Flavio Briatore regressa ao epicentro da Fórmula 1 com a mesma perspicácia e pragmatismo que sempre marcaram a sua carreira. Durante a conferência de imprensa realizada no Grande Prémio de Mónaco, o veterano italiano deixou claro que, apesar das melhorias evidentes da Alpine, o foco principal continua a ser a evolução técnica do carro para encurtar a distância que ainda separa a equipa dos lugares cimeiros.
A Alpine tem vivido um início de temporada promissor, superando já o total de pontos do ano anterior. Briatore destacou a importância das mudanças estruturais na equipa, nomeadamente a nova equipa de engenharia e o acordo estratégico com a Mercedes para a unidade de potência. “O que fizemos no ano passado foi não desenvolver o carro de todo. Se tivéssemos continuado a desenvolver, estaríamos em 9º e não em 10º, não há grande diferença”, afirmou Briatore. “Estamos a trabalhar muito melhor no túnel de vento e tivemos o acordo com a Mercedes, que trouxe uma grande evolução. Ainda não chegámos lá, de todo.”
No que toca aos pilotos, o italiano elogiou o progresso de Franco Colapinto, que tem mostrado evolução desde o Grande Prémio de Miami. “Pusemos-lhe uma bateria nova! O Franco é um jovem, tal como todos estes jovens pilotos que chegam à Fórmula 1 com muita pressão. No ano passado, não se sabia se ele terminaria a temporada, não estava concentrado na condução, estava concentrado nos boatos. Agora estabilizou, toda a equipa gosta dele e estamos muito felizes com o desempenho que apresentou até ao momento.” Briatore reconhece, contudo, que ainda é cedo para avaliar o limite do piloto argentino, afirmando que o ano inteiro será fundamental para perceber a margem de progressão do jovem talento.
Quanto às negociações da venda das ações da Otro Capital, Briatore foi categórico: “A Otro não tem nada a ver com a equipa. Os fundadores da Otro compraram 24% da Alpine há dois anos e querem vender. Estava a ser negociado com o Toto Wolff por trás da equipa Williams, da Mercedes, mas o acordo caiu há três dias.” O italiano frisou que o Grupo Renault não exerce qualquer pressão sobre a Alpine relativamente a esta questão e esclareceu que o preço elevado foi o principal motivo para a desistência de Wolff: “O Toto foi muito correto. Acho que as pessoas da Otro não foram tão corretas.”
Sobre a recente parceria com a Gucci, Briatore mostrou-se entusiasmado e vê este acordo como um marco na estratégia da Alpine. “A Gucci é um dos maiores acordos que já fiz em toda a minha carreira na Fórmula 1. É um patrocinador principal e eleva o nível da equipa. Temos também uma relação incrível com a BWT, mas para o crescimento da imagem e financeiro, o acordo com a Gucci foi perfeito. Foi realmente um superacordo.” Para Briatore, esta associação com uma marca de luxo representa a nova era da Fórmula 1, que está a crescer de forma consistente e a abrir portas comerciais, especialmente nos Estados Unidos.
No que diz respeito ao interesse do consórcio liderado por Christian Horner na compra da participação da Otro Capital, Briatore manteve a sua posição diplomática: “Qualquer solução que seja encontrada pela Renault, ficarei feliz em aceitá-la. Mas quem comprar as ações da Otro precisa da bênção da Renault. Acho muito difícil alguém gastar 600 milhões para comprar uma posição minoritária sem acordo com a maioria.” Briatore destacou ainda a sua amizade de longa data com Horner, sublinhando que não teria problemas em trabalhar com ele, mas que a decisão cabe exclusivamente ao Grupo Renault.
Questionado sobre a atual performance da Alpine, Briatore não escondeu a sua insatisfação apesar dos progressos feitos. “Estamos melhores, mas não estou feliz. Deveríamos estar a fazer muito melhor, até porque temos o mesmo motor que a McLaren e a Mercedes, e estamos seis, sete décimos atrás.” Para o italiano, a prioridade é melhorar o carro, a aerodinâmica e as estratégias de paragem nas boxes, relegando a escolha dos pilotos para um plano secundário. “O piloto é a última parte, o último detalhe. Se estás sete, oito décimos atrás, não há piloto nenhum que faça a diferença.”
Com uma carreira de 35 anos na modalidade e uma visão clara sobre a evolução da Fórmula 1, Briatore acredita que a competição está mais forte e que o crescimento comercial da modalidade é notório. “A Fórmula 1 está mais ou menos na mesma, mas está a melhorar muito, especialmente na vertente comercial e na comunicação. Os Estados Unidos são o grande pilar da Fórmula 1 hoje, algo que no nosso tempo era impossível.” Para ele, a chegada de grandes marcas de luxo como a Gucci confirma uma nova fase na modalidade, que está preparada para crescer ainda mais nos próximos anos.
Flavio Briatore mantém-se assim uma voz influente e pragmática na Fórmula 1, focada na evolução técnica da Alpine e consciente dos desafios que ainda terá pela frente para colocar a equipa entre a elite da competição.
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