O desfecho polémico do Grande Prémio do Mónaco de Fórmula 1, marcado pela reatribuição do terceiro lugar a Pierre Gasly (Alpine), conheceu hoje um novo capítulo, com a Mercedes a anunciar oficialmente a desistência do seu pedido de Direito de Revisão junto da FIA. Esta decisão encerra uma das disputas mais tensas da época, depois de a equipa alemã ter tentado contestar as penalizações aplicadas a George Russell durante a corrida.
No rescaldo da prova monegasca, a Alpine viu o seu piloto Pierre Gasly ser inicialmente penalizado, mas posteriormente reinstaurado no pódio, o que originou múltiplos protestos. A Mercedes, sentindo-se prejudicada, avançou com o mecanismo de Direito de Revisão, procurando reverter as penalizações aplicadas a George Russell: primeiro, uma penalização por excesso de velocidade na via das boxes, atribuída também a outros pilotos devido a um erro no sistema de cronometragem gerido pela FOM; depois, uma penalização adicional por alegado incumprimento no cumprimento da primeira sanção, resultando num drive-through e relegando Russell para o 14.º posto. Os tempos de volta e as diferenças de décimos foram determinantes, com Russell a perder mais de 30 segundos no total devido às penalizações, enquanto Gasly, após as revisões, manteve o terceiro lugar por uma margem mínima.
Estas decisões tiveram impacto directo no Campeonato do Mundo de Fórmula 1, sobretudo na luta pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores, onde Alpine e Mercedes estão em confronto directo. O episódio reacendeu rivalidades antigas e levantou questões sobre a clareza dos regulamentos e o papel dos sistemas electrónicos de cronometragem, especialmente quando erros técnicos podem influenciar decisivamente o resultado de uma corrida tão reputada como o Grande Prémio do Mónaco. Recorde-se que a polémica sobre as penalizações de tempo já tinha sido tema em anos anteriores, mas raramente com consequências tão directas no pódio monegasco.
Na quinta-feira à noite, a FIA revelou em comunicado oficial: “Os Comissários foram informados pela Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team de que estão a desistir da petição de Revisão relativamente às decisões dos Comissários do Grande Prémio do Mónaco de 2026, por alegada violação do Artigo B1.6.3a do Regulamento de F1 da FIA, no que diz respeito ao Carro 63.” A declaração marcou o fim formal do processo. Antes disso, Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, tinha afirmado após a corrida: “Fomos penalizados por um erro que não foi nosso. Sentimos que devíamos esgotar todas as vias legais, por respeito ao nosso piloto e à verdade desportiva.” Pierre Gasly, falando ainda no pódio do Mónaco, reagiu assim: “Foi um fim de semana de emoções fortes, mas acredito que o resultado final é justo. Sei que a Mercedes não ficou satisfeita, mas confio nas decisões da FIA.” Do lado da FIA, Jean-Louis Valentin, um dos comissários presentes, defendeu: “Compreendemos o descontentamento, mas actuámos segundo o regulamento e os dados disponíveis.”
A decisão da Mercedes de retirar o seu apelo não surpreende a maioria dos analistas do paddock, uma vez que as hipóteses de sucesso eram mínimas, sobretudo após os esclarecimentos da FIA sobre a origem do erro técnico. Ainda assim, este episódio demonstra que as equipas continuam a lutar pelos seus interesses até ao limite, mesmo quando as probabilidades não lhes são favoráveis. O foco desloca-se agora para o próximo Grande Prémio, em Barcelona, onde a Mercedes tentará recuperar pontos perdidos e Alpine tentará consolidar o impulso proporcionado pelo pódio. A luta pelo terceiro lugar no Mundial de Construtores promete intensificar-se, enquanto os principais protagonistas analisam como evitar que questões administrativas e tecnológicas voltem a decidir resultados dentro das pistas mais emblemáticas do calendário.
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