Plano de Adrian Newey na Aston Martin à prova após meses de dificuldades

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O futuro da Aston Martin na Fórmula 1 está prestes a conhecer o seu verdadeiro ponto de viragem, com o aguardado pacote de evoluções do AMR26 a ser finalmente estreado no Grande Prémio da Hungria. Após meses de frustrações acumuladas, tanto dentro da equipa como na bancada, Adrian Newey e Fernando Alonso apostam tudo nesta prova para inverter o rumo da temporada – e, muito possivelmente, o destino conjunto na disciplina-rainha do automobilismo.

A Aston Martin chega ao Hungaroring depois de uma série de resultados decepcionantes, tendo sido ultrapassada não só pelas equipas de topo, mas também, de forma preocupante, pelo estreante projecto da Cadillac. Na última corrida em Espanha, o AMR26 mostrou-se incapaz de responder ao ritmo dos adversários, terminando fora dos pontos e levando Mike Krack, director de operações em pista, a pedir desculpa aos adeptos. Fernando Alonso, em casa, ficou-se pelo 12.º lugar, enquanto Lance Stroll cruzou a meta em 14.º, ambos a mais de 60 segundos do vencedor. Tempos de volta e diferenças de ritmo evidenciaram o défice do monolugar britânico, com o melhor registo de Alonso (1:19.832) a situar-se quase um segundo acima dos líderes.

No contexto do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, a Aston Martin viu-se relegada para o sexto lugar no Mundial de Construtores, com apenas 44 pontos e ameaçada pela Haas e Stake Sauber. Este cenário trouxe pressão acrescida sobre Newey, que, depois de um início de época promissor, viu o seu projecto tornar-se “o maior fracasso desde o McLaren MP4/18”, como reconheceu. O próprio admitiu: “Foi uma decisão dolorosa”, referindo-se à opção de não lançar pequenas evoluções ao longo da temporada, apostando tudo numa grande atualização. “Enquanto os outros estavam a acrescentar performance, nós ficámos praticamente parados, e cada fim-de-semana tornou-se mais penoso que o anterior.”

A importância do fim-de-semana em Budapeste é acrescida pelo facto de ser a última prova antes da pausa de verão – e pelo significado especial para Alonso, que ali conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1. O espanhol não esconde que pondera o futuro em função do sucesso deste pacote: “O Fernando está realmente ansioso pela evolução e, se resultar, esperamos tê-lo no cockpit por mais uma época”, revelou Newey, sublinhando também: “Ele quer ver progresso claro e tangível. Se conseguirmos mostrar que estamos a avançar de forma decisiva, ele está absolutamente comprometido em continuar.”

Na génese dos problemas do AMR26 está uma abordagem aerodinâmica arrojada, liderada por Newey, mas executada sem o “luxo de explorar múltiplos conceitos em profundidade devido à falta de tempo”. O engenheiro britânico não fugiu às responsabilidades: “Foi um caminho ousado, mas levantou desafios que não antecipámos.” Para além disso, Newey apontou ainda debilidades estruturais profundas no funcionamento da equipa: “Estávamos a depender de ferramentas e processos remendados há anos, muitos remontam ainda à era Jordan. Chega um ponto em que um sistema com remendos deixa de servir. Foi aí que chegámos.”

A solução passou por uma reestruturação profunda, com a produção de muitos componentes a regressar a Silverstone: “A caixa de velocidades é agora fabricada internamente, tal como o piso e outros elementos essenciais. Isto dá-nos mais controlo de custos, mas sobretudo, mais flexibilidade e domínio sobre o nosso destino.” Segundo Newey, a decisão de adiar as evoluções foi um “investimento no futuro”, acreditando que o “grande salto” esperado será visível já na Hungria, ainda que sem avançar previsões concretas: “Prefiro não indicar números. Veremos quando o carro estiver em pista.”

Entre as mudanças técnicas, destaca-se um novo nariz, superfícies aerodinâmicas refinadas, revisão da suspensão traseira e uma redução significativa de peso, aproximando-se do limite regulamentar de 768 kg. Paralelamente, a equipa investiu em ferramentas de simulação e gestão de projecto, reconhecendo que “os ganhos reais desse trabalho só chegarão mais tarde no ano”.

Com este contexto, a prova de Budapeste assume contornos decisivos: se o AMR26 evoluído mostrar competitividade, pode marcar o início da recuperação da Aston Martin e convencer Alonso a renovar, mantendo a equipa no caminho certo para 2025. Caso contrário, o risco de perder o bicampeão espanhol é real, colocando em causa a ambição de se tornar protagonista no próximo ciclo de regulamentos.

A Fórmula 1 entra assim num momento de tudo ou nada para a Aston Martin. O próximo capítulo será escrito na Hungria, onde uma resposta positiva poderá relançar o projecto de Newey e consolidar Alonso como peça-chave da equipa. Caso contrário, a ameaça de um “annus horribilis” prolongado paira sobre Silverstone, obrigando a redefinir estratégias e expectativas para o futuro imediato.

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