O polémico Grande Prémio do Mónaco de Fórmula 1 ficou marcado por uma vaga de penalizações, com George Russell a ser um dos protagonistas principais após ter visto a sua corrida arruinada por uma sucessão de sanções relacionadas com o excesso de velocidade na via das boxes. Depois de uma penalização inicial de cinco segundos, mal cumprida durante a paragem nas boxes, Russell foi ainda forçado a cumprir uma passagem pela via das boxes, o que lhe custou qualquer hipótese de pontuar. O piloto da Mercedes terminou assim fora dos pontos, em 12.º lugar, numa corrida dominada por decisões dos comissários e sucessivas revisões.
Na frente da prova, Pierre Gasly parecia ter garantido o primeiro pódio da temporada para a Alpine, mas as duas penalizações de cinco segundos atribuídas pela mesma infracção atiraram-no para o sétimo posto quando os tempos foram corrigidos. No entanto, a Alpine não se conformou e apresentou um pedido de revisão, que foi analisado já nos preparativos para o Grande Prémio de Barcelona. Após uma avaliação detalhada, os comissários concluíram que existira um erro no sistema de cronometragem da FOM, já que a medição da velocidade na via das boxes estava incorrecta e sobrestimava a velocidade real de Gasly. Com este novo dado, os comissários decidiram retirar as penalizações e devolver o terceiro lugar ao francês, relegando Isack Hadjar para fora do pódio na sua estreia pela Red Bull.
Este volte-face provocou uma onda de reações e levou a Red Bull, agora prejudicada, a avançar também com um pedido de revisão. A McLaren seguiu o mesmo caminho em nome de Oscar Piastri, igualmente afetado por penalizações durante a corrida no Principado. O ambiente de incerteza e contestação tornou-se o tema dominante na semana que antecedeu o Grande Prémio de Espanha, com os bastidores da Fórmula 1 ao rubro e as equipas a mobilizarem os respetivos departamentos jurídicos.
A Mercedes, depois de ter ponderado cuidadosamente a situação, oficializou o seu próprio pedido de revisão relativamente à penalização de Russell. Toto Wolff, chefe de equipa, explicou antes do fim de semana em Barcelona: “As conversas continuam, mas precisamos de avaliar tudo. Acabei de sair de uma chamada com os nossos advogados para perceber o que podemos fazer pelo George. Uma passagem pela via das boxes equivale a cerca de 20 segundos de tempo de corrida. O que representariam 20 segundos a mais para o resultado dele? Achamos que realisticamente temos hipótese de reverter o desfecho? Não creio, mas temos de tentar se houver a mínima possibilidade de o repor à posição anterior. Calculámos que poderia ser P3 ou melhor.” Wolff demonstrava assim o empenho da equipa em lutar por justiça desportiva, mas também uma certa resignação perante a improbabilidade de alterar o resultado.
No entanto, menos de 24 horas depois de apresentar o pedido de revisão, a Mercedes recuou e comunicou oficialmente à FIA a desistência da contestação, decisão rapidamente tornada pública pelos comissários: “Os Comissários foram informados pela Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team de que retiraram o pedido de Revisão relativo às decisões dos Comissários do Grande Prémio do Mónaco de 2026, violação do Artigo B1.6.3a do Regulamento FIA F1 em relação ao Carro 63.” Desta forma, George Russell mantém a 12.ª posição e a Mercedes encerra este capítulo, focando-se no restante campeonato.
A polémica em torno das penalizações no Mónaco terá certamente impacto nas próximas provas, com as equipas a exigirem maior fiabilidade e transparência nos sistemas de controlo de velocidade nas boxes. O regresso de Gasly ao pódio revitaliza a Alpine numa temporada complicada, enquanto Hadjar, Piastri e Russell ficam a lamentar decisões que escapam ao seu controlo. O Campeonato do Mundo segue agora para a próxima ronda em Barcelona, onde se espera que as atenções regressem ao asfalto e a luta pelos pontos se mantenha ao rubro, com as equipas a aprenderem com os erros recentes e a FIA sob pressão para garantir decisões mais justas e consistentes.
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