Kimi Antonelli voltou a surpreender o mundo da Fórmula 1 ao conquistar a sua quinta vitória consecutiva no Grande Prémio do Mónaco, consolidando-se como o mais jovem líder de sempre do Campeonato do Mundo. O jovem italiano de 19 anos, piloto da Mercedes, aumentou a vantagem sobre os seus rivais diretos e respondeu com frieza aos jogos psicológicos sugeridos pelo colega de equipa, George Russell, que declarou publicamente que o título “está nas mãos de Antonelli” e que só ele o poderá perder.
No circuito citadino de Monte Carlo, Antonelli dominou do início ao fim, liderando desde a partida e controlando a corrida mesmo após uma interrupção provocada pelo acidente de Charles Leclerc. Terminou com um avanço significativo, tendo dobrado todos os adversários excepto os dois Ferrari, que ocuparam o segundo e terceiro lugares. Com esta vitória, Antonelli soma agora cinco triunfos em Grandes Prémios consecutivos, todos conquistados a partir da pole position – um feito inédito na história da modalidade. No final, o italiano lidera o Campeonato de Pilotos com 66 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton, enquanto George Russell caiu para terceiro, a dois pontos do compatriota.
A ascensão meteórica de Antonelli está a reescrever os livros de recordes da Fórmula 1. Com 19 anos e 216 dias, tornou-se no mais jovem piloto de sempre a liderar o campeonato, ultrapassando lendas da modalidade. Os especialistas apontam já para um duelo interno entre os dois pilotos da Mercedes, com Russell a tentar transferir a pressão para o jovem colega. No entanto, Antonelli recusa entrar nesse jogo: “Não é a primeira vez que vemos jogos psicológicos. As pessoas tentam sempre passar a pressão para o adversário, seja um rival externo ou um colega de equipa – não faz grande diferença. Felizmente, essas coisas não me afectam”, afirmou o italiano à margem do Grande Prémio do Mónaco.
Antonelli sublinhou ainda a sua abordagem focada no trabalho de cada corrida: “Ainda só vamos no primeiro terço da época, acho que é claramente demasiado cedo para se começar a falar em decisões de título. Trabalho corrida a corrida. No final de cada fim-de-semana olho para a classificação, mas logo depois o foco está na prova seguinte. Quando baixo a viseira e entro em pista, não penso no campeonato. Corro para fazer o melhor trabalho possível. E, como já disse, ainda não ganhei nada, por isso não tenho nada a perder.” As suas palavras mostram maturidade e uma capacidade rara de lidar com a pressão mediática e interna.
Também Toto Wolff, director da Mercedes, elogiou a performance do italiano, destacando a frieza e o controlo demonstrados nas ruas de Monte Carlo. “O que o Kimi consegue fazer é especial. Tem controlo total do carro e das emoções. Não perde a calma mesmo quando o piloto de trás está apenas a um segundo e meio, porque é capaz de mudar de ritmo e aumentar a diferença quando necessário. É verdadeiramente incrível”, afirmou o austríaco. Wolff revelou ainda que, durante a corrida, tanto ele como o engenheiro de pista Peter Bonnington tentaram pedir a Antonelli para abrandar, mas perceberam rapidamente que o ritmo “impressionante” do italiano era, afinal, o seu ritmo de conforto. “O Bono disse-lhe primeiro, depois repeti. Acrescentei: ‘Tens de lhe dizer que está meia minuto à frente’. O Peter repetiu a mensagem, mas o Kimi continuou a fazer aqueles tempos, por isso achámos que era mesmo o ritmo dele”, explicou Wolff, visivelmente impressionado.
A vitória no Mónaco marca o regresso da Mercedes ao topo do pódio no Principado, algo que não acontecia desde 2019 com Lewis Hamilton. Wolff não escondeu a satisfação pelo desfecho: “É verdade, sempre foi um desafio para nós, muitas vezes estivemos perto, mas a última vitória foi em 2019. Voltar a vencer aqui é uma sensação fantástica.”
Com o campeonato a entrar agora na fase europeia, Barcelona será o próximo palco da luta pelo título. Antonelli chega à Catalunha com uma vantagem confortável, mas a pressão interna na Mercedes promete aumentar, com Russell e Hamilton a tentarem recuperar terreno. A consistência e maturidade do jovem italiano tornam-no o favorito à conquista do título, mas a temporada ainda reserva muitas surpresas. A batalha pelo Campeonato do Mundo de Fórmula 1 está longe de estar decidida, com as próximas provas a prometerem duelos intensos tanto dentro da Mercedes como com as Ferrari, que continuam a espreitar oportunidades para se intrometerem na luta pelo topo.
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