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Os farolins do McLaren F1 vinham de um autocarro

Publicado a 19 de Outubro de 2026, 13h12  ·  4 min de leitura

Os 5 superdesportivos reunidos pela [Jalopnik](https://www.jalopnik.com/2284792/exotics-supercars-luxury-with-parts-from-normal-cheap-cars/) mostram como a partilha de componentes ajuda a repartir custos de engenharia, num artigo publicado a 18 de outubro. O McLaren F1 usava farolins de um autocarro Bova, enquanto o Lamborghini Diablo recorria a faróis do Nissan 300ZX.

O essencial

  • O McLaren F1 usava farolins de um autocarro Bova e retrovisores do Volkswagen Corrado.
  • Uma faixa de fibra de carbono escondia o logótipo Nissan nos faróis do Lamborghini Diablo.
  • O Pagani Zonda de 1999 usava comandos de climatização do Rover 45.

Até o McLaren F1 foi buscar peças a um autocarro. A reportagem da Jalopnik reúne 5 superdesportivos com componentes de modelos comuns, apesar dos custos de desenvolvimento elevados.

Os faróis do Lamborghini Diablo de 1999 vieram do Nissan 300ZX. Uma faixa de fibra de carbono tapava o logótipo da Nissan, num dos casos mais discretos desta partilha.

5 superdesportivos, uma lógica

A partilha de componentes permite repartir os custos de engenharia por mais unidades, segundo o AutoGear apurou na reportagem original. Dentro do Grupo Volkswagen, o Lamborghini Urus, o Porsche Cayenne, o Bentley Bentayga e o Audi RSQ8 usam versões do mesmo V8 biturbo de 4,0 litros. Nos modelos desta seleção, os fornecedores de peças são menos exclusivos.

McLaren F1 com farolins Bova

O McLaren F1 com as portas abertas.
O McLaren F1 com as portas abertas.

Apresentado em 1992 e concebido por Gordon Murray, o McLaren F1 combinava 3 lugares, com o condutor ao centro, e um V12 atmosférico BMW S70/2. Desenvolvido pela BMW Motorsport, o motor tinha 6,1 litros e 627 cv. Atingia aproximadamente 386 km/h e manteve o recorde de velocidade de produção até 2005, quando foi ultrapassado pelo Koenigsegg CCR e, depois, pelo Bugatti Veyron.

Segundo a Jalopnik, os farolins vinham de um autocarro Bova e os retrovisores do Volkswagen Corrado. A McLaren escolheu os farolins por também serem usados pela TVR, presumindo que esta os tinha homologado, mas isso não acontecera. Vários comandos também eram comprados a outros fornecedores, porque o orçamento não permitia desenvolvê-los internamente.

O contraste continua nos valores de coleção. Um McLaren F1 GTR foi vendido na Monterey Car Week de 2026, nos Estados Unidos, por cerca de 30,8 milhões de euros.

Diablo com identidade escondida

Lançado em 1990, o Lamborghini Diablo ultrapassava aproximadamente 322 km/h e foi o mais rápido do mundo antes do Jaguar XJ220 e do McLaren F1. Em 1999, abandonou os faróis escamoteáveis e adotou os conjuntos do Nissan 300ZX.

Um teste confirmou o encaixe do farol Nissan no guarda-lamas Lamborghini. As manetes dos piscas também eram usadas nos Alfa Romeo 164 e Spider.

Zonda com comandos Rover

O Pagani Zonda de 1999 usava comandos de climatização do Rover 45, sem os disfarçar, segundo a mesma fonte. O painel de instrumentos era uma versão modificada do utilizado no Lancia Ypsilon. Num ensaio do Zonda LM de 2015, a avaria do comando do controlo de tração permitiu identificar uma peça corrente da Mercedes-Benz.

A partilha contrasta com os interiores Pagani, trabalhados em alumínio, aço, carbono e couro. A marca não pertence a um grande grupo automóvel e, no Utopia Roadster, combina um V12 sem hibridação com caixa manual, uma escolha indisponível na Lamborghini.

XJ220 com peças de utilitários

No Jaguar XJ220, a Jalopnik identifica farolins dos Rover 200, 214 e 216, retrovisores do Citroën CX e comandos e manetes dos piscas Ford. A origem Ford da chave surge apenas como rumor.

A troca do V12 anunciado por um V6 biturbo gerou polémica. Segundo o artigo, o V6 derivava do motor do MG Metro 6R4 de ralis, pesava menos, ocupava menos espaço e oferecia potência comparável.

Vector W8 até à aviação

O Vector W8 usava um V8 Chevrolet preparado para competição por um subcontratado, com componentes de fornecedores especializados. A caixa vinha do Oldsmobile Toronado, adaptada à tração traseira, e havia componentes de suspensão dianteira da NASCAR Grand National. A chave era uma peça corrente da General Motors dos anos 80.

Os interruptores quadrados iluminados, as saídas de ventilação e os disjuntores rearmáveis eram componentes aeronáuticos, explica a Jalopnik. Em 1994, a Megatech já controlava a Vector e a Lamborghini. O modelo seguinte, o M12, recebeu o chassis do Diablo, um V12 italiano e uma carroçaria em fibra de vidro.

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Perguntas e respostas

Que peças partilhadas usam estes 5 superdesportivos?

O McLaren F1 usa farolins Bova e retrovisores do Volkswagen Corrado, enquanto o Diablo recebe faróis do Nissan 300ZX. O Zonda usa comandos Rover, o XJ220 combina componentes Rover, Citroën e Ford, e o Vector W8 recorre a peças General Motors e aeronáuticas.

Porque usou a McLaren farolins de autocarro no F1?

A McLaren escolheu os farolins por também serem usados pela TVR, presumindo que esta os tinha homologado, mas isso não acontecera. Vários comandos também eram comprados fora, porque o orçamento não permitia desenvolvê-los internamente.

De onde vêm os comandos de climatização do Pagani Zonda?

O Pagani Zonda de 1999 usava comandos de climatização do Rover 45, sem os disfarçar. O painel de instrumentos era uma versão modificada do utilizado no Lancia Ypsilon.

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Duarte Chaves

AutoGear  ·  18 artigos

Recebeu a primeira moto, uma KTM, do avô, quando tinha 19 anos, e ainda a tem. Agora está a descobrir os automóveis. Ainda muito jovem, continua a aperfeiçoar o que sabe sobre este mundo, mas a paixão, essa, já a tem toda. Nos tempos livres gosta de surfar.

Colaborador do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.

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