Ferrari deve apostar em Hamilton para vencer título de F1 em 2026, defende Villeneuve

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Lewis Hamilton conquistou a sua primeira vitória ao serviço da Ferrari no Grande Prémio de Barcelona-Catalunha, relançando as aspirações do piloto britânico ao título mundial de Fórmula 1 de 2026. O triunfo permitiu-lhe reduzir a diferença para o líder do campeonato, Kimi Antonelli (Mercedes), ficando agora a 41 pontos do jovem italiano. Esta reviravolta surge numa altura crucial para a Scuderia, especialmente depois de duas desistências consecutivas de Charles Leclerc, que deixou o monegasco a 30 pontos do seu companheiro de equipa e afastado das contas do título.

O Grande Prémio de Barcelona-Catalunha, disputado no tradicional traçado espanhol, revelou-se palco de afirmação para Hamilton, que cruzou a meta com uma vantagem de 3,4 segundos sobre Antonelli, após 66 voltas de ritmo intenso. George Russell (Mercedes) fechou o pódio, mantendo a pressão sobre os líderes do campeonato. Com esta vitória, Hamilton soma agora 157 pontos, contra os 198 de Antonelli, enquanto Leclerc vê a sua candidatura ao título seriamente comprometida, permanecendo nos 127 pontos. A Ferrari, que vinha de uma série de resultados irregulares, encontra finalmente no britânico um trunfo decisivo para enfrentar o domínio da Mercedes nesta fase da temporada.

Jacques Villeneuve, campeão do mundo em 1997, foi perentório nas suas declarações ao canal britânico Sky Sports, antecipando um cenário de decisões estratégicas para Maranello: “O Lewis sabe como vencer e sabe o que é preciso fazer. Se sentir que há uma oportunidade, não vai deixar escapar. Penso que é aí que pode fazer a diferença. A Mercedes não está em posição de escolher entre os seus pilotos, mas a Ferrari está, porque tem de concentrar-se no Lewis se quiser ter uma mínima hipótese de ganhar — a decisão é fácil, já que o Leclerc está bastante atrás no campeonato”, afirmou Villeneuve, reforçando a importância de apostar todas as fichas no heptacampeão.

A recente inversão de forma de Hamilton, após um início difícil com a Ferrari em 2025, é atribuída por Villeneuve a alterações profundas na estrutura técnica da equipa, incluindo a troca da equipa de engenharia do piloto britânico e o impacto das novas regras técnicas introduzidas este ano. “O Leclerc teve tempo para construir a equipa à sua volta e não o fez”, acusou o canadiano. “Quando chegou à Ferrari, vinha de uma época mediana na Sauber e, de repente, deram-lhe um contrato de estrela, como se fosse campeão do mundo. Talvez tenha sido cedo demais. Nunca teve realmente de construir nada à sua volta, estava tudo dado. Era rápido, ganhava algumas corridas, batia o colega de equipa, que era o Vettel, e todos ficavam satisfeitos. Mas, assim que o Lewis despertou e fez do carro e da equipa a sua casa, o Leclerc não estava preparado para isso”, frisou Villeneuve, sublinhando o impacto psicológico da chegada de Hamilton a Maranello.

Fred Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, também comentou o momento de forma do britânico: “Acreditávamos que o Lewis traria uma mentalidade vencedora e experiência. A equipa respondeu bem às mudanças e agora estamos a colher os frutos.” Hamilton, por seu lado, mostrou-se cauteloso mas determinado: “Sinto-me cada vez mais confortável com o carro e com a equipa. Foi um longo processo de adaptação, mas estamos a trabalhar bem e acredito que ainda podemos lutar pelo título.”

Com a próxima ronda marcada para o Red Bull Ring, na Áustria, entre 26 e 28 de Junho, a pressão aumenta sobre a Ferrari para definir as suas prioridades. Uma aposta declarada em Hamilton pode ser a única via realista para enfrentar a consistência dos Mercedes de Antonelli e Russell, que ocupam actualmente os dois primeiros lugares do campeonato. O campeonato ganha assim uma nova dinâmica, com a rivalidade interna em Maranello a prometer ainda mais emoções até ao final da época.

A luta pelo título de 2026 está em aberto e a Ferrari terá de tomar decisões difíceis se quiser pôr fim ao jejum de campeonatos e devolver a glória a Maranello. A próxima prova será determinante para perceber se a estratégia de concentração de recursos em Hamilton resulta, ou se Leclerc ainda poderá surpreender. Para já, é o britânico quem encarna as esperanças tifosi numa temporada em que a gestão interna pode ser tão decisiva como o desempenho em pista.

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