Lewis Hamilton voltou a demonstrar o seu lado mais descontraído ao afirmar, em tom de brincadeira, que só sabotando os carros da Mercedes conseguiria travar a impressionante campanha da equipa alemã rumo ao título de Fórmula 1. O britânico, agora ao serviço da Ferrari, prepara-se para disputar o emblemático Grande Prémio da Grã-Bretanha, circuito onde já triunfou por nove vezes, e enfrenta o fim-de-semana em Silverstone a ocupar o terceiro lugar do Campeonato Mundial de Pilotos, com 46 pontos de desvantagem para o líder, Kimi Antonelli, e apenas seis atrás de George Russell, segundo classificado.
A temporada de 2026 tem sido marcada pelo domínio da Mercedes, que soma vitórias consecutivas e se afirma como a estrutura mais forte do pelotão. Hamilton é, até ao momento, o único piloto fora da Mercedes a vencer uma corrida este ano, destacando-se na Ferrari, equipa que tem revelado melhorias no chassis mas continua a sofrer com a inferioridade do motor face à concorrência directa. No último Grande Prémio, Max Verstappen (Red Bull Racing) terminou na segunda posição, depois de uma significativa evolução técnica no monolugar austríaco, sinalizando uma potencial ameaça à supremacia da Mercedes.
Em conferência de imprensa antes do arranque do fim-de-semana em Silverstone, Hamilton foi questionado sobre as suas hipóteses de lutar pelo título. “Acho que só se eu for à garagem da Mercedes e desapertar os parafusos!”, atirou, arrancando gargalhadas. “A Mercedes é uma equipa fenomenal. Estão a mostrar um desempenho absolutamente incrível, e é realmente bonito ver uma equipa em plena sintonia. O que trouxeram e o que fizeram este ano é extraordinário, e penso que será preciso um esforço enorme para alguém os conseguir travar”, sublinhou o britânico.
Hamilton também fez questão de reconhecer o progresso recente da Red Bull Racing, nomeadamente após a atualização introduzida na Áustria. “Viu-se agora que a Red Bull deu realmente um passo em frente. Fizeram uma evolução massiva na última corrida, por isso imagino que o Max será um grande candidato ao título”, afirmou. “Ele tem agora potência para igualar a Mercedes, por isso antecipo que vão estar muito fortes”, acrescentou Hamilton, numa referência à avaliação da FIA que atribuiu à Red Bull a melhor unidade de combustão interna do momento.
Apesar dos sinais positivos, Hamilton é realista quanto às limitações actuais da Ferrari. “Como equipa, temos de continuar a acreditar, manter a calma e trabalhar sem cessar”, explicou. “Temos de extrair tudo de cada fim-de-semana, e até, se possível, um pouco mais do que parece viável em termos de performance. Haverá circuitos onde o fosso será menos notório, como penso que poderá acontecer em Budapeste, porque não tem grandes rectas. Precisamos de mais pistas desse género, para ser franco”, comentou o piloto britânico.
Sobre a diferença pontual para Antonelli, Hamilton não escondeu a dificuldade da missão. “O Kimi está muito à frente, são muitos pontos e ele ainda conseguiu aumentar a vantagem na última prova. É um bom teste de realidade para nós, mas não está nada decidido até estar acabado. Toda a gente na equipa está totalmente motivada e a dar o máximo, é tudo o que posso pedir”, rematou, transmitindo confiança mas mantendo os pés bem assentes na terra.
Curiosamente, Hamilton evitou qualquer referência directa a George Russell, seu antigo colega na Mercedes e actual segundo classificado no campeonato, deixando no ar algum mistério sobre a dinâmica entre ambos.
Com o Grande Prémio da Grã-Bretanha à porta, a expectativa centra-se na possibilidade de Hamilton voltar a brilhar diante do público britânico e encurtar distâncias para os líderes do campeonato. A Mercedes parte como favorita, mas a evolução recente da Red Bull e a resiliência da Ferrari prometem animar a luta pelos lugares cimeiros. O campeonato segue depois para Budapeste, onde o traçado deverá nivelar as diferenças entre as equipas. Caso Hamilton consiga capitalizar as oportunidades, a perseguição ao tão ambicionado oitavo título poderá ganhar novo fôlego — mas, para já, a Mercedes mantém-se como o alvo a abater.
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