A Aston Martin atravessou um dos seus fins-de-semana mais complicados da época no Grande Prémio do Mónaco, conseguindo apenas um ponto graças a penalizações aplicadas a outros pilotos, enquanto voltavam a debater-se com problemas graves de subviragem e falta de ritmo. A incapacidade de extrair performance do chassis no traçado apertado do principado reacendeu dúvidas sobre o potencial real do monolugar, mesmo perante as expectativas criadas para a nova era técnica de 2026.
No rescaldo da prova monegasca, o embaixador da equipa, Pedro de la Rosa, admitiu que a Aston Martin poderá, no melhor cenário, ser apenas o quinto chassis mais rápido em determinados circuitos. “Acho que em alguns circuitos podemos ser o quinto mais rápido, noutros poderemos estar ainda mais abaixo”, avaliou o espanhol, sublinhando a desilusão interna com o actual patamar competitivo. “Independentemente da posição em que estivermos, não é uma posição que nos satisfaça. Temos de ser pacientes, porque sabemos que vêm aí coisas interessantes. Temos de compreender o regulamento o melhor possível, dentro das limitações actuais, para que, quando chegar o novo pacote, tenhamos mais ferramentas para extrair tudo.”
No Mónaco, Fernando Alonso e Lance Stroll enfrentaram dificuldades desde a qualificação, ficando atrás até da Cadillac – apenas pela segunda vez esta época – e nunca conseguiram encontrar uma afinação eficaz para combater a severa subviragem de que o AMR24 padeceu nas curvas lentas. “Esperávamos estar um pouco melhor aqui, mas encontrámos uma subviragem muito severa a meio das curvas lentas, que a equipa tentou corrigir de todas as formas possíveis ao nível da afinação”, explicou de la Rosa após a prova. “Mas é algo mais fundamental do que simples mudanças de set-up. Este nível de subviragem não o sentimos em nenhuma outra corrida. Isso apanhou-nos completamente desprevenidos. A equipa fez tudo o que podia, mexeu em tudo mecânica e aerodinamicamente, mas não foi suficiente. O carro manteve-se muito difícil de guiar, especialmente para mudar de direcção e apontar correctamente nas curvas lentas. Foi aí que mais tempo perdemos no Mónaco.”
Apesar deste contratempo, de la Rosa procurou relativizar a gravidade da situação, atribuindo parte do problema à especificidade do traçado e ao comportamento dos pneus. “É difícil dizer neste momento se o problema vai voltar a surgir. Não o sentimos noutros circuitos muito diferentes do Mónaco, por isso mantemos alguma confiança. Temos de analisar todos os dados desta corrida e, se voltarmos a encontrar este problema, aí teremos mais ferramentas para o resolver. Mas ficaria surpreendido se voltássemos a ter este nível de subviragem, crónica a meio de curva, noutro circuito, porque não há nada como o Mónaco. Este ano, até o pneu macio mostrou-se muito duro para este traçado, e muitas equipas – incluindo nós – tiveram de trabalhar muito os pneus da frente para os pôr à temperatura certa. Por isso, ficaria surpreendido se estas questões de equilíbrio se repetissem nas próximas corridas.”
A Aston Martin atravessa assim uma fase de transição delicada. A mudança para motores Honda só terá efeito em 2026, mas o próprio Adrian Newey, agora responsável pelo novo chassis, já alertou para atrasos no desenvolvimento. “A realidade é que não colocámos um modelo do carro de 2026 no túnel de vento antes de meados de Abril, enquanto a maior parte dos nossos rivais já testava desde o final da proibição de testes aerodinâmicos em Janeiro do ano passado”, explicou Newey. “Isso deixou-nos quatro meses atrás dos outros, obrigando a um ciclo de pesquisa e desenvolvimento muito, muito comprimido.”
Olhando para o campeonato, este resultado deixa a Aston Martin sob pressão, com equipas como a McLaren, Ferrari e Mercedes a consolidarem posições e a ameaçarem isolar-se na luta pelo top-3 de construtores. O ponto conquistado no Mónaco permitiu manter alguma distância face à perseguição do pelotão intermédio, mas evidencia as fragilidades actuais da formação de Silverstone.
A próxima ronda do Mundial de Fórmula 1 leva o pelotão a Montreal, para o Grande Prémio do Canadá, onde se espera que o traçado mais rápido e fluido traga oportunidades diferentes para o AMR24. A Aston Martin terá de resolver rapidamente as questões de equilíbrio e afinação, caso queira evitar perder terreno para rivais directos e manter a ambição de, pelo menos, lutar por pódios esporádicos até à chegada da nova geração de monolugares. A luta pelo desenvolvimento técnico e pela compreensão dos regulamentos será decisiva para a equipa recuperar competitividade e não se resignar ao papel de quinta força do campeonato.
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