O Ferrari 499P da AF Corse, vencedor em título, ficou afastado da luta pela Hyperpole para as 24 Horas de Le Mans, após Phil Hanson não conseguir colocar o n.º 83 entre os oito primeiros da qualificação. Numa sessão marcada por incidentes e desafios inesperados, o britânico viu-se relegado para o fundo do pelotão Hypercar, acompanhado pelos dois Peugeot 9X8, que também falharam o acesso à decisiva sessão de quinta-feira à noite.
Os resultados finais da qualificação Hypercar deixaram Ferdinand Habsburg e o Alpine A424 n.º 35 no topo da tabela. Habsburg assinou uma impressionante volta de 3:23.135 minutos, superando por escassos 0,013 segundos o Cadillac V-Series.R n.º 12 da Hertz Team JOTA, pilotado por Louis Deletraz. Jordan Taylor, ao volante do Wayne Taylor Racing Cadillac, garantiu o terceiro tempo mais rápido, confirmando o domínio da marca norte-americana, que colocou três carros nos cinco primeiros. René Rast, com o BMW M Hybrid V8 da Team WRT, foi o melhor entre os BMW, fechando em quarto, logo seguido por Sébastien Bourdais no terceiro Cadillac. Nos lugares de acesso à Hyperpole, os Genesis GMR-001, estreantes em Le Mans, também surpreenderam: Dani Juncadella e Pipo Derani colocaram os seus carros em 11.º e 13.º, respectivamente.
A sessão não correu de feição a Phil Hanson. O piloto britânico da AF Corse teve uma saída de pista na aproximação à Tertre Rouge, que comprometeu o seu ritmo. Pouco depois, perdeu uma volta por violação dos limites de pista e voltou a infringir o regulamento na mesma área, hipotecando qualquer hipótese de recuperação. O Ferrari n.º 83 vai assim partir de uma modesta 17.ª posição, imediatamente atrás do Peugeot n.º 93 e à frente do Peugeot n.º 94, ambos afastados também da Hyperpole. Os Ferrari de fábrica, apesar de dificuldades, conseguiram ainda garantir passagem ao serem 14.º e 15.º mais rápidos.
Nas categorias LMP2 e LMGT3, também houve surpresas e prestações de destaque. Doriane Pin, ao volante do Oreca 07 Gibson n.º 30 da Duqueine Team, protagonizou uma volta canhão em 3:34.662, deixando a concorrência a mais de meio segundo. Ian Aguilera, jovem promessa de 19 anos da CLX Motorsport, assegurou o segundo tempo da classe, seguido por Bijoy Garg da Inter Europol Competition. Entre os LMP2 Pro-Am, PJ Hyett destacou-se com o 11.º tempo geral, garantindo o melhor resultado entre os amadores. O primeiro LMP2 fora da Hyperpole foi o Proton Competition n.º 44, que partirá da 16.ª posição da classe. Michael Jensen (Algarve Pro Racing), Fred Poordad (RD Limited) e John Farano (DKR Engineering) também ficaram pelo caminho.
Na LMGT3, a luta pela liderança foi renhida até ao último minuto. Peter Dempsey levou o Corvette Z06 GT3.R n.º 34 do Racing Team Turkey by TF ao topo da tabela, batendo Eric Powell no Ford Mustang GT3 EVO n.º 77 da Proton Competition por 0,207 segundos. Gray Newell, no Aston Martin Vantage GT3 Evo da Heart of Racing, assinou o terceiro tempo. James Cottingham conseguiu uma última volta decisiva, colocando o Porsche 911 GT3 R Evo n.º 91 da Manthey na quarta posição, enquanto o seu colega Yasser Shahin assegurou a passagem à Hyperpole com o 15.º tempo. Entre os destacados a avançar figuram os dois BMW M4 GT3 EVO da Team WRT, conduzidos por Darren Leung e Anthony McIntosh, bem como o segundo Mustang da Proton, pilotado por Steffano Gattuso. Pelo contrário, os McLaren 720S GT3 Evo da Garage 59, tripulados por Antares Au e Alexander West, não conseguiram o apuramento e vão alinhar em 17.º e 23.º da classe. Ben Keating, nome habitual nos lugares da frente, também ficou de fora, com o Corvette n.º 33 da TF Sport a arrancar de 18.º.
O desfecho da qualificação traz implicações diretas para o equilíbrio do campeonato do Mundo de Resistência, com a Ferrari a ver-se obrigada a uma recuperação hercúlea, enquanto a Cadillac e a Alpine surgem como candidatas ao triunfo absoluto. A rivalidade entre marcas intensifica-se e a ameaça de novos recordes paira no ar, especialmente após o ritmo demonstrado por Habsburg e Deletraz.
No final da sessão, Phil Hanson, visivelmente desapontado, comentou: “Foi um dia frustrante. Tive dificuldades com o equilíbrio do carro e os erros acabaram por ditar o nosso afastamento. Agora resta-nos focar na corrida e trabalhar em conjunto para recuperar posições.” Do lado da Alpine, Ferdinand Habsburg reagiu com confiança: “Sabíamos que tínhamos ritmo para lutar pela frente. A equipa fez um excelente trabalho e estamos prontos para a batalha da Hyperpole.” Já Louis Deletraz, da Hertz Team JOTA, destacou o equilíbrio do pelotão: “Uma diferença de milésimos mostra o quão competitivo está este ano. Vamos dar tudo na Hyperpole.”
O próximo ponto alto será a sessão de Hyperpole, marcada para quinta-feira à noite, onde se decidirá a grelha de partida definitiva. Antes disso, a tradicional sessão de treinos nocturnos de duas horas permitirá às equipas afinar estratégias e set-ups para a mítica prova de 24 horas. Com as cartas baralhadas e diversas equipas de topo fora do grupo da frente, a expectativa cresce para uma das edições mais imprevisíveis dos últimos anos. Para a Ferrari, o desafio é agora de escalada; para a Alpine e a Cadillac, a oportunidade de consolidar a sua candidatura ao triunfo em Le Mans está mais viva do que nunca.
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