Uma nova falha de fiabilidade deixou a Mercedes de mãos vazias no Grande Prémio de Espanha, com Kimi Antonelli a abandonar a poucos quilómetros do final quando estava confortavelmente na segunda posição. A equipa de Brackley perdeu assim mais pontos preciosos para a Ferrari, numa altura em que as contas do campeonato se apertam e cada erro pode custar caro na luta pelo título.
No rescaldo do Grande Prémio de Espanha, no Circuito da Catalunha, a Mercedes mantém uma vantagem de 41 pontos no campeonato de pilotos (via Antonelli) e 72 pontos no mundial de construtores. No entanto, ambos os líderes podiam contar com margens bem mais folgadas não fossem os problemas mecânicos recorrentes. George Russell e Kimi Antonelli já perderam, juntos, mais de 40 pontos por falhas técnicas. Em comparação, Red Bull perdeu 36 pontos, McLaren 30 e Ferrari apenas 10 devido a questões de fiabilidade. Entre os pilotos, Verstappen soma 26 pontos perdidos, Russell 25, Norris 20, Antonelli 18, Hadjar, Leclerc e Piastri 10 cada um, enquanto Lewis Hamilton permanece imaculado neste capítulo – um dos factores que explicam a sua sólida segunda posição antes mesmo da vitória em Barcelona.
A importância destes pontos perdidos não pode ser subestimada. Numa temporada em que a Ferrari surge mais competitiva, com as recentes evoluções técnicas apresentadas em Espanha a reduzirem a vantagem da Mercedes, cada abandono tem impacto directo na tabela classificativa. Toto Wolff, director da equipa Mercedes, não escondeu o desagrado após a prova catalã: “Estou desiludido”, afirmou, logo após a desistência de Antonelli, salientando: “Não se pode abandonar carros de forma continuada. Perdemos 25 pontos no Canadá, outros 18 aqui. Para terminar em primeiro, primeiro é preciso terminar. A fiabilidade é o nosso maior problema, é nisso que temos de nos concentrar”.
Bradley Lord, director-adjunto de equipa, revelou no podcast oficial da Mercedes que a investigação à falha de Russell em Montreal ainda nem começou a sério, uma vez que a bateria avariada ainda está em trânsito marítimo entre o Canadá e Brackley. “O módulo teve de cumprir procedimentos de segurança pouco usuais e só depois segue para o Reino Unido. Só daqui a uns meses poderemos analisar a fundo o que correu mal e como podemos evitar que se repita”, explicou, sublinhando a complexidade dos sistemas eléctricos actuais. No caso de Antonelli, Toto Wolff admitiu ainda não se saber a origem do problema, embora tenha apontado para sintomas semelhantes ao que ocorreu com Russell no Canadá: “A maioria das falhas têm estado ligadas à bateria, mas não são sempre as mesmas. Temos de perceber o que se passou, mas o sintoma foi idêntico – o carro simplesmente desligou-se”.
Também a McLaren, cliente da Mercedes, sofreu com problemas idênticos: impossibilitada de alinhar com ambos os carros no Grande Prémio da China devido a avarias em módulos de bateria, e com Lando Norris a abandonar no Mónaco por falha na unidade motriz. No Canadá, uma quebra de caixa retirou Norris de hipótese de pontuar. Por sua vez, Williams e Alpine, igualmente com motores Mercedes, registaram problemas, mas com menor impacto directo nas posições pontuáveis.
A pressão sobre a Mercedes cresce à medida que a Ferrari, impulsionada pelos seus próprios desenvolvimentos, ameaça a liderança. “Um DNF rouba-nos 25 pontos e deixa tudo em aberto”, afirmou Wolff, reforçando a necessidade de máxima fiabilidade: “Não podemos dar-nos ao luxo de não terminar corridas. É fundamental continuar a colocar performance no carro e na unidade motriz, não cometer erros, ser inteligentes na estratégia e manter o foco absoluto”.
Com a próxima ronda do Mundial de Fórmula 1 agendada para o Grande Prémio da Áustria, a Mercedes sabe que tem de resolver os problemas técnicos para segurar a liderança. A luta pelo campeonato está ao rubro, com Ferrari e Red Bull a aproximarem-se e qualquer deslize a poder inverter as posições no topo. Daqui até ao final da temporada, a fiabilidade será tão determinante quanto a velocidade pura, e quem resolver melhor os seus problemas internos pode muito bem ditar quem erguerá o troféu em Abu Dhabi.
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