Fernando Alonso alerta para chassis defeituoso da Aston Martin e pressiona newey

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Fernando Alonso conquistou finalmente o primeiro ponto da época para a Aston Martin, mas o sabor foi agridoce: o espanhol não poupou críticas ao desempenho do AMR26, classificando o chassis como “defeituoso” após a exigente prova no circuito citadino do Mónaco. Apesar de ter beneficiado de abandonos e penalizações dos adversários para terminar nos pontos, Alonso alertou para problemas de fundo que continuam a comprometer o potencial da equipa de Silverstone.

No Grande Prémio do Mónaco, Alonso cruzou a linha de meta na décima posição, somando um ponto fundamental para a Aston Martin — o primeiro de 2024. O espanhol registou a sua melhor volta em 1:17.372, mas ficou a mais de 1 minuto do vencedor, Charles Leclerc, da Ferrari, o que ilustra o fosso de competitividade que separa atualmente a Aston Martin dos lugares cimeiros. Lance Stroll, colega de equipa, terminou fora dos pontos, reforçando o momento delicado vivido pela formação britânica. Esta prestação, a meio da temporada do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, coloca a Aston Martin numa posição modesta no Mundial de Construtores, muito aquém das expectativas criadas pelo investimento massivo e pela chegada de figuras de peso como Adrian Newey.

A insatisfação de Alonso faz ecoar rumores antigos: o AMR26 não só está a ser prejudicado pela unidade motriz Honda, mas também revela fragilidades graves ao nível do chassis, colocando pressão adicional sobre Adrian Newey, o novo diretor técnico e génio da engenharia que chegou com selo de vencedor. Para Alonso, cada circuito tem exposto diferentes debilidades do monolugar verde. “Na Austrália percebemos que o motor estava muito atrás, na China vimos que faltava potência, no Canadá a caixa de velocidades que usámos em Miami revelou-se muito má. No Mónaco, confirmámos que o nosso chassis é defeituoso. Cada circuito expõe fraquezas, mas isto dá-nos muita informação para sabermos o que fazer na segunda metade do ano”, afirmou o bicampeão mundial, minutos depois de garantir o ponto solitário.

Pedro de la Rosa, conselheiro da Aston Martin e figura próxima de Alonso, corroborou a análise do piloto, sublinhando os problemas de subviragem que assolaram o AMR26 nas curvas lentas do Mónaco. “Esperávamos fazer melhor e deparámo-nos com uma subviragem severa a meio das curvas lentas. Tentámos minorar com alterações de afinação, mas é um problema fundamental, não de afinação. Nunca tínhamos sentido uma subviragem tão acentuada noutra corrida, por isso surpreendeu-nos bastante”, explicou De la Rosa à imprensa espanhola após a prova.

A pressão cresce assim sobre Adrian Newey, que vê o seu nome associado à expectativa de revolucionar o projeto da Aston Martin. O britânico e De la Rosa já confirmaram que estão previstos grandes desenvolvimentos para o monolugar antes da pausa de verão, preferindo uma abordagem de mudança radical em vez de pequenas evoluções faseadas. No entanto, o tempo começa a escassear, e a Aston Martin não pode dar-se ao luxo de perder mais terreno para rivais diretos como Ferrari, Mercedes e McLaren.

A próxima paragem será o Grande Prémio do Canadá, circuito que alterna zonas de alta velocidade com curvas técnicas, e que servirá de novo teste à capacidade de reação da Aston Martin. Caso as prometidas melhorias não se traduzam em resultados palpáveis, o projeto de Lawrence Stroll arrisca-se a ficar irremediavelmente arredado da luta pelo pódio no Mundial de Construtores. Alonso, cuja experiência e exigência não permitem facilitismos, já deixou o aviso: “Sabemos o que está mal, falta agora corrigir e dar resposta em pista.”

Com a temporada a aproximar-se do meio, a Aston Martin enfrenta o maior teste desde que iniciou o ambicioso projeto de regresso à elite da Fórmula 1. O futuro imediato depende da rapidez com que Newey e a restante estrutura técnica conseguem transformar diagnósticos em soluções concretas, sob pena de 2024 se tornar num ano para esquecer. O Canadá será, portanto, uma encruzilhada decisiva para as aspirações da equipa verde e para a paciência de Fernando Alonso, que exige mais e melhor de um projeto que prometia desafiar os colossos da modalidade.

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