O domínio dos pilotos Toyota na presente temporada da NASCAR Cup Series tem sido avassalador, com Denny Hamlin e Tyler Reddick a liderar uma campanha em que os carros da marca já asseguraram 11 vitórias em 18 provas pontuáveis. A consistência dos pilotos Toyota não deixa margem para dúvidas: três representantes estão entre os cinco primeiros da classificação geral, enquanto as restantes marcas, Chevrolet e Ford, somam, em conjunto, apenas oito triunfos. O cenário coloca pressão acrescida sobre as equipas rivais e alimenta discussões sobre o que torna a estrutura da Toyota tão eficaz.
O Grande Prémio de Chicago surge como pano de fundo da mais recente análise de Brad Keselowski, piloto e coproprietário da RFK Racing. Numa temporada em que a Toyota mantém-se no topo com 11 vitórias, comparativamente com as 7 da Chevrolet e apenas uma da Ford, Keselowski expôs o factor diferenciador: a colaboração interna. “O que se tornou único, penso eu, nos últimos dois ou três anos, é — e dou muito crédito à Toyota por isto — reconheceram que o impasse entre equipas não é benéfico nem para o desporto nem para eles como construtor. Fizeram muito para promover uma colaboração de elite entre as suas organizações principais, de modo a terem duas equipas de topo, em vez de uma estrutura de ‘A’, ‘B’ e ‘C’ equipas. Até ao momento, as outras marcas não seguiram este caminho, e a Toyota está a conseguir resultados por causa disso. Merecem crédito”, explicou Keselowski antes da corrida em Chicagoland.
Enquanto a Joe Gibbs Racing (JGR) e a 23XI Racing, ambas consideradas “equipas A” da Toyota, beneficiam do mesmo nível de apoio do fabricante, a Legacy Motor Club (LMC) também recebe suporte semelhante, o que contribui para uma uniformidade e partilha de conhecimento muito superior à evidenciada na concorrência. Contrasta com o que se passa tanto na Chevrolet como na Ford, onde, segundo Keselowski, persiste uma estagnação e cada equipa segue estratégias mais isoladas. “O desafio que vejo é: será que os outros dois construtores vão reagir? Até ao momento, não vi isso. Penso que a RFK está a fazer tudo para se posicionar bem, caso ocorra uma mudança, especialmente no seio da Ford. Porém, ainda não existe o mesmo nível de colaboração que vemos na Toyota e isso cria desafios para o nosso programa. E, do que observo, também não vejo esse espírito na Chevrolet”, acrescentou o piloto da Ford, em declarações ao nascar.com.
A importância desta abordagem unificada da Toyota reflecte-se não só nos resultados imediatos, mas também nas implicações a longo prazo para o campeonato. A consistência e competitividade das equipas Toyota obrigam os rivais a repensar estratégias e estruturas internas, sob pena de ficarem irremediavelmente para trás. “Na minha opinião, o ónus está do lado dos construtores e dos responsáveis de topo que querem ver os seus programas a ter sucesso na NASCAR. Existem formas de o conseguir, dentro das regras. No que toca à RFK, penso que já provámos o nosso valor. Temos três equipas numa posição de que me orgulho”, afirmou Keselowski, sublinhando o mérito do trabalho da sua formação ao lado de Chris Buescher e Ryan Preece, que têm mostrado argumentos para lutar pelos lugares cimeiros.
A frustração de Keselowski é evidente perante a falta de iniciativas semelhantes na Ford, onde considera que um investimento e apoio ao nível do que é dado à Team Penske Racing poderia elevar significativamente a performance da sua equipa. O piloto e dirigente insiste que está a trabalhar nos bastidores para provar que a RFK merece o mesmo reconhecimento, especialmente tendo em conta a chegada do novo Ford Mustang em 2027, que poderá ser a oportunidade para inverter o ciclo de domínio Toyota.
Com a próxima prova a aproximar-se e os lugares no campeonato cada vez mais disputados, a pressão está do lado da Ford e da Chevrolet para reagirem à “receita” de sucesso da Toyota. Caso persistam na ausência de colaboração interna, arriscam-se a ver a diferença pontual aumentar e a perder não só vitórias como também relevância estratégica na grelha da NASCAR Cup Series. A próxima ronda do campeonato poderá ser decisiva para perceber se alguma das rivais consegue dar resposta ao desafio lançado por Keselowski e, acima de tudo, pela supremacia Toyota.
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