A Peugeot surpreendeu em Spa-Francorchamps ao conquistar a pole position, mas a equipa francesa admite que dificilmente repetirá esse feito na mítica 24 Horas de Le Mans. Emmanuel Esnault, chefe de equipa da Peugeot, foi claro ao afirmar que o objectivo é mais modesto para o maior palco do Mundial de Resistência, depois de nos testes oficiais do passado domingo o melhor tempo da Peugeot ter ficado a quase um segundo da referência.
No derradeiro dia de testes antes da prova rainha do FIA World Endurance Championship, o Peugeot 9X8 número 94, pilotado por Malthe Jakobsen, registou uma volta em 3:27.208 minutos. Este tempo colocou o construtor francês apenas no 11.º posto da tabela combinada, a 0,915 segundos do topo. Para referência, Jakobsen já tinha impressionado na qualificação de Imola — onde terminou a apenas 0,073 segundos da pole — e, em Spa, assinou a primeira pole position da era Hypercar para a Peugeot. Contudo, a realidade em Le Mans revela-se bem mais exigente.
A competitividade do pelotão Hypercar está a intensificar-se, com 18 carros capazes de lutar por lugares cimeiros e margens cada vez mais apertadas. O próprio Esnault reconheceu: “Vamos ser muito honestos, temos de ser razoáveis. O objectivo é colocar um carro na Hyperpole. Sabemos que vai ser difícil; preferimos definir metas sensatas e estar próximos delas do que esperar milagres.” O responsável referiu ainda que Spa foi particularmente favorável devido às especificidades do traçado belga: “Sabíamos que Spa era um circuito mais favorável. Aqui, em Le Mans, tudo é uma incógnita, temos de continuar a trabalhar com seriedade.”
O contexto do campeonato não podia ser mais exigente para a Peugeot, que vê a concorrência cada vez mais próxima. Esnault sublinhou como os tempos do dia de testes demonstram o equilíbrio do plantel: “No ano passado, na sessão da manhã, 21 carros estavam separados por 4,8 segundos. Este ano, 18 carros ficaram dentro de três segundos e, à tarde, a diferença foi ainda menor. Isto mostra que todos evoluíram e conhecem melhor os seus carros.” O chefe de equipa não esconde uma ponta de orgulho pelo desempenho em Spa, mas mantém os pés bem assentes na terra: “Traz alguma confiança, mostra que quando tudo se alinha conseguimos extrair rendimento do carro. Mas Le Mans é outro campeonato, circuito longo e rápido. Este ano é particularmente difícil, até porque há quem ainda esteja a esconder jogo.”
Paul di Resta, um dos pilotos da Peugeot, alinhou pelo mesmo discurso de prudência. Questionado sobre o balanço do dia de testes, respondeu: “Ficámos satisfeitos por termos tido um dia praticamente sem problemas, mas só dá para ficar verdadeiramente satisfeito quando qualificamos nos dois ou três primeiros lugares e temos possibilidades reais de lutar por isso. Temos de ser realistas quanto à nossa posição e aos desafios que nos esperam.” O piloto escocês reforçou ainda que a equipa “fez o que era possível” e que agora resta “prosseguir o trabalho e ver onde isso nos leva”.
Além do objectivo desportivo, a Peugeot aproveitou o teste para recolher dados sobre os novos pneus Michelin, que serão obrigatórios a partir de 2026. Esnault destacou que “houve aspectos interessantes”, acrescentando: “Não parece ganhar muita aderência adicional, mas a degradação aparenta ser menor do que aquela que experimentámos anteriormente com este carro.”
Com o arranque oficial das 24 Horas de Le Mans à porta, a Peugeot encara a prova com expectativas moderadas, ciente de que as probabilidades de pole são remotas. O foco passa por garantir, pelo menos, um carro na Hyperpole, e depois disputar a corrida com inteligência estratégica, confiando na fiabilidade e na consistência dos pilotos. O campeonato segue assim para o seu ponto alto, com a Toyota, Ferrari, Porsche e Cadillac a surgirem como favoritos, mas a Peugeot determinada em surpreender, mesmo que as contas do Mundial Hypercar se tornem mais difíceis. Depois de Le Mans, restarão apenas três provas para fechar a temporada e cada ponto será crucial para definir o desfecho do campeonato mais competitivo dos últimos anos.
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