Flavio Briatore lançou um aviso direto e realista sobre o futuro da Alpine na Fórmula 1, sublinhando que mesmo um piloto do calibre de Max Verstappen não conseguiria tapar as lacunas actuais da equipa. Apesar de uma melhoria visível face à temporada passada, a Alpine ainda está longe de alcançar os seus objectivos, especialmente na qualificação, onde continua atrás da McLaren, principal concorrente com o mesmo motor Mercedes.
Após cinco Grandes Prémios, a Alpine ocupa a quinta posição no Campeonato de Construtores, somando 35 pontos entre Pierre Gasly e Franco Colapinto. Gasly lidera o plantel em termos de classificação individual, mas Briatore deixa claro que os resultados não correspondem às expectativas da estrutura francesa. “Estamos melhores, mas não estou satisfeito com o que temos neste momento, porque devíamos estar muito melhores com o que temos”, afirmou o ex-dirigente.
A discrepância nas prestações é evidente: “Temos a McLaren com o mesmo motor que nós, Mercedes também com o mesmo motor, e estamos seis, sete décimos atrás.” Para Briatore, o problema reside no pacote completo — o carro e a sua performance — antes de se pensar em mexer no plantel. “O piloto é o último factor. Se tiveres um piloto como o Max, podes ganhar dois, três décimos, mas se estiveres sete, oito décimos atrás, nenhum piloto consegue fazer essa diferença.”
Neste momento, a prioridade da Alpine está focada no desenvolvimento do monolugar. Briatore é peremptório: “Vamos trabalhar no carro, nas paragens, na aerodinâmica, e só depois falamos sobre pilotos.” O contrato de Gasly está assegurado até 2028, depois de uma extensão de três anos, enquanto Colapinto mantém uma opção da equipa para esta temporada, mas o seu lugar para 2025 ainda não está garantido.
O antigo chefe da Renault, que conhece bem os meandros da Fórmula 1, lança um repto claro: o investimento financeiro deve ser direccionado para onde há possibilidade real de vencer, e neste momento essa aposta é no carro, não nos pilotos. A Alpine precisa de recuperar terreno face à McLaren e Mercedes, sob pena de continuar a ser apenas um competidor de meio da tabela.
Esta abordagem pragmática de Briatore reflecte a dura realidade das equipas que não têm recursos ilimitados e revela a importância crucial do desenvolvimento técnico na Fórmula 1 moderna, onde mesmo o talento dos pilotos de topo não basta para colmatar deficiências técnicas evidentes. A Alpine encara, assim, um momento decisivo para definir o seu rumo, com a melhoria do monolugar a ser a pedra angular para qualquer sucesso futuro.
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