O Grande Prémio do Canadá deparou-se com uma situação inédita que vai marcar a história da Fórmula 1: os comissários introduziram uma penalização nunca antes vista, o polémico “stop and go suspenso”, aplicado ao piloto alemão Nico Hulkenberg da Audi. Um episódio curioso que aconteceu antes da partida oficial da corrida, envolvendo também Liam Lawson, deu origem a esta decisão disciplinar singular.
Durante a terceira volta de reconhecimento, após duas tentativas abortadas de partida, Lawson, que largava da 12.ª posição no grid, ultrapassou inadvertidamente Hulkenberg, situado na 11.ª posição. Os dois pilotos não conseguiram reorganizar-se nas respetivas posições antes de passarem pela Safety Car Line 1, infringindo assim o regulamento que obriga a manter a ordem correta no arranque. A situação criou um dilema para os comissários, que tiveram de agir rapidamente e com criatividade.
No comunicado oficial da FIA, os stewards explicaram: “Foi um incidente invulgar — o carro nº 27 (Hulkenberg) estava mais lento do que o esperado para o terceiro giro de formação, enquanto o carro nº 30 (Lawson) arrancou antes do previsto e deveria ter esperado mais tempo para que o nº 27 se pusesse em movimento. Durante o giro, Hulkenberg afirmou não ter condições para ultrapassar Lawson de forma segura a fim de retomar a posição correta. Apesar da ordem invertida ao cruzarem a linha SC1, a partida não foi atrasada, a grelha não foi alterada e a corrida não sofreu impacto significativo. Ambos largaram das posições corretas.”
A FIA decidiu que Lawson receberia apenas uma reprimenda, mas a situação de Hulkenberg demandava maior ponderação. Segundo os regulamentos, uma penalização obrigatória de “Stop and Go” seria aplicada a qualquer carro que não entrasse na box para corrigir a posição até à primeira fase da linha SC1. No entanto, os comissários consideraram a penalidade demasiado severa para a gravidade e impacto reduzidos da infração: “À luz das circunstâncias atenuantes, os Comissários consideram que a penalidade ‘Stop and Go’ é desproporcionada. Assim, a penalização é suspensa, com base na autoridade conferida pelo artigo 12.4.6 do ISC.”
Isto significa que Hulkenberg vai manter uma penalização condicionada, que só será aplicada se cometer nova infração semelhante até à última prova do Campeonato de 2026. “A penalidade está suspensa até à última corrida da temporada de 2026, desde que não ocorram outras infrações deste tipo por parte do piloto”, acrescentaram os stewards.
Este caso estabelece um precedente jurídico e disciplinar na Fórmula 1, com a introdução do conceito do “stop and go suspenso”, algo que poderá influenciar decisões futuras e a forma como as penalizações são aplicadas em situações atípicas. Para Hulkenberg e a Audi, a mensagem é clara: poderá haver tolerância, mas a margem de erro está a diminuir — a atenção está redobrada para o que falta da temporada.




