Aston Martin enfrenta crise sem fim à vista apesar de ponto de alívio

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O cenário da Aston Martin no Grande Prémio do Mónaco ficou marcado pelo alívio momentâneo de um ponto conquistado por Fernando Alonso, numa prova recheada de incidentes e penalizações que agitaram o final da corrida. Apesar deste pequeno motivo de celebração, a equipa britânica permanece envolta numa crise técnica e competitiva, sem soluções imediatas à vista, como admitiu o seu embaixador Pedro de la Rosa na conferência de imprensa de sexta-feira. A estrutura liderada por Lawrence Stroll vê-se ainda a braços com um monolugar difícil de pilotar e longe das expectativas para 2024, enquanto os rivais diretos acumulam progresso e resultados.

No circuito urbano do Mónaco, Fernando Alonso terminou em 10.º lugar, garantindo o primeiro ponto da temporada para a Aston Martin, após uma corrida de 78 voltas marcada por acidentes e estratégias interrompidas por bandeiras vermelhas. O seu colega de equipa, Lance Stroll, ficou fora dos pontos, sublinhando as dificuldades sentidas pelo plantel de Silverstone. O melhor tempo de volta da equipa ficou a mais de um segundo do registo dos líderes, evidenciando o défice de performance face à concorrência. Este resultado no emblemático traçado do Principado reforça o descontentamento interno e a urgência de novidades técnicas que possam reverter a tendência negativa no Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

Ao analisar a situação, Pedro de la Rosa foi perentório ao afirmar que ainda não vislumbra “luz ao fundo do túnel” para a Aston Martin nesta fase. “Definitivamente, ainda não. Estamos onde estamos. É um início difícil, especialmente porque estamos numa posição que não esperávamos”, declarou De la Rosa aos jornalistas. O embaixador da equipa salientou que se trabalha intensamente na fábrica para preparar um pacote de atualizações significativo, previsto para chegar “por volta do verão”, alinhando-se com as expectativas criadas por Adrian Newey sobre um salto de desenvolvimento antes da pausa estival. “Há muitas coisas a acontecer nos bastidores que nos fazem acreditar que as melhorias, todas as mudanças significativas que vamos introduzir, vão surtir efeito”, assegurou.

No entanto, De la Rosa fez questão de sublinhar que a realidade atual é bastante exigente: “Temos um carro muito difícil, pilotos que estão a dar o máximo e a fazer um trabalho absolutamente incrível para guiar o carro o mais rápido possível, de forma fiável e segura. Mas é difícil. Preferia adiar este discurso até vermos resultados concretos, quando as atualizações estiverem em pista e nos pudermos apoiar em factos. Temos falado tanto sobre o que pode ser e sobre a luz ao fundo do túnel, que por vezes parece que estamos apenas a repetir-nos.”

Sobre os recentes problemas de fiabilidade, especialmente os que afetaram os assentos de Alonso e Stroll, De la Rosa mostrou-se moderadamente otimista. “Sim, há muitos aspetos positivos, no sentido em que as vibrações desapareceram, já fazem parte do passado. O Fernando não se queixou de nada no rádio após a primeira sessão de treinos livres, o que é um bom sinal e mostra que o trabalho feito aqui, tentando ajustar o assento de 2025 ao carro de 2026, resultou. No entanto, o Lance queixou-se de problemas no assento, por isso ainda há questões a resolver, mas estamos no caminho certo”, explicou o representante da Aston Martin.

Com este desfecho no Mónaco, a Aston Martin mantém-se nas posições intermédias do Mundial de Construtores, longe do grupo da frente e sob pressão da McLaren, Mercedes e Ferrari, que continuam a somar pontos e a evoluir os seus projetos técnicos. A próxima ronda do campeonato leva o pelotão até ao Canadá, onde a equipa britânica terá nova oportunidade para avaliar a eficácia das pequenas atualizações e preparar o terreno para a tão aguardada revolução técnica do verão. Até lá, a prioridade passa por estabilizar a fiabilidade, maximizar os poucos pontos possíveis e conservar a moral de pilotos e engenheiros, numa época que continua a testar a resiliência da estrutura de Silverstone.

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