Adrian Newey assume culpa no atraso do AMR26 da Aston Martin em 2026

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O desastroso início de época da Aston Martin em 2026 tem deixado a equipa de Silverstone afundada no fundo da tabela do Mundial de Fórmula 1, com apenas um mísero ponto conquistado após oito provas repletas de problemas. O conceituado engenheiro Adrian Newey, agora consultor técnico da Aston Martin, admitiu sentir-se “culpado” pelo atraso no desenvolvimento do AMR26 e pelo sofrimento de Fernando Alonso e Lance Stroll, que se veem constantemente a lutar pelas últimas posições do pelotão.

No rescaldo do Grande Prémio do Canadá, a equipa britânica mantém-se na penúltima posição do Campeonato de Construtores, a par da Williams, e chega à sua prova caseira em Silverstone sem sinais de recuperação imediata. O AMR26 tem-se revelado pouco fiável e incapaz de acompanhar o ritmo dos rivais, com Alonso e Stroll a serem frequentemente dobrados e incapazes de lutar sequer pelos lugares pontuáveis. O melhor resultado até ao momento foi um 10.º lugar alcançado por Alonso no Bahrein, logo na primeira ronda, e desde então a equipa tem-se debatido com uma curva de aprendizagem demasiado íngreme.

Segundo revelou Adrian Newey numa entrevista exclusiva ao portal oficial da Aston Martin, o desenvolvimento do monolugar começou tarde e a preparação de inverno foi marcada por problemas de fiabilidade que impediram a equipa de somar quilómetros cruciais durante os testes de pré-época. “Só conseguimos rodar a sério no terceiro treino livre em Melbourne. Estivemos sempre em desvantagem devido a vários contratempos nos testes, o que atrasou toda a nossa curva de aprendizagem”, explicou Newey. “Tornou-se óbvio, muito rapidamente, que não íamos ser competitivos nas primeiras corridas, por isso tomámos a dolorosa — mas creio que correcta — decisão de não fazer qualquer desenvolvimento durante a primeira metade do ano. Sabíamos que, à medida que os outros evoluíam, a diferença para a frente só ia aumentar, mas focámo-nos em organizar a nossa estrutura e em preparar um verdadeiro salto qualitativo.”

O pacote de evoluções tão aguardado, que promete revolucionar o desempenho do AMR26, tem estreia marcada para o Grande Prémio da Hungria, com uma segunda fase de melhorias prevista para Zandvoort. Newey sublinha que, apesar de ser uma abordagem dolorosa para pilotos e parceiros, acredita que a aposta a médio e longo prazo irá colocar a Aston Martin numa posição muito mais forte para o final da época e, sobretudo, para 2027. “Isto permitiu-nos dar um passo atrás, aliviar um pouco a pressão que criámos sobre nós próprios e realmente perceber os nossos problemas. O que queremos atingir a médio prazo começa já com este pacote de evoluções na Hungria.”

Adrian Newey foi particularmente sincero quanto ao impacto que tudo isto teve sobre Fernando Alonso e Lance Stroll. O britânico reconheceu o grau de frustração dos seus pilotos, forçados a lutar no fundo da grelha, e assumiu sentir-se em falta por não lhes poder dedicar mais tempo. “Os pilotos sentem o carro e veem o que se passa na pista, e claro que tem sido extremamente frustrante não poderem lutar de igual para igual pelos pontos. Há duas semanas, estive com o Fernando e o Lance a explicar detalhadamente o que estamos a fazer, o que está planeado para o pacote de evoluções e como estamos a preparar o salto para 2027. Sei que, se as pessoas não sentirem que são ouvidas, ficam frustradas. Admito que não passei tempo suficiente com o Fernando e o Lance na fábrica, por isso faço questão de lhes explicar exactamente o que pretendemos com estas melhorias.”

Newey acrescentou ainda: “Agora que o pacote está quase pronto, eles próprios estão a contar os dias para ver se se confirma um verdadeiro passo em frente.” A Aston Martin, consciente de que tem apenas mais duas provas até ao lançamento da primeira fase de evoluções, aposta todas as fichas na Hungria para inverter o rumo da época. Caso as melhorias resultem, a equipa poderá finalmente aproximar-se do pelotão intermédio e devolver alguma esperança a Alonso e Stroll, que têm sofrido com a falta de competitividade.

Com o próximo Grande Prémio agendado para Silverstone, a equipa de Lawrence Stroll enfrenta a pressão acrescida de correr em casa diante dos seus adeptos e parceiros. O foco está agora, inequivocamente, na chegada do novo pacote técnico. Se corresponder às expectativas, a Aston Martin poderá ainda recuperar algumas posições no campeonato e, mais importante, preparar a transição para um 2027 mais ambicioso e competitivo, com Adrian Newey a liderar a revolução técnica que os adeptos tanto desejam.

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