Lando Norris – “O que interessa mesmo é aguentar o ritmo nos stints longos, e aí o George esteve particularmente forte nos médios”

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Lando Norris surpreendeu ao colocar o McLaren no topo da tabela de tempos na segunda sessão de treinos livres do Grande Prémio de Espanha, superando a concorrência directa num circuito onde a equipa britânica esperava dificuldades. Depois de um fim-de-semana cinzento no Mónaco, onde o MCL38 foi claramente o quarto carro do pelotão, o regresso à boa forma em Barcelona levanta a questão: será este resultado um prenúncio de uma verdadeira recuperação da McLaren ou apenas um lampejo circunstancial?

Na sessão de sexta-feira, Norris foi o mais rápido em pista, completando a sua melhor volta em 1m13.081s, deixando Max Verstappen a cerca de três décimos e Charles Leclerc logo atrás. No entanto, a análise dos ritmos de corrida revela uma história diferente: George Russell, da Mercedes, estabeleceu o ritmo mais forte nos long runs, com uma média de 1m21.195s em pneus macios durante quatro voltas. Kimi Antonelli, também da Mercedes, ficou pouco atrás com 1m21.425s, enquanto Leclerc, em pneus médios, registou 1m21.696s em sete voltas. O melhor McLaren, conduzido por Norris, ficou-se pelos 1m22.029s em oito voltas, evidenciando alguma desvantagem no ritmo sustentado. Oscar Piastri, seu colega de equipa, também não conseguiu entrar no top-5 dos ritmos mais consistentes.

A importância deste resultado não se esgota nos tempos de sexta-feira. O Circuito de Barcelona-Catalunha é tradicionalmente um barómetro do verdadeiro potencial dos carros, devido à variedade de curvas rápidas e médias, bem como a exigente gestão dos pneus. Com a McLaren a estrear finalmente a nova asa dianteira – introdução adiada nas duas provas anteriores – Norris reconheceu que o carro se sente mais à vontade neste traçado: “É um layout tão diferente das últimas semanas que nem se pode comparar… Sinto que a curva mais rápida nos últimos circuitos é aqui das mais lentas. Tudo é mais aberto, curvas largas e longas em vez de apertadas e lentas. Claramente, isso favorece o nosso carro”, comentou o britânico após o FP2. Ainda assim, Norris admitiu que “há muitos problemas, incluindo vibrações”, e sublinhou: “O carro não está perfeito, mas ainda assim conseguimos bons tempos. Isso é um bom sinal, mas queremos melhorar para amanhã.”

O contexto do campeonato não pode ser ignorado. A luta pelo segundo lugar entre McLaren e Ferrari está ao rubro, com a Mercedes a tentar intrometer-se após mostrar sinais de recuperação. O ritmo de corrida dos rivais directos preocupa a McLaren, já que a degradação dos pneus foi evidente em todas as equipas e compostos – uma variável que pode ser decisiva na corrida de domingo. A Mercedes, por exemplo, esteve especialmente animada com a consistência de Russell em pneus médios, como referiu o director-adjunto Bradley Lord: “Esta vai ser uma verdadeira prova de fogo para perceber quem consegue gerir melhor os pneus ao longo das voltas. O que interessa mesmo é aguentar o ritmo nos stints longos, e aí o George esteve particularmente forte nos médios.”

Lewis Hamilton, que não brilhou nos tempos de volta rápida nem nos stints longos, descreveu as condições como “provavelmente as de menor aderência que já experimentei em Barcelona” e acrescentou: “Os pneus só duram uma volta.” Também Paul Monaghan, engenheiro-chefe da Red Bull, foi pragmático sobre o desempenho da equipa: “Falta-nos equilíbrio, falta-nos aderência. Nada disto é surpreendente, creio que todos estamos a enfrentar os mesmos problemas. É um circuito exigente e está muito calor. O ritmo que conseguirmos manter, apesar destes obstáculos, será o factor decisivo.”

A Pirelli trouxe para Barcelona compostos um degrau mais macios do que o habitual – C2 (duro), C3 (médio) e C4 (macio) –, com o objectivo de incentivar mais paragens nas boxes e obrigar as equipas a explorar estratégias alternativas. Entre os favoritos, apenas Verstappen testou os duros em ritmo de corrida, obtendo uma média de 1m21.911s, o que demonstra que o Red Bull pode ser uma carta fora do baralho na volta lançada, mas não está longe nas simulações de corrida.

Com a qualificação a realizar-se este sábado e a corrida no domingo, a incerteza paira sobre quem conseguirá manter o ritmo com os pneus a degradar-se rapidamente. A McLaren mostrou sinais positivos, mas o ritmo de corrida ainda deixa dúvidas quanto à sua capacidade de lutar pela vitória. A Ferrari e a Mercedes surgem como os principais candidatos a desafiar Verstappen, que, apesar de discreto nos treinos, pode surpreender quando contar. O próximo desafio será perceber quem conseguirá transformar o bom desempenho de sexta-feira numa verdadeira vantagem competitiva na luta pelo pódio e pelos pontos decisivos para o campeonato.

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