Lewis Hamilton conquistou a pole position para a Sprint do Grande Prémio da Grã-Bretanha em Silverstone, deixando a boxe da Ferrari repleta de sorrisos e expectativa. Charles Leclerc, por seu lado, não conseguiu melhor do que o quarto lugar na grelha, terminando a sessão a 0,327 segundos do seu colega de equipa, numa qualificação que expôs as dificuldades do monegasco com o SF-26.
No final da sessão de qualificação Sprint, Hamilton liderou todos os segmentos – FP1, SQ1, SQ2 e SQ3 – e assegurou a pole para a corrida curta por apenas 0,011 segundos sobre Kimi Antonelli, da Mercedes. Max Verstappen colocou o Red Bull no terceiro posto, enquanto Leclerc, que tem sido tradicionalmente um dos pilotos mais fortes em volta rápida, não conseguiu tirar o máximo partido do potencial do Ferrari, ficando atrás dos principais rivais. Esta diferença de mais de três décimos para Hamilton foi especialmente frustrante para Leclerc, que tem feito da qualificação um dos seus pontos fortes nas últimas temporadas.
A competição em Silverstone marcou mais um capítulo na rivalidade interna da Ferrari, agora com Hamilton a consolidar-se como referência dentro da equipa. O resultado não só reforça a posição do britânico no campeonato, como também ameaça a hegemonia de Leclerc nas sessões de qualificação. O SF-26 mostrou-se surpreendentemente competitivo num circuito exigente, contrariando as expectativas após um fim-de-semana difícil na Áustria, e relançando a luta pelos lugares cimeiros do Mundial de Fórmula 1. O desempenho desigual da Ferrari de prova para prova dificulta ainda mais a tarefa de Leclerc, numa altura em que Hamilton parece adaptar-se rapidamente ao novo monolugar.
Após a qualificação, Leclerc admitiu que continua sem encontrar o “feeling” ideal com o SF-26, apesar das recentes alterações no sistema de travões – trocou os discos Brembo pelos Carbone Industrie depois do Grande Prémio do Mónaco, procurando maior confiança nas travagens. “É isso que estou à procura neste momento”, comentou Leclerc, visivelmente insatisfeito. “Já percebi há algum tempo que não tenho a mesma facilidade que tinha com o carro do ano passado. Mesmo quando tento juntar tudo, estamos a falar de diferenças mínimas, de centésimos.” O piloto acrescentou ainda: “O Lewis está mais vezes a 100% do potencial do carro, coisa que eu não consigo. Tenho de trabalhar em todos os aspectos.”
A falta de confiança é particularmente penalizadora quando a luta pelos lugares da frente se decide em detalhes ínfimos. O próprio Leclerc reconhece: “Quando não se sente o carro, é muito difícil extrair o tempo por volta e ter confiança para, todos os sábados, ir ao limite na qualificação. Em SQ1 e SQ2 estive perto, estava confiante para o SQ3, mas depois perdi o carro. Não sinto o SF-26 como deveria.” Esta franqueza revela o estado de espírito do monegasco, que tem visto a sua reputação de especialista em volta rápida ser posta à prova por um carro que ainda não lhe transmite a segurança desejada.
A surpresa foi ainda maior dentro da Ferrari, pois a Scuderia esperava dificuldades acrescidas em Silverstone devido à exigência do traçado e às limitações do seu sistema de recuperação de energia. Hamilton, contudo, conseguiu contrariar as previsões ao garantir a pole, com Leclerc a salientar: “Estamos extremamente surpreendidos pelo Lewis ter feito a pole hoje, mas no geral estávamos à espera de uma diferença muito maior para os carros da frente. É um passo em frente, mas, como equipa, estamos muito surpreendidos por sermos tão competitivos aqui.”
O director de equipa, Fred Vasseur, fez questão de defender Leclerc, explicando após a sessão: “Estou atento e a tentar perceber como posso ajudar e porque razão ele está com dificuldades. Não é, de todo, falta de velocidade. Em Mónaco e Barcelona lutou pela pole, na Áustria partiu da primeira linha. Precisa de conseguir juntar tudo numa distância de corrida, adaptar-se ao novo carro, às últimas evoluções e aos novos travões. O essencial é manter a calma. Não estou minimamente preocupado: há mil pessoas aqui para o ajudar.”
Com a próxima prova marcada para o Hungaroring, a Ferrari procurará confirmar o progresso evidenciado em Silverstone. Hamilton reforça a sua candidatura ao título e ganha moral dentro da equipa, enquanto Leclerc enfrenta o desafio de recuperar confiança e consistência. O campeonato está ao rubro, com a rivalidade interna a atingir novos patamares e cada qualificação a tornar-se decisiva para o desfecho da época. Para Leclerc, o talento e a velocidade permanecem intatos, mas será crucial restabelecer a ligação instintiva ao SF-26 para voltar a lutar pelas pole positions e vitórias.
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