentar a eficiência de uma estrutura que, como refere Eric Ernst, embaixador tecnológico comercial da Aston Martin, “tem tantas peças móveis”. Ernst explicou: “No mundo da tecnologia, fala-se de IA como capacidade de externalizar inteligência, mas não conseguimos externalizar a experiência. A experiência está na equipa, nas pessoas. A IA permite dar à equipa uma escalabilidade cognitiva para fazer muito mais do que seria possível com duas ou três pessoas sem IA.”

Apesar do secretismo sobre detalhes específicos, a Aston Martin revelou uma série de números impressionantes que demonstram a escala do desafio e do investimento. Estes avanços não se limitam apenas ao carro; também fora das pistas, a performance dos pilotos e do staff é alvo de monitorização e optimização tecnológicas. Um exemplo é a colaboração com a Eight Sleep, empresa de tecnologia de sono que desenvolve o ‘Pod’, um sistema que regula a temperatura do colchão e monitoriza o sono, prometendo melhorias concretas na recuperação física. Rafael Oliveira, vice-presidente internacional de marketing e parcerias da Eight Sleep, revelou: “Mais de 70% da grelha de Fórmula 1 utiliza o nosso produto. Temos investidores na Fórmula 1 e penso que todos reconhecem claramente os benefícios.” A Eight Sleep aponta para melhorias de 34% no sono profundo e 41% na qualidade total do sono entre utilizadores da grelha, resultados que, segundo Oliveira, se disseminam rapidamente pelo paddock devido ao efeito de boca-a-boca. “Chama-se o efeito balneário noutras modalidades. Quando um atleta começa a usar, recomenda aos colegas, e rapidamente todos o experimentam. Na Fórmula 1 é igual — todos procuram uma vantagem”, afirmou o responsável, salientando a importância de um sono reparador num calendário tão exigente. “Onde mais nos focamos é na recuperação em casa, onde todos passamos a maior parte do tempo. O pod aprende com o utilizador e garante qualidade consistente noite após noite.”

Oliveira sublinhou ainda o papel fundamental do sistema em condições de calor, como se verificou em Silverstone ou noutras provas europeias: “A funcionalidade mais apreciada é a de arrefecimento. Quando o calor exterior é intenso, o corpo demora mais tempo a arrefecer para conseguir dormir. O nosso pod acelera esse processo e maximiza o tempo de sono profundo e REM, desbloqueando assim uma recuperação extra que pode fazer a diferença na pista.”

Com a Aston Martin a investir fortemente na tecnologia e a apostar em parcerias inovadoras, a equipa espera reduzir a diferença para os rivais diretos nas próximas provas. O próximo desafio será o Grande Prémio da Hungria, onde se verá se os ganhos de performance e de eficiência, tanto em pista como fora dela, vão traduzir-se em mais pontos e melhor posicionamento no campeonato. Certo é que, num desporto em que cada fração de segundo conta, a inteligência artificial e a optimização tecnológica estão a tornar-se armas indispensáveis para quem quer lutar pelo topo da grelha.

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