Christopher Bell viu o triunfo fugir-lhe das mãos no derradeiro momento do Grande Prémio de Pocono, quando uma aposta arrojada na gestão de combustível acabou por o forçar a entrar nas boxes na última volta, permitindo a Denny Hamlin conquistar a vitória. O piloto do Toyota #20 liderou as voltas finais, mas o depósito praticamente vazio tornou impossível resistir à pressão crescente dos adversários. A estratégia quase resultou num desfecho épico, mas acabou por se transformar numa lição amarga sobre os riscos das tácticas extremas na NASCAR Cup Series.
No traçado de Pocono, Bell esteve a comandar nas últimas voltas, mas a gestão agressiva do combustível começou a ditar o seu ritmo. Depois de uma paragem na volta 108, Bell manteve um andamento forte nas 20 voltas seguintes, mas a partir da volta 137 foi obrigado a adoptar uma postura conservadora, abrandando drasticamente para tentar sobreviver até ao final. Brad Keselowski, veterano da modalidade e analista da prova, explicou em detalhe: “Ele começa a poupar combustível na volta 137. O que dá para ver é que o carro anda muito mais atrás, abranda imenso; nota-se claramente na linha do acelerador. Ele levanta o pé, mantém a mesma mudança, e o ritmo desce de 53,83 segundos por volta para 54,62.” Esta diferença de cerca de oito décimos por volta permitiu a aproximação de Denny Hamlin, que acabou por passar para a liderança já muito perto do final.
A equipa de Bell tinha como meta, pelo menos, segurar um quarto lugar, mas o jogo de risco deixou o piloto vulnerável não só a Hamlin, como também a William Byron e Tyler Reddick. A esperança de Bell era uma entrada do safety car que equilibrasse as contas, mas essa bandeira amarela nunca apareceu. Quando finalmente foi obrigado a entrar nas boxes na última volta, já perdia cerca de dois segundos por volta para o ritmo normal, e a possibilidade de um pódio evaporou-se. “A estratégia até era boa”, analisou Keselowski após a corrida. “Se tivesse havido uma bandeira amarela a dez voltas do fim, teria dado a vitória ao Bell. Já vimos isto resultar antes, como aconteceu com o Chase Briscoe.”
Bell, da Joe Gibbs Racing, enfrenta agora um verdadeiro teste de resistência física e mental. Depois do desafio de Pocono, o calendário reserva-lhe dois fins-de-semana consecutivos em circuitos citadinos e mistos – primeiro em San Diego, no inédito Coronado Street Circuit, e depois em Sonoma. O problema agrava-se porque Bell ainda recupera de uma fractura no pulso esquerdo, consequência de um acidente no Michigan International Speedway uma semana antes, quando um toque de Chase Elliott o projectou violentamente contra as barreiras SAFER. Em Pocono, o facto de só haver curvas para a esquerda permitiu-lhe gerir o esforço, mas nos próximos circuitos terá de virar para ambos os lados, aumentando a exigência física e o risco de agravar a lesão.
Apesar do desaire, esta exibição mantém Bell na luta pelo campeonato, mas deixa-o sob pressão, especialmente com adversários como Hamlin, Byron e Reddick a ganhar pontos e confiança. As próximas provas vão ser decisivas para perceber se Bell consegue superar as limitações físicas e recuperar o ímpeto necessário para continuar a disputar o título. Em contexto de campeonato, a vitória de Hamlin reforça a sua posição entre os favoritos, enquanto Bell terá de apostar num rápido regresso à melhor forma para evitar perder terreno na classificação.
A próxima paragem é já no desafiante traçado urbano de San Diego, onde a gestão física e estratégica volta a estar no centro das atenções. Os fãs portugueses de automobilismo terão todos os motivos para acompanhar de perto o desempenho de Bell e dos principais protagonistas da NASCAR Cup Series, numa fase crucial da temporada em que cada decisão pode ditar o sucesso ou o fracasso de uma época inteira.
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