A polémica em torno do pódio do Grande Prémio do Mónaco voltou a agitar o paddock da Fórmula 1, depois de Pierre Gasly ter recuperado o terceiro lugar devido a um erro de medição no limite de velocidade da via das boxes. Esta decisão apanhou de surpresa não só os adeptos, mas também as equipas Mercedes, McLaren e Red Bull, que já avançaram com pedidos formais de revisão do resultado, sentindo-se prejudicadas pelo desfecho insólito.
Na corrida de domingo nas ruas do Mónaco, Gasly cruzou a meta em terceiro pela Alpine, mas duas penalizações de cinco segundos por excesso de velocidade na via das boxes relegaram-no para a sétima posição. Isack Hadjar, da Red Bull, foi inicialmente promovido ao pódio. Contudo, Alpine recorreu à fórmula do Right of Review, alegando que a medição do timing loop na via das boxes estava incorrecta, argumento que acabou aceite pela FIA. Assim, Gasly voltou ao terceiro lugar, deixando Russell (Mercedes), Hamilton (Mercedes) e Piastri (McLaren) em clara desvantagem, já que os três cumpriram penalizações baseadas nos mesmos valores incorretos.
No rescaldo, Mercedes, McLaren e Red Bull avançaram imediatamente com pedidos de revisão, contestando a equidade da decisão. Os tempos de penalização aplicados afetaram diretamente a classificação final: George Russell terminou a escassos 0,9 segundos do pódio, Oscar Piastri ficou a 1,2 segundos, enquanto Lewis Hamilton perdeu terreno no campeonato devido à penalização. O erro técnico da FIA, admitido já após a prova, lançou dúvidas sobre a justiça desportiva e reacendeu o debate sobre a tecnologia utilizada na medição de infrações em pista.
James Vowles, diretor da Williams, não hesitou em apoiar as equipas que contestam a decisão. Em declarações à Sky Sports F1, Vowles explicou: “Aqui está a minha opinião, não é a primeira vez que isto acontece. Em Singapura, quando estava noutra equipa, aconteceu exatamente a mesma coisa, em que se pode atalhar a via das boxes. Se assistirem às imagens on-board, veem que os pilotos não estão a conduzir dentro das linhas brancas; estão a atravessar as linhas brancas, o que reduz a distância percorrida.” O responsável acrescentou ainda: “Em relação ao Mónaco, fomos multados por excesso de velocidade na sexta-feira, analisámos e percebemos o que se passava, por isso baixámos o nosso limitador de velocidade. Ninguém afina o limitador para os 60 km/h certinhos, está sempre abaixo. O meu conselho é conduzir na sexta e sábado exatamente como vão conduzir no domingo, não mudem a trajetória para não serem apanhados desprevenidos.”
Sobre a decisão da FIA de devolver o pódio a Gasly, Vowles foi incisivo: “Fiquei surpreendido com o restabelecimento do pódio ao Gasly. Sinceramente, a nós não nos afeta, mas cria uma confusão tremenda. O que se faz com o George? E com o Piastri, que nessas circunstâncias devia ter subido ao pódio? É este caos que não me deixa confortável.” Questionado sobre os apelos de Mercedes, McLaren e Red Bull, foi claro: “Apoio-os totalmente.”
A polémica ganha ainda maior relevância quando se analisam as implicações para o campeonato. Lewis Hamilton, depois de perder pontos preciosos no Mónaco, desceu ao segundo lugar do Mundial de Pilotos, atrás de Kimi Antonelli. A Red Bull, privada do pódio de Hadjar, vê a luta pelo título de Construtores intensificar-se, sobretudo numa fase em que cada ponto faz diferença. Já a Alpine, beneficiada pela reviravolta, soma um resultado moralizador numa época marcada por inconsistência.
Com a próxima ronda do Mundial marcada para o Circuito de Barcelona-Catalunha, as atenções voltam-se agora para as decisões da FIA e eventuais alterações à classificação do Mónaco. Em jogo está não só a justiça desportiva, mas também a credibilidade dos sistemas de monitorização da Fórmula 1. As equipas envolvidas prometem continuar a lutar nos bastidores, enquanto pilotos e adeptos aguardam desfecho para um caso que poderá marcar a época. O que é certo é que, com o campeonato cada vez mais apertado, cada decisão vinda das instâncias superiores pode ser determinante na luta pelos títulos.
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