Num Grande Prémio do Canadá marcado por emoção e drama, Max Verstappen voltou a lançar um ataque feroz à Fórmula 1, denunciando a atual direção da modalidade como “anti-racing” e longe do espírito da competição pura que tanto valoriza. Apesar de ter protagonizado uma intensa batalha com Lewis Hamilton, que animou a segunda metade da corrida em Montreal, o piloto da Red Bull deixou claro que a F1, na sua visão, já não é o palco do verdadeiro desporto motorizado.
Verstappen, que após uma qualificação dececionante garantiu o seu primeiro pódio da temporada 2026 ao terminar em terceiro lugar, viu o duelo com Hamilton a aquecer as emoções dos fãs. A corrida perdeu um protagonista de peso quando George Russell, da Mercedes, se viu obrigado a abandonar devido a uma falha na bateria, deixando o caminho livre para a luta pela liderança entre Kimi Antonelli e Hamilton. Foi neste contexto que o britânico realizou uma manobra brilhante, ultrapassando Verstappen na curva 1 da volta 62, garantindo o seu melhor resultado pela Ferrari com um segundo lugar que lhe trouxe notória alegria nas celebrações pós-corrida.
No entanto, o entusiasmo de Hamilton contrastou com a frustração de Verstappen, que não poupou críticas à regulação atual da F1. Conhecido por ser um crítico das mudanças que têm reduzido o papel do motor de combustão em favor da componente elétrica, o piloto holandês comparou a experiência na F1 com a sua passagem pelo mítico circuito do Nürburgring, onde, segundo ele, se vive “puro racing“.
“60-40 [relação potência-motor a combustão/bateria] é o mínimo com que ficaria satisfeito”, afirmou Verstappen numa conferência de imprensa após a corrida. “Eu sei como é que outros desportos motorizados conseguem ser puros. Quando voltas a isto, é simplesmente… não é nada agradável.” O piloto da Red Bull explicou que prefere séries onde o desporto mantém a essência da condução natural e das ultrapassagens genuínas.
Continuando o seu desabafo, Verstappen sublinhou: “Não quero ser demasiado negativo depois de uma corrida assim, mas sei o que é conduzir carros de corrida puros, com ultrapassagens verdadeiras, puro racing e condução natural. Isto aqui é tudo um pouco anti-condução, anti-corrida. E não é isso que a Fórmula 1 devia representar. Espero mesmo que no próximo ano consigamos alcançar essa proporção 60-40, porque isso vai ajudar tudo a melhorar. Será um tempo fantástico.”
Esta crítica dura de Verstappen levanta novamente o debate sobre o futuro da Fórmula 1, entre as exigências da sustentabilidade tecnológica e a preservação da emoção e da essência da competição que apaixonam os fãs em todo o mundo. Enquanto Hamilton celebra um regresso aos pódios com a Ferrari, Verstappen desafia os arquitectos da F1 a repensar o rumo da modalidade para que o “puro racing” não se perca no meio das baterias e das regras rígidas. O confronto entre estes dois gigantes do desporto continua a ser o motor que mantém viva a chama da Fórmula 1.




