Fernando Alonso voltou a afastar-se de qualquer ligação directa entre o seu futuro na Fórmula 1 e o aguardado pacote de evoluções da Aston Martin, numa altura em que a equipa de Silverstone atravessa um dos momentos mais difíceis da temporada. O piloto espanhol, bicampeão mundial, esclareceu que a sua decisão de continuar ou não na grelha em 2025 não dependerá exclusivamente do desempenho das novas peças que a Aston Martin irá estrear dentro de semanas.
Na presente temporada do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, a Aston Martin tem estado longe das expectativas, com apenas um ponto conquistado – precisamente por Alonso com um 9.º lugar no Grande Prémio do Mónaco. A equipa, que apostou numa estratégia de desenvolvimento pouco convencional, optou por concentrar todos os seus recursos num grande pacote aerodinâmico a ser introduzido apenas no Grande Prémio da Hungria, em vez de pequenas evoluções contínuas como fazem os principais rivais. Adrian Newey, recém-chegado à estrutura como consultor técnico, confirmou recentemente que o pacote chegará já em Budapeste e que esperava que o novo rendimento pudesse convencer Alonso a renovar por mais uma temporada.
No entanto, Fernando Alonso fez questão de esclarecer, em declarações aos jornalistas antes do Grande Prémio da Grã-Bretanha, que vários factores contam na sua equação para o futuro: “Vou pensar durante a pausa de verão”, afirmou o espanhol. “Não posso dizer que isto está realmente ligado. Se o carro for bom ou mau, há outros factores que preciso de ponderar. Talvez o carro seja excelente e, ainda assim, sinta que o desporto está a seguir numa direcção errada.” Alonso explicou ainda que as próximas provas – Hungria e Bélgica – serão uma experiência bem diferente das das últimas corridas em circuitos clássicos como Silverstone: “Olhando para as voltas no simulador e para outros detalhes, vai ser algo triste, tanto para os pilotos como para os espectadores”, comentou o piloto da Aston Martin, relativamente às características dos circuitos e ao impacto dos carros de efeito solo.
Apesar do desempenho aquém do esperado da Aston Martin, Alonso não fecha a porta a continuar em 2025, mesmo que as melhorias em Budapeste não se traduzam imediatamente em resultados: “E vice-versa – talvez o carro não melhore muito em Budapeste, mas tenhamos outro pacote de evoluções, ou um conceito completamente novo para o próximo ano, ou até uma dinâmica diferente dentro da equipa que me faça pensar em continuar mais alguns anos”, acrescentou o espanhol. “Obviamente que ajuda. Quando for de férias a partir de 1 de Agosto, será ótimo ter uma boa corrida em Budapeste antes da pausa. Mas não será o único ponto a considerar.”
A incerteza em torno do futuro de Alonso e da Aston Martin reflecte não só a situação actual da equipa – que luta para regressar aos lugares pontuáveis de forma regular – como também o ambiente de mudança que se vive no paddock, com várias equipas a preparar grandes alterações para 2025, tendo em conta a aproximação do novo regulamento técnico em 2026. Para já, a Aston Martin mantém-se na cauda do pelotão, mas a aposta num desenvolvimento agressivo poderá ser o trunfo necessário para relançar o projecto e, eventualmente, convencer Alonso a prolongar a sua carreira.
A próxima etapa realiza-se no circuito de Hungaroring, onde todas as atenções estarão voltadas para as novidades técnicas da Aston Martin e para o desempenho de Fernando Alonso, que poderá ser determinante para o rumo do projecto e do próprio piloto. Se a equipa conseguir dar um salto significativo, poderá não só recuperar pontos no campeonato, como também renovar a esperança dos adeptos em ver Alonso a lutar por resultados de destaque. Caso contrário, o mercado de pilotos poderá aquecer ainda mais, com a possibilidade do espanhol pesar novas opções ou até ponderar a saída definitiva da Fórmula 1. Tudo ficará em aberto até ao regresso após a pausa de verão, com o futuro do bicampeão a ser um dos temas mais quentes do paddock.
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