Buemi pode abandonar Fórmula E devido a conflitos com o WEC

Outras Notícias

Partilhar

Sébastien Buemi enfrenta o cenário mais delicado da sua carreira em monolugares eléctricos, ao admitir publicamente a possibilidade de se despedir da Fórmula E no final desta época devido a conflitos no calendário com o Mundial de Resistência (WEC). O anúncio do calendário de 2027 da Fórmula E revelou duas coincidências de datas com o WEC, colocando em causa a continuidade do piloto suíço na grelha da Envision. Esta situação pode ter consequências directas não só para o futuro do antigo campeão, como também para o equilíbrio do campeonato e para a própria história da modalidade.

No calendário apresentado recentemente, as provas da Fórmula E em Monte Carlo e Xangai coincidem com as rondas do WEC em Spa-Francorchamps e São Paulo. Ainda que se trate apenas de dois eventos, ambos são duplas jornadas, o que significa que Buemi poderá faltar a quatro E-Prix caso opte por cumprir integralmente o calendário do WEC ao serviço da Toyota, equipa onde corre desde 2012. Com treze provas previstas para a temporada, perder quatro rondas praticamente inviabiliza qualquer aspiração ao título, agravando a pressão sobre a Envision, que detém cláusulas no contrato plurianual do piloto para procurar alternativas caso Buemi não consiga priorizar a Fórmula E.

Esta incerteza surge numa fase crucial para o campeonato. Buemi é um dos poucos resistentes desde a temporada inaugural da Fórmula E e soma já um título e inúmeras presenças no pódio. A sua eventual saída seria uma machadada na experiência e competitividade do pelotão, sobretudo numa época em que a luta pelo campeonato está ao rubro e cada ponto pode ser decisivo. O compromisso de Buemi com a Envision tem sido vital, e a equipa continua a apostar na tecnologia Jaguar, confirmando-se como cliente dos britânicos para a próxima geração de monolugares Gen4.

Confrontado com este dilema durante uma entrevista à RacingNews365, Buemi exibiu franqueza e realismo: “Tem de perguntar ao Sylvain [Filippi, director da Envision], mas, antes de mais, temos visto pequenas alterações de calendário no passado. Por isso, mesmo que pareça improvável, mantenho a esperança de que ainda possa haver uma mudança. Vamos ver. É uma discussão aberta com a equipa. Sei que parecem muitas provas, mas também são muitas corridas no campeonato do próximo ano – 21. Para ser honesto, como disse em Sanya, vou esforçar-me muito para estar na grelha no próximo ano, mas, no fim, acho que não depende de mim”.

O piloto helvético sublinhou também a sua ligação emocional à Fórmula E, mas reconheceu que a decisão final poderá ser-lhe retirada: “Acho que nunca estamos verdadeiramente preparados para sair, para ser sincero. Em algum momento, podemos ser forçados a isso. Este ano, tive algumas boas corridas. Claro que não estou satisfeito, quero mais, não acho que tenha sido suficiente, mas, sim, não depende de mim. Não se trata de estar preparado ou não. Sinto-me numa situação muito privilegiada. Estive novamente na semana passada no simulador da Red Bull, estou com a Toyota, obviamente a correr em Le Mans e também a competir aqui [na Fórmula E]. Muitos dariam tudo para estar na minha posição, mas infelizmente a decisão pode não ser minha. Isso é o que me entristece”, partilhou Buemi, já após a qualificação em Xangai.

A discussão mantém-se activa nos bastidores da Envision, enquanto a direcção da equipa equaciona cenários caso Buemi opte pelo WEC. A continuidade do suíço na estrutura mantém-se em aberto, mas a pressão para garantir resultados na época corrente cresce. Com a próxima ronda da Fórmula E agendada para Portland, nos Estados Unidos, as atenções estarão centradas não só na luta pelo campeonato, mas também na resolução deste impasse. Se Buemi falhar quatro provas, a Envision arrisca perder um dos seus principais trunfos, podendo inverter-se a hierarquia do campeonato e abrir portas a novos protagonistas.

Os próximos meses serão decisivos para o futuro de Buemi na Fórmula E e para o equilíbrio da competição, com todos os olhares voltados para as negociações entre piloto, equipa e promotores das duas competições. A incerteza paira no ar, mas uma coisa é certa: a decisão terá impacto directo na luta pelo título e poderá marcar o fim de uma era na categoria dos monolugares eléctricos.

Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)